Começa a escavação do primeiro dos três túneis do Contorno Viário, em Palhoça

Serão necessários, pelo menos, dois anos de espera para ver tudo concluído

A escavação do primeiro dos três túneis que serão construídos em Palhoça para o Contorno Viário da Grande Florianópolis já começou. A expectativa é que as estruturas levem pelo menos dois anos para serem concluídas. Nesta fase inicial, os operários avançam 1 metro por dia. No futuro, conseguirão escavar até 4 metros a cada 24 horas.

O túnel que está sendo escavado terá 980 metros de comprimento. No entanto, como se trata de pista dupla, o trabalho é dobrado. Serão duas faixas para quem segue no sentido Sul-Norte e um outro túnel para quem faz o sentido contrário.

Escavação do primeiro dos três túneis do Contorno Viário, em Palhoça, já começou – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVEscavação do primeiro dos três túneis do Contorno Viário, em Palhoça, já começou – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

“Você avança um metro, faz o tratamento dos túneis, dá a sustentação, avança outro metro. Quando a gente atinge uma rocha de boa qualidade, o processo muda um pouco. Aí, a gente vai fazer a perfuração do maciço para a aplicação dos explosivos e o avanço é através de detonações”, explicou o superintendente de investimentos do Contorno Viário, Marcelo Módolo.

Não será apenas um, mas quatro túneis duplos. Juntos, eles somam mais de 7 km de escavações. Nenhum deles estava no projeto original. O túnel entre São José e Biguaçu foi uma condicionante ambiental, para evitar o corte da mata. Os outros três ficam no município de Palhoça e foram incluídos no projeto depois da mudança no traçado.

A alteração aumentou em R$ 1 bilhão o custo do Contorno Viário. O dinheiro para arcar com os custos vem da cobrança do pedágio, que teve reajuste por conta das obras.

“O Contorno Viário, nessa região de Palhoça, sofreu uma importante alteração no traçado por conta de uma expansão urbana. Foi solicitado uma alteração de traçado e o contorno foi deslocado para dentro da Pedra Branca, o maciço da Pedra Branca. Por conta disso, foi necessário a construção de três túneis duplos”, contou o superintendente.

No total, o contorno da Grande Florianópolis terá 50 km. A entrega da obra estava prevista para o ano de 2012. Desde o início das discussões até agora, a data de conclusão já foi adiada mais de dez vezes. A mudança no traçado é a justificativa mais repetida para o atraso na obra.

As mudanças no projeto tiveram que ser submetidas à análise da agência reguladora e de uma série de órgãos públicos. Foi preciso novas licenças ambientais e o número de desapropriações cresceu. A burocracia só foi vencida no final do ano passado. Só então foram contratadas as empreiteiras e em fevereiro deste ano que os operários e as máquinas começaram a preparar o terreno para o início das escavações.

“Nós iniciamos em janeiro e nosso compromisso são 36 meses de obra. Então, estamos trabalhando fortemente para concluir esse Contorno Viário no final de 2023”, disse o superintendente Módolo.

Projeto foi elaborado para garantir as características de pista expressa – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVProjeto foi elaborado para garantir as características de pista expressa – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Atualmente, há obras em 49 dos 50 quilômetros de extensão do contorno. O projeto foi elaborado para garantir as características de pista expressa, sem subidas e descidas acentuadas. São seis trevos, sete pontes, mais de 20 passagens em desnível, além dos quatro túneis duplos.

“As obras estão divididas em três trechos. Norte é mais em Biguaçu, o intermediário é em São José, e o trecho Sul, em Palhoça. Os trechos Norte e intermediário estão mais avançados. O trecho de São José está pavimentado, com as obras praticamente concluídas, e em Biguaçu a gente está em estágio de execução. Estamos com cerca 77% das obras nessa região já realizadas”, informou o superintendente.

Em horários de pico, cruzar a Grande Florianópolis pela BR-101 leva cerca de duas horas. Pelo contorno, o trajeto poderá ser feito em 40 minutos. A previsão é que 18 mil veículos pesados sejam desviados para o contorno todos os dias.

Segundo o coordenador do Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Bernardo Meyer, “o primeiro impacto é a redução no tempo de viagem e, obviamente, deve haver também menos acidentes e ganhos econômicos para as empresas que passam a conseguir transportar seus produtos e serviços de uma forma mais rápida”.

Trecho intermediário que, junto com o trecho Norte, está mais adiantado que o recém iniciado trecho Sul. Na imagem o km 205, trecho intermediário, Biguaçu – Foto: Arteris Litoral Sul/divulgação/NDTrecho intermediário que, junto com o trecho Norte, está mais adiantado que o recém iniciado trecho Sul. Na imagem o km 205, trecho intermediário, Biguaçu – Foto: Arteris Litoral Sul/divulgação/ND

Ainda assim, outros 140 mil veículos seguirão utilizando a BR-101. A terceira faixa sentido Norte, que está em execução, é uma obra paralela ao contorno, que tende a dar mais fluidez ao trânsito na rodovia federal. No entanto, estudos apontam que é preciso fazer mais.

Para Meyer é preciso estimular os moradores a deixarem o carro em casa e utilizarem os ônibus. Segundo ele, apenas um terço da população da Grande Florianópolis usa o transporte público hoje.

“O Contorno Viário não vai transformar a BR-101 num deserto. As cidades da Grande Florianópolis se desenvolveram ao redor da BR-101. Com o passar dos anos, o aumento do uso de veículos e o pouco uso do transporte urbano, nós [passamos] a ver uma série de congestionamentos em vários trechos da BR-101 na região da Grande Florianópolis”, afirmou o coordenador do observatório da UFSC.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!

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