Moradores e turistas reclamam do mau cheiro da Lagoa da Conceição em Florianópolis

Quase 11 meses após o rompimento do talude, o local ainda sente os impactos causados pelo desastre ambiental de 25 de janeiro

No dia em que a lagoa de evapoinfiltração se rompeu, em Florianópolis, o rejeito foi parar dentro da Lagoa da Conceição, mudando a paisagem daquela região. Quase 11 meses após o desastre, o local ainda sente os impactos causados pelo acidente.

Moradores e turistas reclamam do mau cheiro da Lagoa da Conceição em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVMoradores e turistas reclamam do mau cheiro da Lagoa da Conceição em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

No fim de outubro, foi realizado o nivelamento do banco de areia que se formou após o rompimento da estação de tratamento da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento). Com esse trabalho, foi feita a remoção da vegetação que se formou aqui no local. Depois disso, o mau cheiro tomou conta desse espaço. Mau cheiro que ficou ainda pior nos últimos dias, segundo relatos de quem passa ou mora no local.

A professora Ivonete Andrade mora bem em frente a lagoa e conta que não tem como deixar as janelas abertas da casa por causa do cheiro. “O cheiro era tão forte de esgoto que a gente não conseguia abrir a casa, a gente não consegue desfrutar do jardim, fica trancada dentro de casa com calor em função do cheiro”, disse ela.

Carlos Wess é do Rio Grande do Sul e está passando uma temporada em Florianópolis. Hospedado na Lagoa da Conceição, ele também percebeu que o cheiro ruim ficou ainda mais forte nos últimos dias.

Segundo Wess, há “um cheiro simplesmente insuportável em toda a região. Tem uma coisa do vento Nordeste, quando vem, que libera esse odor. Realmente, a lagoa tá chorando. Eu nem ponho o pé na água, apesar de querer fazer um esporte na água, mas eu tenho um certo receio”.

Inclusive no último fim de semana, o motorista por aplicativo Marcos Basei perdeu passageiros que não aguentaram o cheiro ao passar por este ponto da lagoa. “Estava passando aqui com turistas no carro. Vários reclamando. Justamente no sábado, como tem muito movimento, muita fila, acabei ficando parado aqui na frente e os turistas simplesmente desistiram de ficar na viagem, desceram do carro, porque não tinha condições de ficar parado aqui na frente”, contou.

Reclamação que vem também da associação de moradores. De acordo com o presidente da associação, Bruno Negri, a instituição estava “recebendo reclamações de moradores relacionadas ao cheiro e ao problema de drenagem que se formou ali. A nossa sugestão era mudar a drenagem de lugar, ams a Floram estudou o assunto e entendeu que o ideal era fazer o nivelamento e uma saída de drenagem pelo meio do delta”.

A Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis) confirma que fez o nivelamento para remoção de poças de água que estavam se formando no banco de areia.

“Nós decidimos com base em amplas análises e com toda a segurança técnica que fosse feito um nivelamento, com a abertura de pequenos sulcos para que essa água conseguisse fluir de volta para a lagoa, houvesse essa troca novamente. Destacando que toda essa intervenção foi feita manualmente”, explicou a superintendente da fundação, Beatriz Kowalski.

Já para o mau cheiro que tem tomado conta da área, a Floram ainda busca explicações: “Nos próximos dias e semanas, nós vamos acompanhar se realmente essa questão do mau cheiro melhora para eventualmente tomarmos outras medidas”, disse Beatriz.

A doutoranda em Ecologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Dairana Misturini tem acompanhado a situação da lagoa desde janeiro. Para ela, a retirada da vegetação que cobria o banco de areia influenciou diretamente no aumento do mau cheiro.

“Aquela vegetação servia como um remédio natural, ela é um filtro. Então, ela tava sugando todo o poluente que tava aqui embaixo e transformando ele em folha, em raiz. Claro, depois desse crescimento, essa vegetação precisa de um manejo, mas ela não pode ser removida”, avaliou Dairana. Ela tem recolhido amostras e analisado o banco de areia. E se preocupa com a situação do local.

Conforme a doutoranda, “a gente tá vendo um biofilme marrom. Isso é resultado de excesso de nutrientes. Então, esses organismos só crescem onde tem disponibilidade de comida e nesse caso o nutriente é a comida. Então, eles tão crescendo causando mau cheiro, causando florações”.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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