Novo sistema de esgoto vai beneficiar 35 mil moradores em Florianópolis

Ao todo, será feita a implantação de 57 mil metros de redes coletoras nos bairros Saco Grande, João Paulo e Monte Verde

Os moradores do João Paulo, em Florianópolis, não entenderam porque a Casan começou a suprimir árvores, nesta semana, no terreno onde funciona uma estação de tratamento de esgoto. No bairro há 22 anos, o engenheiro eletricista Aldo Mario Mano, que tem casa em frente ao terreno da estatal, estranhou a mudança na paisagem.

Vegetação suprimida vai dar espaço a nova estação de tratamento de esgoto da Casan no João PauloVegetação suprimida no terreno da Casan, no João Paulo, vai dar espaço a nova estação de tratamento de esgoto para os bairros do entorno da SC-401, em Florianópolis – Foto: Marcelo Feble/NDTV

Aldo está preocupado com possíveis impactos da mudança e foi entender o que estava acontecendo. Logo, ele descobriu: a Casan vai desativar a atual estação de tratamento de esgoto e construir uma maior, com capacidade para atender mais bairros de Florianópolis.

De acordo com a Casan, 35 mil moradores do entorno da SC-401, em Florianópolis, serão diretamente beneficiados com o novo Sistema de Esgotamento Sanitário Saco Grande.

Ao todo, será feita a implantação de 57 mil metros de redes coletoras nos bairros Saco Grande, João Paulo e Monte Verde. O novo sistema também permitirá que entrem em operação 12.862 metros de redes de coleta e 811 ligações domiciliares implantadas na década passada nos bairros Cacupé, Sambaqui e Santo Antônio de Lisboa.

Estação de tratamento de esgoto atual é menor e atende menos bairros, além de empreendimentos da região – Foto: Acervo CasanEstação de tratamento de esgoto atual é menor e atende menos bairros, além de empreendimentos da região – Foto: Acervo Casan

A obra da Casan é um investimento de R$ 103,7 milhões e está sendo financiada pela JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão).

Os trabalhos estão começando agora em fevereiro e a previsão de conclusão é maio de 2023. Com essa obra e com a ampliação do Sistema Insular – de acordo com a Casan – a cobertura de esgotamento sanitário de Florianópolis deverá chegar aos 72%.

Visita da Floram

Preocupado com a supressão da vegetação, Aldo disse que fez contato com a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) e recebeu o retorno de que um fiscal visitaria o local.

“Não somos contra a instalação da estação de tratamento de esgoto, isso é importante para o bairro. O que nos preocupa é que não sabemos como é esse projeto. A comunidade não está sabendo como vai ser”, disse Aldo.

Aldo Mario Mano, morador preocupado com a obra do novo sistema de esgoto da regiãoAldo Mario Mano, morador do bairro João Paulo quer conhecer melhor possíveis impactos da obra – Foto: Marcelo Feble/NDTV

Fábio Wiggers, do setor de fiscalização da Floram, visitou a obra nesta quinta-feira (18). Ele estava atendendo ao pedido de informações dos moradores, que haviam questionado a supressão de vegetação no local poderia ser irregular.

Fiscal da Floram garante que a supressão da vegetação está autorizada e a obra para novo sistema de esgoto pode continuarFiscal da Floram visitou a obra, analisou documentos e confirmou a legalidade dos trabalhos – Foto: Marcelo Feble/NDTV

“Nós conferimos a documentação e está OK. O IMA autorizou essa supressão para ampliação do sistema de tratamento de esgoto da capital, então, a obra pode continuar, porque está totalmente licenciada, correta”, disse Wiggers.

Segundo o fiscal da Floram, todo o empreendimento precisa cumprir diversos estágios de licenciamento. A licença prévia (que determina que a obra pode ser feita no local especificado); a licença de instalação (que autoriza o início das obras) e a licença de operação (necessária para quando a estrutura começar a funcionar).

Fabio Wiggers atua no setor de fiscalização da Floram e autorizou a continuidade dos trabalhos – Foto: Marcelo Feble/NDTVFabio Wiggers atua no setor de fiscalização da Floram e autorizou a continuidade dos trabalhos – Foto: Marcelo Feble/NDTV

“Aqui estão na [fase de] instalação, que é quando começa a ter obra. Para isso, precisa ter licença de supressão de vegetação, ou seja, licença para retirar a vegetação e começar as obras de engenharia. A documentação dessa fase está ok”, complementou Wiggers.

Supressão de vegetação será acompanhada por programa de compensação ambiental

A nova estação de tratamento de esgoto exigiu a supressão da vegetação, mas, assim como em qualquer processo de licenciamento, vem acompanhada de um programa de compensação ambiental.

“Toda supressão tem um plantio em outro local de mesma área, com mudas. No caso específico não sei quantas mudas serão plantadas, nem onde. Está no licenciamento. A vegetação aqui é Mata Atlântica, em estágio inicial, com espécies pioneiras”, explicou o fiscal da Floram.

Segundo a Casan, no que diz respeito à supressão de vegetação, áreas de compensação estão sendo definidas de acordo com o processo de licenciamento ambiental da obra, que originou a Licença Ambiental de Instalação LAI n.º 2.366/2019 e duas autorizações de corte de vegetação.

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