Comissão tenta reverter decisão de privatizar Porto de São Francisco do Sul

Notícia da possível privatização do porto deixou Prefeitura e entidades econômicas do município apreensivas

A notícia da extinção da SCPar e a possível privatização do Porto de São Francisco do Sul causou desconforto entre entidades econômicas da cidade e uma comissão foi formada para tentar reverter a decisão do governador Carlos Moisés.

porto de são francisco do sul Terminal Graneleiro de São Francisco do Sul – Foto: Divulgação

Um dia após o anúncio do governador, o prefeito mobilizou uma comissão para debater o assunto e buscar alternativas para reverter a decisão de Carlos Moisés. Na manhã desta quinta-feira (4), uma comitiva francisquense foi a Florianópolis para se reunir com o presidente recém-nomeado da SCPar, Ricardo Moritz,  e entregou a ele um documento que pede soluções.

O prefeito de São Francisco do Sul, Godofredo Gomes Moreira Filho, disse que realmente preocupa qualquer alteração em relação ao porto, seja na sua estrutura ou na administração. “Mexe muito com nossa economia. 60% da economia são fruto da atividade portuária. Então, qualquer mudança nesse processo administrativo nos preocupa. Temos operadores portuários, nossos trabalhadores avulsos, nossos caminhoneiros, enfim, são vários setores que têm atividade dentro do porto”, afirma. 

<span style="font-weight: 400;">Godofredo Gomes Moreira Filho</span>, prefeito de São Francisco do Sul- Foto: Reprodução TVGodofredo Gomes Moreira Filho, prefeito de São Francisco do Sul- Foto: Reprodução TV

O presidente da Câmara de Vereadores de São Francisco do Sul, Sidnei Mira, que também faz parte da comitiva, também se manifestou contrário à privatização do porto.

“Hoje, o porto é um eixo econômico na cidade. Várias famílias dependem do porto. Hoje, não só os trabalhadores ligados diretamente em si no porto, mas o comércio em si.”

São Francisco do Sul, município mais antigo de Santa Catarina, tem hoje 54 mil habitantes. 

Incertezas também para trabalhadores portuários avulsos, os TPAs, como arrumadores, vigias, conferentes e estivadores. Hoje, eles atuam no porto por ele ser público.

Anderson Peretti é arrumador há dois anos e está apreensivo.

“Temos amparo da lei federal, que nos garante mão de obra na área portuária. Somos em torno de 600 TPAs. Se somar os funcionários concursados do porto, da cidasc, os guardas portuários, dá em torno de quase mil trabalhadores que poderão perder seus empregos. Se o governador quer extinguir a SCPar, uma alternativa seria municipalizar o porto, para que ele continua sendo público, sendo nosso. É o sétimo maior porto público do País em movimentação de carga. Então, vejo de maneira preocupante.

Anderson Peretti trabalha há dois anos no porto e está apreensivo com a possibilidade de privatização &#8211; Foto: reprodução TVAnderson Peretti trabalha há dois anos no porto e está apreensivo com a possibilidade de privatização – Foto: reprodução TV

Para o presidente da Associação Empresarial da cidade, João Ricardo Chaves, a decisão tomada pelo governador Carlos Moisés de extinguir a SCPar foi precipitada e sem fundamento. A associação não vê motivos para mudanças no porto, em um momento em que os números de faturamento e movimentação de cargas são positivos. 

João Ricardo Chaves, presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul &#8211; Foto: Reprodução TVJoão Ricardo Chaves, presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul – Foto: Reprodução TV

“Há algum equívoco nessa decisão até porque o porto hoje é uma entidade superavitária e ao mesmo tempo estamos batendo recordes em movimentação, por isso não vemos motivo para essa mudança no porto nesse momento”, disse Chaves.

Em 2020, o porto de São Francisco do Sul teve um aumento de 41% no faturamento em relação a 2019. Fechou o ano com mais de R$ 100 milhões em caixa e também teve um crescimento de 5,8% na movimentação de carga, com destaque para a soja.

Para muitos, ainda é cedo mensurar os impactos com a mudança de administração do porto, mas uma certeza entre as entidades é de que vários setores da economia do município devem sentir os prejuízos.

“Uma notícia como essa cria uma instabilidade dentro de toda atividade econômica do município, principalmente na atividade portuária, nos investimentos que estão planejados e na movimentação de cargas, nos negócios que já estão fechados e estão por vir e nos que estão em andamento nesse momento. Então, não é uma notícia que é boa para a cidade essa situação”, conclui João Ricardo Chaves.

*Com informações de Maikon Costa, repórter da NDTV Joinville. 

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Joinville e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Infraestrutura

Loading...