Sem data para voltar, transporte coletivo da Capital contabiliza prejuízo milionário

Mesmo sem perspectiva de retorno, Secretaria Municipal de Transportes e Mobilidade já trabalha para implantar normas que possam ser aplicadas na retomada do serviço

Sem hora para voltar a funcionar, o sistema municipal de transporte coletivo vive os piores dias de sua história. A próxima sexta-feira (17) marca 30 dias de paralisação dos serviços como uma das formas de evitar a disseminação do novo coronavírus, e um prejuízo de mais de R$ 15 milhões, com quase a totalidade da frota parada, uma vez que alguns ônibus estão sendo utilizados para transportar profissionais de saúde. Apesar de não haver perspectiva para o retorno, a Secretaria Municipal de Transportes e Mobilidade já trabalha para implantar normas que possam ser aplicadas na retomada do serviço, ainda sem data.

Ticen (Terminal de Integração do Centro) vazio em Florianópolis – Foto: Eduardo Cristofoli/RICTVTicen (Terminal de Integração do Centro) vazio em Florianópolis – Foto: Eduardo Cristofoli/RICTV

O secretário municipal de Transportes e Mobilidade Michel Mittmann reconhece que o setor do transporte coletivo é um dos mais afetados da esfera pública, pois há toda uma estrutura que precisa ser gerida, a partir de uma concessão, que faz investimentos, e está com mão de obra parada. Por outro lado existe a questão sanitária e de saúde pública. “Por isso estamos planejando esse retorno com muito critério para que seja um instrumento de controle e não de contaminação”, reforça Mittmann.

Nesse sentido, a Prefeitura de Florianópolis trabalha com dois eixos: um de controle sanitário e higienização e outro econômico e de planejamento. Segundo Mittmann, no primeiro eixo, o objetivo é criar protocolos sanitários de controle, analisar outros casos mundiais e avaliar a situação junto ao governo do Estado e autoridade da Saúde. Algumas diretrizes e recomendações serão determinadas. “A obrigação do uso de máscaras é uma tendência forte. Outra preocupação são os horário de pico. Alternativas estão sendo sugeridas, com um processo gradual de horários, para diminuir o número de pessoas em determinados horários e reduzir a pressão sobre os terminais”, explica Mittmann

Outra preocupação é garantir uma imagem de segurança para o transporte coletivo municipal, que já vinha se modernizando com ações como o aplicativo Floripa no Ponto e a instalação de câmeras para evitar furtos e vandalismo, e tinha ganho um novo fôlego com medidas que incentivavam o uso do modal, como a manutenção da tarifa. “Estávamos caminhando para o melhor ano do transporte coletivo, com um crescimento de 7% até o início da pandemia em março, em relação ao ano passado”, lamenta Mittmann.

No eixo econômico e de planejamento, a preocupação com o baixo movimento dos primeiros dias de retomada, que eventualmente poderá impactar na tarifa. Mas o secretário garante a busca por ações de desoneração a médio prazo para que esse custo não seja repassado para a tarifa. “A cada 15 dias parado representa um prejuízo global do sistema de R$ 7,7 milhões, o que já representa um custo de 0,01 centavo na tarifa. O usuário vai ter que entender que teremos que fazer a recomposição para manter o equilíbrio (financeiro da concessão)”, explica.

Funcionários em férias coletivas

Os mais de dois mil funcionários do sistema de transporte coletivo municipal estão em férias coletivas que devem durar até 18 de abril. O Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano), que representa a categoria, se pronunciou sobre as últimas decisões do governo, que estendem  a paralisação do transporte coletivo pelo menos até o dia 31 de abril, e definiu a situação como “extrema e delicada”.

Ao lado de Shoppings, academias e escolas, o transporte coletivo é um dos últimos itens da lista de flexibilização discutida por um grupo multi setorial formado pelo governo do Estado. Não coincidentemente, comércio e escolas respondem pela maioria das viagens do transporte coletivo municipal. O Sintraturb negociou com a prefeitura de Florianópolis e o Consórcio Fênix para evitar demissões.

O plano de saúde foi mantido, o vale alimentação foi pago e os salários parcelados. A entidade pretendia promover a festa do trabalhador no próximo dia 1º de maio, mas já decidiu reverter o custo do evento (R$ 100 mil) para compra de cestas básicas que serão repassadas aos trabalhadores mais necessitados. As inscrições para recebimento das cestas básicas começam a ser feitas nesta segunda-feira (13).

Um ônibus também está estacionado no posto da PMRv (Polícia Militar Rodoviária Estadual) na SC-401 para recolher alimentos que serão repassados para funcionários das empresas. No acordo feito com o Sintraturb, a Prefeitura de Florianópolis tenta honrar os subsídios e efetuou o repasse no início do mês para manter o sistema.

O Consórcio Fênix foi procurado através da assessoria de imprensa mas não se manifestou sobre a situação do transporte público coletivo da Capital. A concessionária se limitou a afirmar que os todos os empregos foram mantidos e foi realizado o parcelamento de parte dos salários dos trabalhadores. Mediante acordo com o Sintraturb, as empresas estão cumprindo o acordado, restando saldo dos salários ainda a ser pagos.

O Consórcio Fênix conta com aproximadamente 2.750 colaboradores diretos e indiretos, 8.900 partidas diárias e 5,5 milhões de passageiros transportados por mês. A frota possui 458 ônibus convencionais, 82 veículos executivos e 184 linhas, somando em média três milhões de quilômetros rodados a cada 30 dias.

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