Centro de Desportos da UFSC sofre com falta de estrutura e piscina está fechada

Todas as atividades aquáticas estão suspensas por prazo indeterminado e mais de 3.000 pessoas da comunidade acadêmica do entorno são universidade são afetadas

Piscina interditada, quadras em condições precárias e falta de infraestrutura. Em contraste com a nova pista de atletismo de R$ 7,8 milhões, inaugurada em março do ano passado, o restante do parque desportivo da UFSC (Universidade Federal e Santa Catarina) encontra-se em situação deplorável.

Eduardo Valente/ND

Um comunicado informa que a área está interditada

Todas as atividades aquáticas de extensão do CDS (Centro de Desportos) estão suspensas por tempo indeterminado e mais de 3 mil pessoas da comunidade acadêmica e do entorno da universidade são afetadas diretamente. A piscina olímpica está fechada desde o início do semestre por conta de um vazamento na casa das máquinas. Os equipamentos têm mais de 40 anos de uso e a Administração Central da UFSC e a equipe técnica da universidade interditaram a piscina após a análise dos laudos elétricos e de inspeção de segurança, que constataram o risco de descarga elétrica.

Atleta de polo aquático da UFSC, Ana Moraes, 30, é uma das prejudicadas pela interdição. “É triste ver essa situação. Esta não é a primeira vez que a piscina fecha. Isso prejudica não só nós, atletas, mas também os alunos, o pessoal da comunidade, crianças, idosos, pessoas portadoras de necessidades especiais, que participavam dos projetos de extensão”, lamentou a atacante que tem treinado por conta própria e vai disputar o Campeonato Brasileiro por uma equipe de São Paulo, na semana que vem.

Eduardo Valente/ND

A falta de estrutura das quadras impede a utilização do espaço

As disciplinas do curso de Educação Física, como natação, estão sendo ministradas na piscina adaptada. Segundo o diretor do CDS, Luciano Fernandes, a situação só chegou a este ponto devido ao descaso da gestão anterior, da ex-reitora Roselane Necklel. “As solicitações de manutenção não foram feitas ontem, são de anos. É triste ver uma piscina olímpica como esta fechada, mas não tivemos outra escolha. Se ocorre uma descarga elétrica e mata alguém, quem é que se responsabiliza?”, ponderou.

Segundo o secretário Edison Roberto de Souza, da nova secretaria de Esportes da UFSC, a revitalização do parque desportivo da universidade será uma das prioridades da nova gestão, que assumiu em maio com o reitor Luis Carlos Cancellier. “Fui diretor do CDS por quatro anos. Na minha gestão, consegui fazer a pista de atletismo oficial, com recursos do Ministério do Esporte. Vamos abraçar essa causa, recuperar a piscina e revitalizar as quadrinhas para reaproximar a comunidade da universidade”, ressaltou.

Na semana que vem, uma reunião entre Prefeitura do Campus, Pró-Reitoria de Administração e Reitoria deve tratar da recuperação da piscina.

Flávio Tin/ND

Ana Moraes é uma das prejudicadas pela interdição da piscina

Ex-reitora rebate críticas

A ex-reitora da UFSC, Roselane Necklel, rebateu as críticas quanto ao suposto descaso de sua gestão. Segundo ela, o problema na casa das máquinas, que fechou a piscina olímpica do CDS, só foi informado à reitoria em abril, um mês antes do fim de sua gestão, e mesmo assim todos os encaminhamentos foram realizados em caráter de urgência.

De acordo com Roselane, em 2012, quando ela assumiu a reitoria, a então reitora só foi comunicada da necessidade da troca dos azulejos e dos aquecedores da piscina. “O CDS foi um dos centros que mais recebeu atenção da nossa gestão. Assim que nos foi comunicada a necessidade de troca da fiação fizemos todos os encaminhamentos em caráter emergencial”, explicou.

Além da preocupação com a piscina, Roselane também ressaltou seus esforços para não perder os recursos federais para a construção da nova pista de atletismo e para a revitalização das quadras. “O projeto das quadras está pronto. Eu mesma encaminhei ao DPAE (Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia). Custou R$ 9 mil. Mas depois do problema da piscina, ele acabou ficando em segundo plano”, revelou.

Mesmo sem infra adequada, pista receberá estrelas do atletismo mundial

Inaugurada em março do ano passado, a pista de atletismo da UFSC foi construída com recursos do Ministério do Esporte, R$ 7,8 milhões, e atende às normas estabelecidas pela Associação Internacional de Federações de Atletismo.

Marco Santiago/ND

Pista de atletismo da UFSC servirá de aclimatação para atletas da Rio 2016

Categorizada como “classe 2”, a pista está apta a receber competições internacionais, mas ainda sofre com a falta de estrutura, como arquibancadas, vestiários e espaço adequado para aquecimento. “Eu batalhei durante toda minha gestão para trazer essa pista oficial. Ainda faltam algumas melhorias, mas já estamos providenciando isso”, afirmou Edison.

Segundo o secretário, a pista da UFSC receberá dois atletas de ponta, que realizarão a aclimatação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. “Vamos receber a maratonista dinamarquesa Jessica M. Draskau-Petersson e o campeão olímpico no lançamento do disco, Gerd Kanter da Estônia”, ressaltou.

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