O drama de quem está há mais de 80 horas sem energia em Santa Catarina

As condições de cada ocorrência são avaliadas pelas equipes de atendimento da Celesc e a intenção da empresa é recompor grande parte do sistema ainda neste sábado

Depois de três dias de trabalho ininterrupto, as cerca de 300 equipes de eletricistas da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) que estão espalhadas pelo Estado conseguiram restabelecer 96,7% do sistema elétrico, que entrou no maior colapso de sua história depois do fenômeno meteorológico desta semana.

Moradores do bairro Mont Serrat, em Florianópolis fizeram panelaço – Foto: Anderson Coelho/ND

Praticamente 50% das unidades consumidoras – 1,5 milhão – ficaram sem energia elétrica, e ainda nesta sexta-feira (3) cerca de 102 mil consumidores, 3,22% dos usuários, ainda estavam sem abastecimento – 30 mil na Grande Florianópolis e 20 mil na região Serrana, entre outros dos 153 municípios afetados.

A Celesc informa que equipes de reforço foram deslocadas das áreas já recuperadas para as que ainda apresentam muitas demandas. A população pode acompanhar o andamento dos trabalhos no mapa que mostra a situação em tempo real, no site da Celesc.

As condições de cada ocorrência são avaliadas pelas equipes de atendimento e a intenção da empresa é recompor grande parte do sistema ainda neste sábado, mas informa que, dependendo da complexidade e do acesso a algumas regiões, os casos mais complicados podem ser resolvidos até domingo.

A Celesc esclarece que alguns casos são mais complexos do que aparentam. Por exemplo, quando há queima do fusível, outros componentes da rede são afetados e precisam ser substituídos por profissionais especializados. Além disso, existem situações em que parte dos consumidores de uma mesma localidade podem estar com a rede energizada e outros não.

É o que vêm enfrentando os moradores do bairro Mont Serrat, na região central da Capital, que nesta sexta-feira promoveram um novo panelaço para chamar a atenção para as dificuldades que os moradores vêm enfrentando em três dias sem energia. Outro problema delicado enfrentam os moradores do alto da rua 13 de Maio, após a primeira escadaria, que depois de dezenas de telefonemas, aberturas de pedidos e mensagens ainda não foram atendidos.

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O estudante de direito, Willian Rodrigues, relata que esta rua, localizada no bairro José Mendes, todas as ruas acima, em parte do Morro do Mocotó e do Morro da Queimada estão sem energia. Segundo ele, são mais de cem casas desabastecidas e todos os chamados para a Celesc são catalogados como restabelecidos, o que obriga os moradores a reabri-los. E enquanto esperam, o desespero começa a tomar conta.

“Tem gente jogando comida fora já, chorando desesperada. Gente que disse que teve técnico falando que se dependesse deles não iam arrumar nada porque tinha furto de fio/energia (o que não é problema de quem tem unidade consumidora). Outro disse que falaram que quando mais ligássemos mais iam demorar”, descreve o estudante, que acredita que a enxurrada de reclamações leve a este comportamento dos atendentes.  Até às 21h da sexta-feira, eles permaneciam sem energia.

Novo registro

A Celesc orienta que nesses casos a é necessário fazer novo registro, de preferência pelo App Celesc (para iOs e Android), ou no ícone “Sem Luz” no site da empresa. Atualmente, o call center para emergências da Celesc – 0800 48 0196 – está funcionando, mas, devido à alta demanda, pode haver atraso no atendimento ou na identificação dos locais com defeito na rede de distribuição. Outra opção é enviar SMS para 48196, com a mensagem SEM LUZ.

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