Moradores sofrem com falta de água há dez dias em bairros de Florianópolis

Imóveis no Pantanal, Carvoeira, Costeira e Saco dos Limões, especialmente nos morros, estão sem água; pessoas têm usado água da chuva para cozinhar e tomar banho

Moradores dos bairros Pantanal, Carvoeira, Costeira e Saco dos Limões, em Florianópolis, sofrem com a falta de água há pelo menos dez dias. Muitos deles estão usando água da chuva para fazer o básico, como  cozinhar, tomar banho e lavar a louça. A situação segue nesta quinta-feira (4). 

Torneira e um reservatório de água da chuvaMoradores estão usando água da chuva para tomar banho e cozinhar no bairro Carvoeira, em Florianópolis – Foto: Ana Caroline Baiffus/Divulgação/ND

Segundo a estudante Ana Caroline Baiffus, de 23 anos, moradora de uma quitinete na rua das Acácias, no bairro Carvoeira, não há água para beber, tomar banho, escovar os dentes, e muito menos para lavar a louça e cozinhar. Em contato com a Casan, ela reclamou da falta de água, mas não conseguiu resolver a questão.

“Nos primeiros dias, disseram que era problema em uma bomba de água e que iriam resolver. Depois disseram que estava tudo ok, que estavam mandando água, mas até agora nada”, afirma Ana. 

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Casan por e-mail e por telefone, às 14h30 desta quarta-feira (3), questionando as causas e o que seria feito para sanar o problema. Na manhã desta quinta (4), a Casan, por meio de sua assessoria, respondeu que “não temos problemas de falta de água ou registro de reclamação pontual em nossos sistemas”.

Assista ao relato de Ana Caroline Baffus:

No Saco dos Limões a situação não está diferente. Conforme o presidente da associação de moradores do bairro, Márcio Alves, de 55 anos, a falta de água é um problema recorrente de muitos anos e há dez dias os moradores têm reclamado.

“Moro aqui desde criança e vejo isso desde quando era pequeno. A falta de água sempre existiu, especialmente nas regiões mais altas dos morros”, aponta.

Dona Terezinha, também moradora da rua das Acácias, afirma que “a situação está muito triste” e que há idosos e crianças sofrendo. Ela conta que estão usando água da chuva para comer, tomar banho e se alimentar.

Moradores da Rua das Acácias relatam que a falta de água afeta atividades básicas há pelo menos dez dias – Foto: Ana Caroline Baiffus/Divulgação/NDMoradores da Rua das Acácias relatam que a falta de água afeta atividades básicas há pelo menos dez dias – Foto: Ana Caroline Baiffus/Divulgação/ND

“A Casan liga a água e chega até a Servidão Deolindo Costa. Quando é para a população do morro, mais no alto, não vem água. Aí eles [Casan] vão lá e desligam, ligam uma horinha só. Lá embaixo vem um pouquinho de água, mas aqui em cima não vem nada”, assegura a moradora.

Para Márcio, a capacidade de armazenamento torna-se um dos motivos da escassez de água no Saco dos Limões. Ele conta que não ficou sem água porque aumentou o tamanho da própria caixa d’água, porque sabia que isso seria um problema.

De acordo com Ana Caroline, às vezes há um pouco de água, mas “não dá para encher uma mão”. Depois de alguns minutos, a torneira seca novamente. Ela conta que ocorre o mesmo em outras localidades, como Pantanal e Costeira.

Uma das razões apontada pela Casan, segundo Márcio, é a gravidade. “Nas áreas mais altas demoram para chegar a água, então água tem, é que não chegou aqui ainda. É por gravidade, então a água desce da caixa, enche o bairro e depois vai para as comunidades que estão no ponto mais no alto. A maior parte das reclamações das pessoas é das regiões mais altas moram mais alto”, ressalta. 

O presidente da associação aponta que outro fator importante é a capacidade da água para atender o bairro, que pode estar defasada. “Essa é uma percepção como cidadão, que parece que a caixa d’água é insuficiente para o tamanho do bairro”, alerta. 

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