Obra do Contorno Viário da Grande Florianópolis têm pontos em atraso; saiba quais são

A reportagem da NDTV RecordTV percorreu toda a extensão da obra para entender o que falta fazer para que a nova rodovia fique pronta até dezembro de 2023

A obra do Contorno Viário da Grande Florianópolis tem pontos críticos que ainda estão bastante atrasados. A reportagem da NDTV RecordTV percorreu toda a extensão da obra para entender o que falta fazer para que a nova rodovia fique pronta até dezembro de 2023.

Traçado do Contorno Viário, conforme apontado no mapa disponibilizado no site da concessionária – Foto: Divulgação/NDTraçado do Contorno Viário, conforme apontado no mapa disponibilizado no site da concessionária – Foto: Divulgação/ND

Quem passa pela BR-101 não consegue ver o início do Contorno Viário nem pelo lado Norte, nem pelo Sul. Como se trata da maior obra de infraestrutura em andamento no Brasil, a reportagem dividiu os 50 km do projeto em 8 partes para entender o que está dentro do cronograma e o que está atrasado. Já que a obra foi autorizada em 2008 e ainda tem partes que nem começaram.

Segundo o diretor de logística da Fiesc, Egídio Martorano, uma “obra nessa dimensão é considerada uma das maiores obras hoje no Brasil, dentre uma das maiores. É um contingente imenso. A obra tem uma complexidade imensa”.

O primeiro trecho, ao Norte da BR-101, é o que mais recebe críticas do senador Esperidião Amin, que tem feito relatórios frequentes para cobrar agilidade na execução do projeto. Ele diz que a ligação do Contorno com o trecho Norte da BR-101 é uma obra grande, mas que ainda não aparece.

“Não é uma interseção. É um baita aparelho. Tem que transpor a BR-101 para fazer o engate do aparelho na pista sentido Norte”, disse Amin. O senador explicou que a concessionária atrasou o início do trecho Norte por causa da existência de uma aldeia indígena em Canelinha, e que o aterro sanitário de Biguaçu também seria um problema.

De acordo com o senador, “inventou uma história de aldeia indígena. Aldeia de Canelinha. Inventou a história de que poderia haver um acidente com o aterro sanitário. Então, precisava fazer estudos de sustentabilidade”.

Trecho do Contorno Viário entre Biguaçu e Antônio Carlos – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDTrecho do Contorno Viário entre Biguaçu e Antônio Carlos – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

Na última quinta-feira (9), a concessionária afirmou que já contratou a empresa que vai fazer a ligação do Contorno com o trecho Norte da BR-101. O chamado trecho 1, em Biguaçu, vai ligar o Contorno Viário ao Norte da BR-101.

Só a limpeza de toda a área onde por vai passar o Contorno deve levar algumas semanas. O diretor de operações da concessionária da rodovia disse que o problema com o aterro sanitário já foi resolvido e que já receberam as licenças ambientais necessárias.

“Bem no local onde vai estar passando a duplicação, vai acontecer um desmonte de rocha controlado”, informou o diretor de operações Arteris Litoral Sul, Cesar Sass.

Nos trechos 2, 3, 4 e 5, onde ficam os túneis do Contorno Viário, o ritmo das obras está dentro do cronograma. Já o trecho 6 ainda está sendo discutido.

Construção do túnel está em andamento e a obra promete ser entregue em dezembro de 20223 – Foto: Carlos Junior/ArterisConstrução do túnel está em andamento e a obra promete ser entregue em dezembro de 20223 – Foto: Carlos Junior/Arteris

Em Palhoça, o Contorno Viário encontra mais uma dificuldade, a avenida São Cristóvão. O problema é que muitas das famílias que moram na região irão perder o acesso ao outro lado da rodovia.

“Uma coisa típica da interferência de uma baita obra numa comunidade, que tem seus pontos de interesse. A mercearia fica ali e agora tem uma avenida no meio, uma via expressa”, afirmou o senador Amin.

Foi realizada uma reunião na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), em Brasília, que definiu que a Arteris terá que apresentar uma nova solução para o trecho do Contorno Viário que passa pela avenida São Cristóvão. Essa solução será discutida em uma audiência pública em Santa Catarina no fim do mês de janeiro do próximo ano.

Ainda de acordo com o relatório de fiscalização, o ponto 7, que vai ligar o Contorno ao trecho Sul da BR-101 está evoluindo. O projeto teve que ser alterado já que o traçado foi considerado confuso para os motoristas. Por fim, o trecho 8 é o ponto de parada e descanso para os caminhoneiros, que deve ser construído e adaptado no antigo pedágio de Palhoça.

Segundo Amin, “em nome da segurança, é preciso que haja uma área para repouso do motorista. Apesar de ser uma lei federal, você sabe quantos pontos de parada e descanso de motoristas foram instalados em rodovias federais concessionadas ou não no Brasil? Nenhum”.

O caminhoneiro Everson Teixeira percorre a BR-101 entre o Sul do estado e o Litoral Norte e sabe da dificuldade que é encontrar um lugar para descansar. “é quase que uma necessidade, na verdade. Isso aí já era para vir de outros governos investindo nessa parte, porque é muito difícil”, disse.

Ponto onde o pedágio foi inicialmente instalado e que, atualmente, será destinado a construção de um PPD (ponto de parada e descanso) para os caminhoneiros – Foto: Divulgação/NDPonto onde o pedágio foi inicialmente instalado e que, atualmente, será destinado a construção de um PPD (ponto de parada e descanso) para os caminhoneiros – Foto: Divulgação/ND

A concessionária explicou que para fazer um ponto de parada teria que desembolsar mais R$ 48 milhões. “O valor do projeto ficou discrepante com relação ao que nós pedimos. A agência pediu para que a gente revisasse isso”, segundo Sass.

Para a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), a entrega da obra em 2023 é fundamental para dar fluidez ao trânsito de cargas. Mas a solução para o congestionamento na BR-101 na Grande Florianópolis exige mais planejamento.

“Claro, vai aliviar um pouquinho. ainda mais com esses 15 km de terceira faixa. Vai aliviar bastante por um tempo, mas a questão da Grande Florianópolis é uma questão que deve ser resolvida no âmbito da zona metropolitana. Precisamos reunir as três prefeituras e buscar eixos que não levem o trânsito urbano para essa via, que é uma via expressa”, defendeu Martorano.

Confira mais informações na reportagem do ND Notícias.

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