Relembre os acontecimentos mais curiosos do alargamento da praia de Balneário Camboriú

Obra de alargamento da Praia Central terminou na última semana depois de mais de dois meses e teve vários "fenômenos" durante a execução

O alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú já terminou e, além de muita curiosidade, a obra trouxe alguns acontecimentos bem diferentes para a orla.

Alargamento da Praia Central teve vários casos curiosos durante a obra – Foto: Reprodução/NDAlargamento da Praia Central teve vários casos curiosos durante a obra – Foto: Reprodução/ND

Tubarões, uma “onda” de conchinhas, bichos esquisitos e até “areia movediça” foram só alguns dos fenômenos que marcaram os cerca de dois meses de obra. Relembre alguns:

Conchinhas

Conchas ‘misteriosas’ aparecem no alargamento da praia de Balneário Camboriú – Foto: Dariane PeresConchas ‘misteriosas’ aparecem no alargamento da praia de Balneário Camboriú – Foto: Dariane Peres

Conchinhas ‘misteriosas’ começaram a aparecer no alargamento da praia de Balneário Camboriú logo do começo da obra, no final de agosto.

Segundo a secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Maria Heloísa Lenzi, essas conchas são chamadas de “detrito biológico”. Ou seja, são “sobras” de animais como moluscos, que descartam suas conchas e caem no fundo do mar. Ela explicou que essas conchas ficam na primeira camada do fundo do mar, justamente de onde a draga “suga” a areia que vai compor a praia.

Tubarões

Tubarão foi flagrado na Barra Sul, em Balneário Camboriú – Vídeo: Reprodução/ND

Não só um, mas dois tubarões foram avistados na Praia Central de Balneário Camboriú durante o alargamento. O primeiro apareceu no dia 16 de setembro e foi avistado perto do molhe da Barra Sul.

A brincadeira de que o animal também ficou curioso para ver como estava ficando o alargamento da Praia Central pode não ser tão brincadeira assim. É que, segundo o curador do Museu Oceanógrafo da Univali, professor Jules Soto, esse é um dos motivos que pode ter trazido o tubarão para tão perto da terra firme.

Ele afirma que essa espécie de animal costuma ficar no fundo do mar se alimentando de pequenos peixes. Com a obra de alargamento, uma draga foi colocada para “sugar” a areia de uma jazida e trazer até a praia. Com isso, o fundo do mar, onde as presas do tubarão ficavam, agora estão na praia.

Movido pela alimentação, esse tubarão-martelo juvenil, segundo o professor, veio até a Barra Sul atrás dos peixes, e parece ter encontrado.

O segundo flagrante de tubarão na praia foi feito por um surfista, Pita Tavares, que contou que o bicho bateu com o rabo nas costas dele.

“A fita foi a seguinte, o tubarão passou por mim, bateu na minha perna e sumiu, até então eu não tinha percebido que se tratava de um tubarão. Logo depois ele voltou de frente para mim, na minha direção e passou do meu ladinho. O rabo dele bateu nas minhas costas e foi embora”, contou.

Pita conversou com um biólogo que explicou que o tubarão é de uma espécie pequena, que não costuma atacar. “Ele disse que é um tubarão que não morde nem ataca, por isso ele só imbicou em mim e não chegou a me morder. Mas é um tubarão, né cara?! Não estou acostumado a ver isso. O cara se caga todo”, disse.

O susto fez o surfista questionar se continuaria pegando ondas. “Estou apavorado. Pensei até em parar de surfar. Eu estou bem assustado mesmo. Não foi brincadeira. Não sei explicar, uma coisa que nunca vi em 30 anos aqui, nunca vi nada disso”, desabafou.

Bicho misterioso

Animal encontrado em praia de Balneário Camboriú é uma espécie de minhoca – Foto: Reprodução/NDAnimal encontrado em praia de Balneário Camboriú é uma espécie de minhoca – Foto: Reprodução/ND

Um visitante da praia flagrou um bicho misterioso na areia da Praia Central e procurou o ND+ para tentar identificar o animal.

Adriano Marenzi, professor de oceanografia da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), identificou o animal estranho como um sipunculo, que pertence a um grupo colocado junto com os Anelídeos (minhocas e afins). Seu nome é do latim sipúnculos (pequeno sifão) que é este “biquinho” do bicho.

Marenzi explica que o animal é de pequeno porte e raramente ultrapassa 10cm. “O corpo é basicamente em um tronco muscular, recoberto por uma casca, daí são conhecidos como verme amendoim, eu particularmente não vejo amendoim algum”, brinca o professor.

Ele continua: “este bico é uma tromba (introverte retrátil) com a boca na sua extremidade, qual possui tentáculos e ganchos para raspagem de alimentos e fixação do animal ao substrato e comem de tudo, animais menores, algas e matéria morta”, destaca Marenzi.

Ainda de acordo com o biólogo, o número total de sipunculos descritos são aproximadamente 300 espécies, sendo que para o litoral brasileiro são 40 espécies e nas regiões Sul e Sudeste do Brasil ocorrem 27 espécies, além de espécies novas que ainda não foram formalmente descritas para ciência.

Os sipunculos habitam principalmente em águas salgadas, rasas e regiões entre-marés, enterrados em sedimentos como areia e lama e alguns podem perfurar substratos mais duros, como rochas e corais, ou até viver em estruturas de origem antrópica como cais e cascos ou até dentro de osso.

“Pelo hábito de ficar dentro do sedimento infauna, assim como os corruptos, os crustáceos que retiram da areia como isca. Esta espécie não tem olhos ou outros órgãos de percepção evidente”, explica Marenzi.

Areia movediça?

A equipe responsável pela obra levou um grande susto quando uma das máquinas usadas no alargamento começou a afundar, como se estivesse sobre “areia movediça”.

O que aconteceu foi que se formaram “bolhas” no chão, e quando a máquina passou por cima, acabou afundando, conforme a explicação da prefeitura. Para evitar problemas maiores, trabalham dois tipos de máquinas: uma menor, como a que atolou, e uma escavadeira maior, que além de acelerar o trabalho, consegue “puxar” as máquinas quando afundarem.

O operador da máquina não se feriu e o trabalho continua normalmente. A obra na Barra Sul deve ser concluída ainda nesta sexta, e promete devolver a praia e o sol a esta área da Praia Central.

MOMENTO EM QUE O MAQUINARIO AFUNDOU NA AREIA DAS OBRAS

MOMENTO EM QUE O MAQUINARIO AFUNDOU NA AREIA DAS OBRAS

Posted by Balneário Camboriú minha cidade on Thursday, September 16, 2021

A máquina não foi o único caso. Na reta final da obra, três banhistas também acabaram afundando quando passeavam na orla. Em um dos casos, até o quadriciclo do guarda-vidas chegou a ficar preso na areia.

A secretária executiva, Rosa de Fátima Viegas, de 59 anos, lembra com risadas os momentos de “sufoco” que passou na manhã da última terça-feira (26) na praia Central de Balneário Camboriú. Ela e outra mulher ficaram presas na nova areia do alargamento da praia, nas proximidades da Praça Almirante Tamandaré.

Um pouco antes de ficar “atolada” na areia com a outra mulher, a moradora da Barra Norte, em Balneário Camboriú, diz que já havia ficado com os pés presos na areia, mas foi orientada a seguir caminhando pelo local. Com receio de afundar novamente, a mulher começou a retornar para a calçada. No caminho, a secretária ouviu pedidos de ajuda. “Moça me ajuda. Me ajuda!”, relata.

Ao chegar próximo para verificar o que estava acontecendo, Rosa diz que encontrou uma mulher caída e com a cabeça quase que coberta pela areia. Mas ao tentar ajudar, começou a afundar também.

Rosa afirma que tentou manter a tranquilidade e acalmar a outra mulher que pedia por ajuda. Quando o guarda-vidas chegou para socorrer, a mulher tentou alertar o oficial para não se aproximar, pois sabia que ele também iria afundar na areia.

“Parecia que eu estava cimentada na areia, eu não conseguia mexer”, afirma. Depois dos momentos de desespero, Rosa diz que o ocorrido serviu de “lição” para que outras pessoas tomem cuidado ao caminharem no local.

Vídeo mostra mulheres sendo resgatadas – Vídeo: Reprodução/ND

A sensação de “areia movediça” acontece porque a areia transportada pela draga Galileo Galilei vem misturada com água, causando uma lama, de acordo com Toni Frainer, engenheiro e um dos fiscais municipais da obra. O processo é natural e dura de um a dois dias para que o solo fique firme novamente.

Por isso o Corpo de Bombeiros alerta para que a população respeite a sinalização do local, “tanto das condições do mar quanto da situação transitória das obras de alargamento da faixa de areia”, afirma o Capitão Jacson, do 13º Batalhão do Corpo de Bombeiros.

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