Deputado federal Celso Maldaner avalia a infraestrutura de SC em entrevista exclusiva

Abaixo-assinado 'SOS Rodovias' foi lançado no fim de novembro e integra a campanha 'SC Não Pode Parar', um movimento da Fiesc e do Grupo ND

Em entrevista ao Grupo ND, o deputado federal Celso Maldaner (MDB) criticou a atuação do governo federal e do Ministério de Infraestrutura nas obras de melhorias das rodovias federais de Santa Catarina. Maldaner ainda classifica que situação chegou neste ponto por culpa dos próprios parlamentares. Confira a entrevista na íntegra:

Encontro foi marcado por assuntos referentes à infraestrutura do Estado – Foto: Warley Cabral/ NDTV BrasíliaEncontro foi marcado por assuntos referentes à infraestrutura do Estado – Foto: Warley Cabral/ NDTV Brasília

Qual é o compromisso do deputado com as rodovias federais de SC?

Imagine, eu que sou ligado ao agronegócio e tenho mais de 150 caminhões da própria empresa transitando em Santa Catarina. O nosso Estado é o maior produtor de proteína animal por metro quadrado do mundo e não temos infraestrutura.

Nós consumimos mais de 7 milhões de toneladas de milho e produzimos ano passado um milhão e oitocentas mil toneladas, temos que importar quase 6 milhões de toneladas de milho e não temos estradas. Estamos abandonados, é desesperadora a situação do chamado ‘Grande-Oeste’.

Mas, enquanto parlamentar, o que o senhor tem feito para mudar essa realidade?

Sempre me junto com o Fórum Parlamentar e tenho colocado emenda de bancada, mas há a dificuldade de conseguir empenhar esses recursos. Ainda no final do governo Michel Temer, foi licitada a BR-163 por R$ 210 milhões e, atualmente, ela está avaliada em mais de R$ 250 milhões.

Então, de São Miguel do Oeste até o Paraná está intransitável e é uma vergonha. A situação é desesperadora, não aguentamos mais. É culpa nossa, dos políticos! O governo Bolsonaro fez mais de 70% dos votos em Santa Catarina, mas não investiram nada em Santa Catarina. Pelo amor de Deus, chega! Está na hora de olhar para Santa Catarina. Assim como é a BR- 280, a 470, 282, 285 e tantas necessidades que tem Santa Catarina.

O senhor tem acompanhado a mobilização da Fiesc e do Grupo ND para colocar o tema das rodovias em pauta. Qual a postura do senhor em relação a isso?

Temos que agregar. Como Santa Catarina já colocou R$ 465 milhões e agora vai colocar mais R$ 50 milhões na BR-282, que não tem terceira faixa em Rancho Queimado e toda aquela região? São acidentes e mortes todo dia. Então, nós temos que agregar. Precisamos ter humildade e procurar o ministro Tarcísio, que diz que é o melhor ministro do Brasil, mas para Santa Catarina, até agora, foi o pior, infelizmente.

Então, Bolsonaro, pelo amor de Deus, olhe para Santa Catarina. O orçamento de R$ 6 bilhões para todo o Brasil do Ministério da Infraestrutura é uma piada. Há 15 anos, eram R$ 14 bilhões para o DNIT e agora é para todos os modais. Essa é a realidade. Hoje, o Estado dá o exemplo de investimentos na infraestrutura, mas o governo federal tem falhado muito com Santa Catarina.

O orçamento federal diminuiu para aplicação nas rodovias. Não seria o caso de partir para concessões?

É o único caminho, infelizmente, porque o governo federal não tem dinheiro. Então a concessão é o caminho. Todos os investimentos que sairão agora no Brasil, seja de rodovias, ou ferrovias é através de concessões.

Olha o exemplo do Paraná: a Itaipú irá colocar bilhões nas rodovias do Paraná. Nós não temos esse benefício. Então, Santa Catarina tem que colocar dinheiro do Estado nas obras federais. Volta apenas 10% do que Santa Catarina arrecada, é tudo centralizado na esfera federal.

Mas não tem dinheiro aqui no governo federal. Aí tem o orçamento secreto que atrapalha muito, tem muito dinheiro nas mãos dos presidentes da Câmara e do Senado.

Felizmente, agora será votado uma transparência para ver onde irão esses recursos, mas, infelizmente, não adianta querer culpar o Tarcísio, o Bolsonaro… o governo federal não tem dinheiro e há muitos anos que Santa Catarina vem sendo discriminada.

O que os deputados podem fazer Santa Catarina tem mais retorno dos impostos federais?

É só aprovar as reformas administrativa e tributária que há 30 anos estamos esperando, o Congresso Nacional tem que fazer a sua parte, não será mais votada, e a perspectiva é muito ruim para 2022, em termos de investimentos. Por isso que é urgente fazer os projetos de concessões, não tem outro caminho. Se não vier investidores para investir no Brasil, se for um crescimento de apenas 1,5% do PIB como está previsto para 2022, será o caos total.

Abaixo-assinado ‘SOS Rodovias’

Lançado no fim de novembro, o abaixo-assinado integra a campanha ‘SC Não Pode Parar‘, um movimento da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) em parceria com o Grupo ND. A intenção é fazer desta mobilização a maior das rodovias federais em Santa Catarina. A adesão ao abaixo-assinado é gratuita.

Ao finalizar o preenchimento dos dados,  a plataforma exibe um banner de contribuição que não é obrigatória. Portanto, é tudo de graça. Faça parte da campanha e ajude a exigir mudanças. Assine o documento aqui . Mais informações sobre a campanha acesse o site da Fiesc .

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BR-101 – SC não pode parar

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