Moradores aguardam ansiosos a revitalização da orla da praia da Tapera

A ordem de serviço será dada nesta segunda (22) pela secretaria de Infraestrutura

Cesinha, 68 anos. Nasceu e cresceu na região, e sabe, como poucos, as transformações que o bairro sofreu ao longo dos seus anos de vida. Crítico de ações públicas no bairro, ou da falta delas, Cesinha se diz otimista com o anúncio da Prefeitura de Florianópolis para início das obras de revitalização da orla da praia da Tapera.

Devem ser investidos mais de R$ 1,2 milhão que transformará o local. “Se for feita mesmo será uma boa, mas vamos esperar quando estiver pronto. Mas, com certeza, vai melhorar e muito tudo aqui”, disse ele apontando para a área que será revitalizada.

Paulo César nasceu e cresceu na Tapera – Foto: Leo Munhoz/NDPaulo César nasceu e cresceu na Tapera – Foto: Leo Munhoz/ND

A ordem de serviço será dada nesta segunda (22) pela secretaria de Infraestrutura. “Será criado um espaço harmonioso, contemplativo e de lazer voltado, principalmente, aos pedestres e ciclistas. Afinal, na concepção adotada, foi privilegiado o lado do mar, criando, consequentemente, uma rota acessível. Sabemos que a requalificação e revitalização da Orla da Tapera, além de valorizar o local e de levar desenvolvimento, levantará a autoestima dos moradores”, destaca o secretário Valter Gallina.

Ordem de serviço para revitalizar Praia da Tapera será assinada nesta segunda (22) – Foto: Leo Munhoz/NDOrdem de serviço para revitalizar Praia da Tapera será assinada nesta segunda (22) – Foto: Leo Munhoz/ND

A promessa do município é que os 476,51 metros de extensão da rua da praia, via pública, acessada pela Rodovia Açoriana, será toda pavimentada. Atualmente, ela tem cerca de 300 metros com pavimentação com lajota, e o restante continua estrada de chão batido. A via ganhará um novo sistema de drenagem, passeios e sinalização viária.

No projeto está previsto, implantação de deck de madeira com guarda-corpo e passarela de acesso à praia, bancos e mesas de concreto; quadra poliesportiva em areia para a prática de vôlei e futebol de praia com arquibancada; bicicletário; academia de ginástica; playground; paisagismo de canteiros com arbustos, e lixeiras. Ainda estão previstas implantações de vagas de estacionamentos e de baias de ultrapassagem para veículos de sentidos contrários.

Praia da Tapera é usada para o lazer da comunidade e após a revitalização contará com passarela e deck de acesso – Foto: Leo Munhoz/NDPraia da Tapera é usada para o lazer da comunidade e após a revitalização contará com passarela e deck de acesso – Foto: Leo Munhoz/ND

Com bem menos tempo de bairro, em relação a Cesinha, o servidor público Miguel Inácio, morador da Tapera há quatro anos, vê o local como um refúgio tranquilo para se viver. Diferente do olhar que tinha quando residia no centro da capital. “Nem táxi entrava aqui. Pegou uma fama de violento, mas mudou muito tudo isso aqui. Lugar mais tranquilo de se viver”, comentou o “gerente” – como ele mesmo se definiu – do único bar “pé na areia” da praia da Tapera.

Miguel Inácio, morador da Tapera há quatro anos, vê o local como um refúgio – Foto: Leo Munhoz/NDMiguel Inácio, morador da Tapera há quatro anos, vê o local como um refúgio – Foto: Leo Munhoz/ND

Miguel vê a Tapera como um dos bairros que mais representa a história de Florianópolis, justamente por ser habitada por muitos pescadores. Para o morador, a localidade hoje também é a que tem mais recebido incentivo de políticas públicas. “Acredito que somos o bairro que tem mais linhas de ônibus, ganhamos uma escola modelo, e agora a construção da orla, tem muita coisa melhorando por aqui”, comemorou.

Pescadores que vivem na Tapera representam a história do local – Foto: Leo Munhoz/NDPescadores que vivem na Tapera representam a história do local – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele também diz acreditar que a revitalização levará o desenvolvimento econômico da região, principalmente, pela aproximação com o aeroporto Hercílio Luz. “Poderá ser uma alternativa para o visitante. Ele vem aqui almoça e relaxa olhando esse mar antes de viajar”, destacou.

Visão empreendedora 

O professor Newton Martendal Gentil, que mora à beira-mar, já observa a revitalização da praia da Tapera como uma oportunidade de empreendedorismo. Ele prevê uma PPP (Parceria Público Privada) para implantação de uma escola náutica com aulas de vela, remo, caiaque e standup paddle. A ideia é levar estudantes da rede pública a frequentar o local no contraturno escolar. Além disso, atraí turistas e moradores de Florianópolis como mais um atrativo na capital.

Newton Martendal Gentil vê a revitalização da praia da Tapera como uma oportunidade de empreendedorismo – Foto: Leo Munhoz/NDNewton Martendal Gentil vê a revitalização da praia da Tapera como uma oportunidade de empreendedorismo – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele mora na Tapera há sete anos e disse que a revitalização acabará com o constante incômodo da poeira no local. “Vai organizar e harmonizar tudo por aqui”, comentou.

Esgoto preocupa moradores

Mas nem tudo é expectativa positiva sobre a revitalização que os moradores estão convivendo. Um esgoto a céu aberto preocupa, tendo em vista que não será feita qualquer intervenção pública durante a obra.

“Não vai adiantar revitalizar esse trecho ali e deixar este esgoto aqui. É contraditório”, reclamou Cesinha. Segundo ele, esse problema fez com que se extinguisse a pesca de camarão no local. Para ele, ligações irregulares de esgoto e falta de fiscalização levaram a transformar o que seria uma rede de drenagem de água pluvial – que recolhe os excessos de água da chuva – em uma rede de esgoto doméstico.

Moradores reclamam do esgoto a céu aberto na praia da Tapera – Foto: Leo Munhoz/NDMoradores reclamam do esgoto a céu aberto na praia da Tapera – Foto: Leo Munhoz/ND

O secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Valter Gallina, informou que na Tapera ainda não existe uma rede com tratamento de esgoto. “As ligações clandestinas e irregulares dos moradores levam para os canais de drenagem que, por sua vez, levam ao mar”, frisou. “Enquanto não tiver sistema de esgotamento sanitário, os moradores devem se conscientizar e fazer seus tratamentos de esgoto individuais”, explicou.

“A gente sabe que precisa (resolver o problema do esgoto) e estamos cobrando da Casan uma solução”, declarou Gallina.

A Casan também se pronunciou sobre o assunto: “A Casan informa que não tem rede de esgoto em operação na região. A imagem da foto (enviada pela reportagem do ND) parece ser de canal de drenagem. A Companhia lembra que tenta desde 2008 implantar sistema de esgotamento sanitário no Sul da Ilha, tendo inclusive uma Estação de Tratamento em estágio avançado de obra”, declarou.

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