Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Se vai ter marina, por que já não iniciam a quarta ponte?

Projeto da quarta ponte apresentado pelo governo do Estado em 2011 liga a avenida Beira-mar Norte à Via Expressa Continental – Foto: Divulgação/ND

Já que vai ter marina na avenida Beira-mar Norte, poderiam aproveitar o embalo para construírem a quarta ligação Ilha-Continente, partindo dali até o Balneário do Estreito ou Jardim Atlântico ou mesmo Barreiros.

Há quem ache exagero. Por mim, iria até Biguaçu, com acessos em bairros da Capital e de São José.

O fluxo já exige há anos; a demanda de trânsito, naturalmente, é crescer; e, com um equipamento turístico deste porte para embarcações, imaginem como será se locomover naquela área.

Mais uma ponte? Se querem que sejamos grandes, pensem em soluções grandes – e implantem o transporte marítimo de uma vez.

Sobre o faraonismo da obra, lembremos que a ponte Rio-Niterói, inaugurada no longínquo 1974, tem 13.290 metros de extensão, mais de 10 vezes que a nossa maior, a Pedro Ivo Campos, de 1.252 metros.

Há outras possibilidades de conectar o território insular ao continental por meio de pontes, tanto pelo Norte quanto pelo Sul da Ilha, sem necessidade de passar pela área central de Florianópolis.

Evidentemente, é tudo devaneio sem base em estudos geográficos, ambientais e, principalmente, orçamentário. Perguntem aos chineses como eles fazem.

Velha Senhora

“A sugestão (…) para construírem a quarta ligação Ilha-Continente me parece plena de bons propósitos. Não obstante, recomendaria que o articulista destinasse uma hora do dia para observar o abandono a que está relegada a tão esperada terceira ligação – ponte Hercílio Luz. Vazia e totalmente inútil ao trânsito; destina-se a reduzido número de veículos, não justificando o tempo e a fortuna nela investida, muito menos pela inocuidade da proposta, até que se encontre, finalmente, uma justificativa para uso de a terceira ligação”.

A mensagem acima, enviada pelo leitor Daltro Halla, referindo-se obviamente à primeira ligação, e não à terceira, que voltou a ser alternativa de travessia entre as baías, e, a partir de hoje (14), reabre a carros particulares, me instiga a dizer: mesmo se estivesse com uso indistinto de veículos, a Hercílio Luz não desafogaria na medida necessária, o trânsito atual, menos ainda o do futuro.

E se uma quarta ponte for construída por ali, até ficar pronta, já terá capacidade defasada. Falta é se antecipar aos problemas.

Ponte Hercílio Luz foi reinaugurada no dia 30 de dezembro de 2019 – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Pode não ter o uso desejado como muitos queriam, mas a Velha Senhora não está abandonada.

A reforma, enfim, acabou, e a Hercílio Luz foi devolvida à população. Aliás, nunca vi tanta gente feliz como no dia 30 de dezembro de 2019, pelo simples fato de atravessá-la a pé.

A ponte é um patrimônio dos catarinenses, monumento quase centenário a ser preservado, mesmo sem trânsito sobre ela.

Ainda gosto da ideia de um parque suspenso, que poderia ter até trilho para bondinho. Quem sabe, no futuro, quando e se houver uma quarta ponte.

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Marcos Cardoso