Terminal Rodoviário Rita Maria: estudo apontará detalhes da concessão à iniciativa privada

SC Par e secretaria estadual de Infraestrutura e Mobilidade estão fazendo levantamento visando assinatura do contrato para o ano de 2021

Movimento é intenso no Terminal Rita Maria no retorno das férias escolares. Foto: Flávio Tin/NDMovimento é intenso no Terminal Rita Maria no retorno das férias escolares. Foto: Flávio Tin/ND

Projetado em 1976 pelos arquitetos uruguaios Enrique Hugo Brena e Yamandu Carlevaro para ser um marco da arquitetura de Florianópolis, o Terminal Rodoviário Rita Maria está prestes a escrever um novo capítulo na sua história. A pedido da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Mobilidade, a SC Par começou a estudar a viabilidade técnico-financeira de concessão para a iniciativa privada do direito de exploração e administração do espaço por um longo período.

Localizada no coração da área central, com uma área total 15,7 mil metros quadrados, o Terminal Rodoviário Rita Maria tem um custo mensal R$ 500 mil aos cofres do governo do Estado. A administração estava sob responsabilidade do Deter, órgão que foi absorvido pela secretaria estadual de Infraestrutura com a reforma administrativa do governo Carlos Moisés (PSL), e a determinação é enxugar gastos para aplicar mais recursos em áreas básicas, como saúde e educação.

“Às vezes o governo tem dificuldades para quitar dívidas da saúde e educação e não pode perder tempo com ativos que iniciativa privada faz melhor”, explica o secretário-executivo das PPPs (Parceria Público Privada) da SC Par, Ramiro Zinder. Os estudos para viabilizar a concessão já foram iniciados, inclusive com uma visita técnica dos engenheiros da secretaria de Infraestrutura e Mobilidade, para verificar os principais pontos do Terminal que necessitam de reformas.

A visita técnica já levantou a necessidade de realização de duas reformas: uma elétrica e outra hidrossanitária. Agora, discute-se se as reformas serão bancadas pelo governo do Estado antes da concessão ou se serão embutidas no futuro contrato de concessão. “O que for urgente, o governo vai fazer. O que não for urgente ou se pode esperar, será por conta da parceria”, relata Zinder.

Um levantamento de projetos de engenharia que existem ou estão engavetados também faz parte do estudo dos técnicos. “Já levantamos alguns números, como o fluxo de pessoas que passam pelo local todos os dias, e uma planilha de custos e receitas do terminal”, informa Zinder.

Segundo piso do Terminal Rodoviário é mal aproveitado. Foto: Flávio Tin/NDSegundo piso do Terminal Rodoviário é mal aproveitado. Foto: Flávio Tin/ND

Os estudos também deverão apontar o preço do metro quadrado na área central como forma de verificar o quanto a futura concessionária poderá lucrar com a locação de espaços no segundo piso, que atualmente conta apenas com um restaurante além das salas da administração do Terminal Rodoviário.

“Queremos buscar o mesmo conceito que é utilizado pelos aeroportos. A pessoa não pode apenas utilizar o Terminal para embarcar e desembarcar. A ideia é de que passará a ser um local de entretenimento também”, explica.

Além da locação dos espaços para lojas, a concessão prevê retorno financeiro com exploração de publicidade, quiosques, estacionamento (540 vagas) e até guarda-volumes. Ainda em fase de pesquisa, com levantamento de dados e informações, o estudo deverá ser bem detalhado, uma vez que os contratos de concessão são longos.

Foto: Flávio Tin/NDFoto: Flávio Tin/ND

“Tem que ter um planejamento muito bem feito e não pode dar erro, uma vez que o período da concessão terá que passar por cinco governos”, justifica Zinder, citando como o exemplo os 20 anos de concessão do Centro de Eventos de Balneário Camboriú. Se tudo correr dentro do esperado, o contrato de concessão deverá ser assinado em 2021.

Em edições anteriores, o ND já destacou a necessidade da transferência do Terminal Rodoviário para iniciativa privada para que a estrutura seja melhor aproveitada, assim como a transferência do equipamento para outro local como forma de melhorar a mobilidade urbana da Grande Florianópolis.

Frequentadores apoiam concessão

Quem vive diariamente o Terminal Rodoviário Rita Maria apoia a disposição do governo do Estado de transferir o equipamento para exploração da iniciativa privada. “Abandonada”, “elefante branco” e  “ociosa” são algumas das palavras que servem para definir o sentimento atual sobre o terminal.

Há 10 anos no Terminal Rodoviário, o comerciante Élio Maurício espera por dias melhores no balcão da Revistaria Rita Maria. “A ideia é excelente e eu concordo com ela. A própria administração em si pode melhorar. Hoje temos um problema sério aqui de segurança”, relata Maurício, que vendeu a própria casa para investir na banca de revistas.

Há 31 anos no ponto do Terminal Rodoviário, o taxista Luciano Silva também apoia a ideia. “Se for para melhorar, tudo bem. Antigamente, aqui tinham 42 lojas e bastante movimento”, relembra, ao saber que a proposta de concessão inclui a viabilização de lojas no segundo andar.

Passageiros apenas aguardam o horário da viagem sem ter o que fazer no Terminal. Foto: Flavio Tin/NDPassageiros apenas aguardam o horário da viagem sem ter o que fazer no Terminal. Foto: Flavio Tin/ND

Proprietário do Empório Rita Maria, no segundo piso do Terminal Rodoviário, Patrick da Rosa, também enxerga “com bons olhos” a proposta de concessão para a iniciativa privada. “Falta dinheiro e a administração do Terminal está de mãos atadas para resolver pequenos problemas, como a troca de lâmpadas queimadas e o elevador”, explica.

O eletrotécnico Marcelo Souza ainda lembra quando frequentava o Terminal Rodoviário nas sextas-feiras e sábado à noite. “A Rodoviária já foi melhor. É uma estrutura enorme muito mal utilizada. A iniciativa privada pode melhorar. Piorar não tem como”, analisa Souza, que aguardou o embarque da filha por uma hora e meia no saguão pela absoluta falta do que fazer enquanto esperava o ônibus chegar.

O encarregado da empresa de transportes JBL, Mário Kuchar, também relembra os bons momentos do Terminal Rodoviário. “As lojas atraiam muita gente que deixava para comprar aqui os presentes de Dia das Mães e de Natal. Hoje, a rodoviária está meio abandonada, então acho que é uma boa”, avalia.

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