CAU/SC defende que pavimento original do Centro Histórico de Florianópolis seja preservado

O projeto de substituição dos paralelepípedos da região por blocos de concreto gerou polêmica na Capital

A Prefeitura de Florianópolis pretende trocar o pavimento do Centro Histórico da cidade. A justificativa é modernizar o calçamento, que está bastante danificado. Na última semana, nossa equipe conversou com o secretário de Infraestrutura da Capital. Ele afirma que, de acordo com o projeto, alguns paralelepípedos serão mantidos.

Projeto de revitalização do Centro Histórico gerou polêmica – Foto: Leo Munhoz/NDProjeto de revitalização do Centro Histórico gerou polêmica – Foto: Leo Munhoz/ND

“Nós vamos retirar a parte do paralelepípedo que está muito feio, principalmente o que está mais desgastado. Nós vamos retirar e colocar paver, mas parte do paralelepípedo vai ficar. Vamos retirar o asfalto que fica na frente da Catedral, que foi colocado sobre o paralelepípedo e ninguém questionou. (…) A ideia é ajudar a oxigenar o Centro. Fazer com que o turista venha visitar mais o Centro”, explicou o secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Valter Gallina.

No entanto, muitas entidades relacionadas ao patrimônio cultural garantem que a mudança vai descaracterizar o que é herança açoriana. A região ao redor da Praça 15 de Novembro é carregada de história. O Palácio Cruz e Souza, por exemplo, foi sede do governo de Santa Catarina durante muito tempo. Já a Catedral Metropolitana foi o centro de fundação da cidade.

Palácio Cruz e Souza – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo NDPalácio Cruz e Souza – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo ND

É justamente a questão histórica que está gerando a discussão sobre a retirada dos paralelepípedos, que foram colocados ainda no século 19. “Essa técnica de cortar a pedra, cortar o granito e assentar esse granito, colocar ele como leito de rua, como leito de passeio, como leito da organização da urbanização desse espaço original de Florianópolis. Essa técnica tem que ser preservada”, defendeu o historiador Francisco do Vale Pereira.

O CAU/SC (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina), também se posicionou contra a substituição. Segundo a conselheira titular do conselho, Valesca Menezes Marques, “as vantagens técnicas e da parte de manutenção já foram devidamente apresentadas por outros especialistas e nós, os arquitetos urbanistas do CAU/SC, recomendamos que se mantenha, que seja feita uma restauração daquelas ruas com o mesmo material. O granito é muito mais duradouro do que uma placa de concreto de um paver”.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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