Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


O que deve ser levado em conta no transporte aquaviário da Grande Florianópolis

Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC apresentou documento com posicionamento sobre o estudo de pré-viabilidade feito pelo governo do Estado

O Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) enviou à Secretaria de Estado da Infraestrutura uma análise sobre o estudo de pré-viabilidade feita pelo governo do Estado, em conjunto com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para implementação do transporte aquaviário na Grande Florianópolis.

Modelo de implantação do transporte aquaviário está sendo discutido pelo governo do Estado – Foto: Flávio Tin/Arquivo/NDModelo de implantação do transporte aquaviário está sendo discutido pelo governo do Estado – Foto: Flávio Tin/Arquivo/ND

O documento aponta que alguns aspectos não podem ser negligenciados no projeto, que está sendo liderado pela Secretaria de Infraestrutura do Estado. Destaca, por exemplo, o uso eficiente dos subsídios públicos e a integração física e tarifária com o sistema de transporte público existente.

“Não restam dúvidas, que em face da característica insular de Florianópolis, a implementação do transporte aquaviário pode se caracterizar como importante modo alternativo de transporte de passageiros, em especial nos trajetos que conectam a ilha e o continente”, registra.

Sugere também “a criação de incentivos para que as empresas concessionárias do transporte aquático adotem energias renováveis nas suas operações, contribuindo para a redução de emissões de poluentes e de gases causadores do efeito estufa”.

Confira outras contribuições feitas pelo
Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC

_ “O transporte público coletivo deve ser intermodal, em oposição a concepções simplesmente multimodais que não partam da previsão de integração tarifária. Isto é, os diversos modos de transporte público devem ser pensados como rede integrada, com tarifas que promovam o livre trânsito entre os modos ofertados.”

O Observatório também destaca a necessidade de estruturas (ciclovias e calçadas adequadas) que facilitem o acesso de ciclistas e pedestres às embarcações.

_ Projeções de demanda com base em valor de tarifa devem incluir o custo da integração. “Destaca-se que o transporte aquaviário constitui-se em modo complementar, conforme as projeções de demanda descritas no estudo, da ordem de 30 a 40 mil pessoas/dia útil, ao longo do período contratual. Para que tais projeções se realizem, é preciso considerar a gratuidade para os trechos da viagem feitos por ônibus.”

_ Política equitativa de subsídios públicos à implantação e operação. O Observatório da UFSC lembra que o transporte urbano por ônibus intermunicipais na região transporta quantitativo de passageiros significativamente maior do que a demanda estimada para o aquaviário.

“Dados de 2019 apontam para aproximadamente, 180 mil viagens/dia útil nos sistemas municipais e intermunicipal da RMF, o qual não recebe
subsídios do governo do Estado. Assim, políticas públicas equilibradas de transporte público devem aplicar recursos de subsídios proporcionais aos volumes transportados, ainda mais que a grande maioria das viagens estimadas para o transporte aquaviário terá trechos conectados por ônibus para suas completas realizações”, registra o documento.

_Desenvolvimento de infraestrutura para o transporte marítimo. De acordo com o Observatório, “a adequação de infraestrutura de terminais de passageiros e de estacionamento das embarcações é condição fundamental para a atratividade do modo aquaviário, uma vez que os cidadãos devem ter condições seguras e confortáveis de acesso e embarque em diferentes condições climáticas”.
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