Com mais recursos, AMA e Apae ampliam atendimentos em Jaraguá do Sul

Com repasses do município e outras parcerias, as redes de apoio aprimoram a qualidade de vida de autistas, pessoas com deficiência e suas famílias

Criar e conviver com alguém com necessidades especiais é desafiador, por isso as redes de apoio assistencial são de fundamental importância. Embora em nível global o acesso a esses serviços não seja o ideal, a disseminação de informações tem ajudado famílias e profissionais a compreenderem melhor os sintomas e a necessidade de autistas e pessoas com deficiência por acolhimento, tratamentos e integração social.

Esse atendimento é essencial para as famílias, tanto na parte emocional quanto na rotina diária com seus filhos. Por isso, a prefeitura de Jaraguá do Sul vem ampliando os convênios com entidades assistenciais que trabalham com foco em terapias de estimulação e aprendizado pedagógico no município, como a AMA (Associação Amigos do Autista) e a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Prefeitura de Jaraguá do Sul aumenta repasses para entidades assistenciais como AMA e Apae – Foto: PMJS/Divulgação/NDPrefeitura de Jaraguá do Sul aumenta repasses para entidades assistenciais como AMA e Apae – Foto: PMJS/Divulgação/ND

O objetivo é dar o suporte necessário – por meio do repasse de recursos e subvenções – para que essas entidades continuem mantendo e ampliem suas atividades e serviços, chegando a mais pessoas.

“Sempre foi uma meta da Administração dar o suporte necessário para que essas entidades possam oferecer o que há de melhor em termos de atendimento aos seus usuários. Queremos fazer da AMA e da Apae referências tanto no estímulo, quanto no diagnóstico e terapias de acompanhamento. É nosso sonho e estamos trabalhando para isso”, diz o chefe de Gabinete, João Antônio Berti.

Em 2016, a AMA recebeu em torno de R$ 295 mil, mas em 2022 o valor é de R$ 648,9 mil, quase 120% a mais. Assim, a Associação consegue melhorar os atendimentos e hoje possui uma sala de jogos interativos e um projeto de desenvolvimento na comunicação do autismo.

Já a Apae terá um aumento de quase 200% nos recursos no período, passando de R$ 548,5 mil em 2016 para cerca de R$ 1,6 milhão em 2022. Ao longo dos últimos anos, a entidade conseguiu atender mais pacientes e investir na criação de uma sala montessoriana e um espaço multissensorial que estimula os sentidos, beneficiando dezenas de alunos.

João Antônio Berti acrescenta que uma rede interligada trabalha em conjunto para oferecer à população atendimentos de qualidade, com cada vez mais eficiência. “A ciência fala sobre os ganhos que os pacientes têm com o diagnóstico precoce, acompanhamento e estímulos adequados e estamos fazendo isso com o fortalecimento dos atendimentos dessas entidades”, pontua.

Além do repasse de recursos próprios, o município também incentiva as entidades a buscarem auxílio financeiro junto aos Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e Conselho do Idoso.

A Apae já vem buscando outros recursos. Atuando há 48 anos no município, a entidade criou um setor de projetos para captar recursos, como explica a diretora Pricila Lorentz Muller.

“Em 2022, será executado o projeto Melhor atender aprovado pelo FIA [Fundo Especial para Infância e Adolescência], com ampliação de espaço e aquisição de bens permanentes, no valor de R$ 590,4 mil. Já o Acolhimento e desenvolvimento está em fase de captação de recursos no FIA, cuja meta é R$ 1,38 milhão para ampliação de espaço, contratação de profissionais e aquisição de bens permanentes”, afirma Pricila.

A instituição também tem dois projetos aprovados no PRONAS (Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência), de R$ 1,48 milhão, com vistas à capacitação e contratação de equipe e bens permanentes. “Outros projetos aprovados através de emendas parlamentares, empresas e varas criminais e do trabalho auxiliam na melhoria”, aponta a diretora.

Mais espaço para os atendimentos

Além dos recursos repassados pelo município, a prefeitura de Jaraguá está reformando e ampliando o espaço onde funcionava o Procad, no bairro Tifa Martins, para abrigar a Unidade 2 da Apae e uma extensão da AMA, descentralizando e  ampliando o número de atendimentos das duas entidades.

A intenção é atender aproximadamente 250 usuários da Apae neste novo espaço, em todas as áreas oferecidas. “O investimento previsto nesse novo espaço é R$ 1,38 milhão, mais o gasto mensal de aproximadamente R$ 375 mil com folha de pagamento, materiais pedagógicos, material de limpeza, energia e água. Estamos buscando recursos através de projetos e parcerias com empresas”, explica a diretora da Apae.

Sala montessoriana criada para atendimento dos alunos da Apae – Foto: PMJS/Divulgação/NDSala montessoriana criada para atendimento dos alunos da Apae – Foto: PMJS/Divulgação/ND

A importância das entidades

Fundada há mais de 30 anos, a AMA funciona desde 1991 em Jaraguá do Sul, dedicando-se ao cuidado e assistência de pessoas com TEA (transtorno do espectro autista). No início, apenas três pessoas eram atendidas, mas o número já chega a 156 usuários e a demanda é crescente. Em parte, pela maior disseminação de informações e pelo reconhecimento dos sintomas pelas famílias e escolas.

A presidente da AMA, Tania Krause, afirma que o repasse de recursos tem sido fundamental para dar conta da demanda, qualificando os serviços e aprimorando os trabalhos desenvolvidos.

“Somente em 2022, a procura por atendimento aumentou 30%”, afirma. “Atualmente, atendemos 156 pessoas em todos os níveis do transtorno e de todas as faixas etárias, sendo a maioria crianças”, acrescenta. “Na questão de espaço físico, o uso do antigo Procad [após a reforma] permitirá atender a demanda reprimida, mas o atendimento clínico também precisa ser ampliado, não só para os usuários como para as famílias, que necessitam de apoio psicológico”, diz Tania Krause.

Segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), ligada a OMS (Organização Mundial da Saúde), o autismo é caracterizado por diversos graus de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva. Os sintomas começam na infância e tendem a persistir até a idade adulta, e já são aparentes durante os primeiros cinco anos de vida.

A OPAS estima que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tem transtorno do espectro autista. Mas no Brasil, ainda não há estatísticas oficiais sobre a prevalência desse transtorno.

Trabalhar a parte sensorial faz parte dos atendimentos da AMA e da Apae – PMJS/Divulgação/NDTrabalhar a parte sensorial faz parte dos atendimentos da AMA e da Apae – PMJS/Divulgação/ND

No caso da Apae, 568 usuários estão matriculados no município, em programas pedagógicos e atendimento habilitatório e reabilitatório. A entidade oferece atendimentos nas áreas de neurologia, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e serviço social, além da área da educação especial.

A maior demanda encontra-se entre as idades de 0 e 14 anos e há uma lista de espera com 347 pessoas. “A demanda é crescente e esse público necessita de atendimento especializado, geralmente de mais de uma área de atuação”, diz Pricila. Portanto, é preciso ampliar o atendimento na área de Assistência Social e multidisciplinar (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e neurologia). “Infelizmente, não conseguimos atender 100% da necessidade devido ao espaço físico e aos recursos  financeiros, que precisam crescer juntos”, completa.

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Prefeitura de Jaraguá do Sul

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