Sombra e areia escura: as polêmicas da obra da Praia Central de Balneário Camboriú

Obra de alargamento da Praia Central levantou polêmicas, boatos e gerou curiosidade em moradores

A obra grandiosa de alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú gerou muita curiosidade e polêmicas entre moradores e até em quem nem mora na cidade. O alargamento virou assunto da internet. A obra, que começou em agosto e foi concluída em outubro, será inaugurada neste sábado (4), com a abertura oficial da temporada de verão.

Sombra e areia escura: as polêmicas da obra da Praia Central de Balneário Camboriú – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/DivulgaçãoSombra e areia escura: as polêmicas da obra da Praia Central de Balneário Camboriú – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação

Uma das maiores polêmicas da praia é o boato de que “o mar busca o que é dele“. Segundo a secretária de Meio Ambiente, Maria Heloísa Lenzi, o “mito” pode sim ter um fundo de verdade. Nos próximos séculos, sim, o nível do mar deve subir e tomar o que, hoje, é terra. “Portanto, um dia, ‘o mar poderá vir buscar o que é dele’ e isso pode incluir sua casa, mas você precisará viver algumas centenas de anos para ver”, brinca.

O que existe e pode acontecer mais próximo de nós é a sedimentação, causada pelo constante movimento do mar. A parte da praia que está sendo alargada e deve ficar submersa, se estendendo por cerca de 350 metros para dentro do mar.

Praia antes do alargamento, com cerca de 25 metros de largura – Foto: Arquivo/Bruno Golembiewski/NDPraia antes do alargamento, com cerca de 25 metros de largura – Foto: Arquivo/Bruno Golembiewski/ND

Toda essa extensão submersa da praia é necessária para manter a parte emersa (a parte de fora) na largura projetada. Como a colocação de areia é feita de forma mecânica, utilizando a draga e o maquinário em terra, há um limite até onde essa areia poderá ser empurrada para dentro do mar. O trabalho de espalhar o restante da areia para a parte submersa da praia é do mar e dos ventos. “É a natureza trabalhando por nós”, afirma.

No Brasil, um dos exemplos mais famosos de alargamento de praia é a de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 1971. Além disso, há pouco tempo, Canasvieiras, em Florianópolis, também foi alargada.

Primeiras descargas da nova areia mostraram diferença da coloração – Foto: Ivan Rupp/Secom BCPrimeiras descargas da nova areia mostraram diferença da coloração – Foto: Ivan Rupp/Secom BC

Areia preta?

Quando a obra começou, a tonalidade da areia também chamou atenção de quem passava pela praia. Afinal, a areia iria mesmo clarear? E isso seria a tempo da próxima temporada de verão? A secretária de Maria Heloisa Lenzi explicou do que depende o processo.

Para clarear temos que considerar alguns fatores tais como as condições climáticas, pois ela vem misturada com água e consequentemente mais escura. Além disso, a movimentação do maquinário acaba por compactar a areia devido a saturação do solo com excesso de água, formando uma lama”, explica Heloisa.

Quem passar pela praia já vai ver a areia bem mais clara do que no começo do alargamento, já que ela já secou. A tendência é que a areia fique cada vez clara e uniforme, do mesmo jeito que era antes da obra.

Praia Central, mesmo depois de alargada, continuou sombreada – Foto: Salve Brava/ReproduçãoPraia Central, mesmo depois de alargada, continuou sombreada – Foto: Salve Brava/Reprodução

Sombra dos prédios

Mesmo após a obra, a sombra causada pelos prédios na Praia Central de Balneário Camboriú continua presente. Depois das 16h, a faixa de areia é tomada pela sombra dos arranha-céus.

No entanto, alargamento da Praia Central não tinha o objetivo de devolver o sol à praia. Mesmo assim, com o final da obra, o assunto voltou à tona. A Associação Comunitária dos Moradores da Praia Brava, a Salve Brava, compartilhou registros da praia já alargada e ainda sombreada.

Segundo o prefeito Fabrício de Oliveira (Podemos), apesar da expectativa, impedir o sombreamento nunca foi o objetivo central da obra. “Quando se iniciou os primeiros estudos havia essa expectativa de uma parte da população. No entanto, o objetivo da obra é a reestruturação costeira para evitar os eventos mais extremos quando as marés astronômicas de sizígia combinadas com ventos e ciclones extra-tropicais geram eventos de forte erosão costeira”, explicou.

Conforme explica a secretária de Meio Ambiente, a recuperação da costa é o principal intuito da obra.

“Com mais espaço na praia, será possível reconstruir a orla da praia que, em conjunto com a vegetação de restinga que será plantada, vão auxiliar para que estes eventos extremos tenham menor impacto na infraestrutura”, destaca.

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