Encontro Econômico termina com expectativas positivas sobre o Brasil

Promovido pelo 34º ano consecutivo, encontro que reúne indústrias brasileiras e alemãs teve a assinatura de dois acordos importantes

O EEBA 2016 (Encontro Econômico Brasil-Alemanha) promovido em Weimar no início desta semana teve um clima muito diferente do evento promovido no ano passado em Joinville. Se por um lado o número de participantes do evento em solo alemão foi muito menor, por outro lado a imagem do Brasil vive um outro momento. Em setembro do ano passado o Brasil vivia um período de incertezas, com a crise fiscal cobrando a sua fatura, com o PIB sinalizando uma queda importante e com muitas incertezas no cenário político nacional. Agora, a mensagem que o governo brasileiro e que os empresários do país quiseram passar para os participantes do encontro bilateral na Alemanha é que o país vive uma nova fase e que começa a esboçar a saída para a crise econômica.

Em um espaço menor que o Centreventos de Joinville, o EEBA 2016 recebeu cerca de 500 inscrições, menos da metade do que o evento promovido em 2015 em Joinville, que teve 1.180 empresários inscritos – sendo 190 deles alemães. Santa Catarina participou do evento em Weimar com uma comitiva de empresários e especialistas da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) e com uma comitiva do governo do Estado.

Durante o evento, foram assinados dois acordos importantes. O primeiro, fruto de 12 meses de negociações e de trabalho da Secretaria de Estado de Assuntos Internacionais junto com o Estado alemão da Turíngia e que resultou no Acordo de Irmanamento entre os Estados de Santa Catarina e da Turíngia.

A assinatura do documento, feita na segunda-feira no início da tarde, consolida a aproximação entre os Estados e iniciou já com 23 acordos de cooperação. Este conjunto de acordos prevê a abertura de novos canais de negócios em tecnologia (nanotecnologia, energias renováveis, óptica e eletrônica óptica), agricultura e turismo. Na área de ciências, foram feitos acordos de cooperação entre universidades e instituições de ensino dos dois Estados. Na área de cultura, a promoção e o estudo dos idiomas português (na Turíngia) e alemão (em SC) e, na área da administração pública, a troca de experiências em e-government. Além disso, foi assinado um acordo de cooperação entre as agências de atração de investimentos LEG (alemã) e Investe SC.

O secretário de Estado de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, assina o acordo junto com Wolfgang Tiefenseen, ministro da Turíngia, tendo o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, e o cônsul da Alemanha para SC e o RS, Stefan Traumann, como tes - Alessandra Ogeda/ND
O secretário de Estado de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, assina o acordo junto com Wolfgang Tiefenseen, ministro da Turíngia, tendo o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, e o cônsul da Alemanha para SC e o RS, Stefan Traumann, como tes – Alessandra Ogeda/ND

O governo catarinense afirma que este acordo com a Turíngia vai trazer, no curto e no médio prazos, a ampliação do intercâmbio de estudantes/pesquisadores nas áreas ligadas à tecnologia e energia renováveis e, no longo prazo, que os investidores da Turíngia vejam Santa Catarina como a porta de entrada de seus aportes no Brasil. 

O segundo documento importante assinado no EEBA 2016 foi a declaração conjunta para a implantação de um projeto-piloto para o compartilhamento do trabalho de exame de patentes entre Brasil e o EPO (Escritório Europeu de Patentes). O documento foi assinado pelo ministro Marcos Pereira, do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), e pelo vice-presidente do EPO, Raimund Lutz. 

Na prática, esse trabalho de compartilhamento de patentes que começa agora entre o Brasil e o EPO segue os moldes de ações similares feitas pelo MDIC com os Estados Unidos (já em vigor) e com o Japão (processo iniciado este mês) e que visa facilitar o processo de reconhecimento de patentes entre estes diferentes mercados. Segundo o MDIC, estas iniciativas permitirão que as empresas e os pesquisadores brasileiros usem o resultado do exame do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para acelerar análises de patentes em outros países e vice-versa. 

O ministro Marcos Pereira, do MDIC, participou do EEBA 2016 em Weimar garantindo que o Brasil vive uma nova fase e que fará as reformas estruturantes necessárias para voltar a crescer - Alessandra Ogeda/ND
O ministro Marcos Pereira, do MDIC, participou do EEBA 2016 em Weimar garantindo que o Brasil vive uma nova fase e que fará as reformas estruturantes necessárias para voltar a crescer – Alessandra Ogeda/ND

Em entrevista exclusiva para o Notícias do Dia, que viajou até a Alemanha à convite da Fiesc, o ministro Marcos Pereira disse que esta é apenas uma de várias outras ações do MDIC tomadas para reduzir o prazo médio de 10 anos para a obtenção de patentes no Brasil. Outra ação será garantir que o INPI, que é superavitário, tenha mais recursos disponíveis e possa aumentar o seu quadro de funcionários – com a crise dos últimos anos os recursos do instituto foram contingenciados. Vale citar que o EPO representa 38 escritórios de patentes do bloco europeu e de países como Turquia, Noruega e Islândia.

Desde a abertura oficial do evento na segunda-feira de manhã e até o encerramento na tarde de terça-feira, tanto os empresários quanto os debatedores do Brasil, seja especialistas, industriais ou representantes do governo brasileiro, reforçaram a ideia de que o Brasil vive um momento de retomada. Foram discutidos em oito fóruns assuntos relevantes para a indústria dos dois países, como oportunidades de negócios, compliance, indústria 4.0, infraestrutura e mobilidade urbana.

Nestes dois últimos debates, destaque para os comentários sobre o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) lançado pelo governo federal sob o comando de Michel Temer e para a avaliação dos especialistas de que as obras de infraestrutura no Brasil só vão sair com investimento estrangeiro. Também ficou clara a preocupação dos alemães com a “invasão chinesa” no Brasil, com investimentos cada vez mais fortes nas novas concessões feitas no país. 

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