Comcap realiza força-tarefa para normalizar coleta de lixo em Florianópolis

Trabalhadores da autarquia retomam serviços após 14 dias de greve; coleta deve ser restabelecida até a próxima quinta-feira (4)

O cenário era ainda de lixo acumulado nas ruas de Florianópolis na manhã desta terça-feira (2). Com o fim da greve, a Comcap retomou os serviços de coleta de resíduos sólidos e limpeza pública na segunda (1º) e chegou a recolher 1.200 toneladas de lixo. Nesta terça, a expectativa é que seja recolhida a mesma quantidade de resíduos.

Trabalhadores da Comcap trabalham para normalizar a coleta de rejeitos na cidade – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDTrabalhadores da Comcap trabalham para normalizar a coleta de rejeitos na cidade – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

Após 14 dias de paralisação da autarquia, 275 trabalhadores, entre motoristas e garis, se dividem em 24 equipes no turno da manhã, sete à tarde e outras 24 durante a madrugada para dar conta do volume de lixo.

Além do efetivo comum para a coleta, outros 210 trabalhadores, entre garis, motoristas e auxiliares operacionais, foram contratados como reforço para a temporada de verão.

Apenas uma empresa terceirizada irá continuar

A partir desta quarta (3), apenas uma empresa terceirizada irá continuar a operar, com 48 trabalhadores, que será responsável apenas pelo apoio na coleta de resíduos sólidos, segundo o presidente da autarquia, Lucas Arruda.

“A expectativa é que a partir de amanhã [quarta-feira] existam poucos pontos de acúmulo de lixo e na quinta consigamos normalizar a coleta na cidade”, aponta Arruda. A previsão na quinta-feira (4) é que seja retomado o recolhimento do volume comum, em torno de 600 toneladas de resíduos.

A coleta seletiva de recicláveis será retomada nesta quarta-feira (3). O roteiro de coleta convencional por bairros volta ao que era realizado anteriormente.

Trabalho durante todo o dia

Equipes de garis puderam ser vistos nesta manhã atuando na limpeza das ruas em bairros como Trindade, Carvoeira e Centro. Renan da Silva, de 30 anos, que trabalha como temporário desde o dia 7 de janeiro, estava na avenida Mauro Ramos trabalhando com um colega, quando a temperatura estava em torno de 29º C.

“Muita sujeira, bastante plástico, bastante papelão. As lixeiras estavam cheias, bastante resíduos nas ruas. Estamos tirando papel do chão, fora as folhas e o lixo ao longo do caminho”, afirma. Ele e o colega começaram às 7h nesta manhã.

Renal da Silva faz parte do efetivo temporário para atuar na temporada de verão – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDRenal da Silva faz parte do efetivo temporário para atuar na temporada de verão – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

Outra equipe com três garis estava na Praça Santos Dumond, no coração da Trindade. Entre eles Luciana Lemos, de 46 anos, que trabalha há 12 na Comcap. Ela conta que está fazendo duas horas a mais para dar conta de deixar tudo limpo o mais rápido possível.

“O nosso serviço é essencial e ninguém faz com tanta qualidade como a gente. Estamos recebendo bastante apoio da população”, ressalta.

Mesmo de máscara, foi possível ver que ela sorria falando dos anos de contribuição com a limpeza.

“Eu me sinto realizada porque é um trabalho que eu gosto, que eu escolhi, fiz concurso para isso e fico muito satisfeita de colaborar com a limpeza da cidade, eu faço de coração”, diz.

Acúmulo de lixo em alguns bairros

Moradores relataram que houve um grande acúmulo de lixo ao longo dos dias que a autarquia paralisou os serviços, especialmente na região de morros.

O comerciante Jonathan Vander, de 22 anos, tem uma loja de bebidas em frente a um local em que houve uma concentração de lixo. Segundo ele, a empresa terceirizada passou apenas uma vez durante 14 dias de greve da autarquia.

“Cheiro ruim do caramba em frente ao estabelecimento. Prejudica, ninguém quer vir aqui comprar. Ali para trás está mais feio ainda, a outra empresa deixou tudo pra trás”, relata. 

Lixo acumulado na Rua Marcus Aurélio Homem prejudica comércios próximos – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDLixo acumulado na Rua Marcus Aurélio Homem prejudica comércios próximos – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

De acordo com Jonathan, as vendas foram prejudicadas. “Um monte de gente que não quer vir por causa do cheiro ruim, ninguém quer vir aqui. A gente paga aluguel, tem que sobreviver  e manter a nossa família. Agora vai melhorar”, aponta. 

Já no bairro José Mendes, em que há uma região íngreme, a moradora Julia Valentino de 24 anos contou que ratos e baratas foram vistos ao longo dos dias em função do lixo que ficou nas ruas do bairro.

“Nas últimas duas semanas vieram recolher o lixo apenas uma vez e, quando coletaram, muita coisa ficou pelo chão, pela rua,  não ficou limpo. Trabalhadores de chinelo, sem máscara, fumando no trabalho, muito diferente do que faz a Comcap”, afirma a moradora.

Jonathan Vander, de 22 anos, conta que o acúmulo de lixo e mal cheio quase em frente ao seu comércio prejudica a movimentação de clientes, no bairro Serrinha – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDJonathan Vander, de 22 anos, conta que o acúmulo de lixo e mal cheio quase em frente ao seu comércio prejudica a movimentação de clientes, no bairro Serrinha – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

O motorista Eneia Vieira Leandro, de 35 anos, trabalha há 8 anos na autarquia e conta que a empresa segue para normalizar o serviço, mas que está com uma demanda maior do que a usual. “Normalmente, numa terça-feira, levamos duas ou três carradas, já estamos na quarta e com certeza vamos fazer mais umas duas”, aponta.

Ele conta que os moradores os recepcionam muito bem durante o trabalho. “Fico emocionado porque eles ficam felizes com a gente e sabemos que fazemos a diferença”, assegura.

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