Hospital Celso Ramos é alvo de investigação do MP por ausência de Habite-se

No final de setembro, uma sala da unidade pegou fogo e deixou a emergência fechada durante toda a manhã; MPSC abriu três inquéritos

O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) abriu três inquéritos para investigar a ausência de documentos, materiais e sistemas de segurança contra incêndios ou pânico no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis.

No final de setembro, uma sala da unidade pegou fogo e deixou a emergência fechada durante toda a manhã. Segundo o MP, o hospital construído há 52 anos não possui sequer Habite-se.

Hospital Governador Celso Ramos, localizado no Centro de Florianópolis – Foto: Hospital Governador Celso Ramos, localizado no Centro de Florianópolis – Daniel Queiroz/NDHospital Governador Celso Ramos, localizado no Centro de Florianópolis – Foto: Hospital Governador Celso Ramos, localizado no Centro de Florianópolis – Daniel Queiroz/ND

Os processos foram abertos na última semana pela 33ª Promotoria de Justiça da Capital e seguem em sigilo.

No inquérito que apura falta do documento que atesta a regularidade do edifício, o promotor de Justiça Luciano Trierweiller Naschenweng pede para que se averigue ainda a existência de extintores de incêndio vazios e fora do prazo de validade, e saídas de emergências fechadas. 

Além disso, os “sistemas ou medidas de segurança contra incêndio ou pânico, parcial ou totalmente ineficientes” e a falta de PPCI (Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndios) são questionados. 

Junto ao inquérito, o Ministério Público deu dez dias para que o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, preste esclarecimentos oficialmente. O prazo se encerra no dia 16 de outubro. 

MPSC abre três inquéritos para investigar falta de estrutura no Hospital Celso RamosMPSC abre três inquéritos para investigar falta de estrutura no Hospital Celso Ramos

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Nos outros dois processos que seguem em segredo, o MP questiona a falta de um equipamento para punção arterial, chamado de Guia PAM, e a inexistência de Abucath 14, aparelho usado para realizar punções venosas. 

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou, na manhã desta segunda-feira (7), que ainda não foi notificada e só irá se manifestar após a intimação.

SindSaúde pede melhorias há anos

Segundo Wallace Fernando Cordeiro, diretor do SindSaúde/SC (Sindicato dos Trabalhadores na Saúde de Florianópolis e Região), os problemas estruturais se arrastam há anos e não é comum o adiamento de procedimentos por falta de materiais.

“O hospital não tem estrutura nenhuma, está sucateado. É uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento”, afirmou.

Em julho, ao menos 30 cirurgias eletivas foram adiadas por causa de um problema na bateria de um dos geradores que abastecem a unidade. Dois meses depois, um incêndio atingiu o hospital.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas começaram nas baterias de nobreak e foram contidas minutos depois.

Princípio de incêndio no Hospital Governador Celso Ramos – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/NDPrincípio de incêndio no Hospital Governador Celso Ramos – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/ND

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