Transporte coletivo: usuários da Grande Florianópolis relatam lotação e falta de horários

Mesmo com a retomada das atividades comerciais, muitas linhas ainda não voltaram a circular normalmente na região

Um terminal vazio. É assim que quem depende do transporte coletivo da Grande Florianópolis encontra o Ticen aos sábados. Em feriados e domingos, a situação é ainda pior. Algumas linhas nem operam nessas datas. Um problema para o trabalhador, que não consegue voltar para casa ou sequer chegar ao trabalho.

Usuários da Grande Florianópolis relatam lotação e falta de horários – Foto: Leo Munhoz/NDUsuários da Grande Florianópolis relatam lotação e falta de horários – Foto: Leo Munhoz/ND

O zelador Ueliton Souza Santos é morador do bairro Forquilhinhas, em São José, e chegou a registrar o ônibus lotado. Segundo ele, num dos poucos horários que passam pelo local em direção à Florianópolis, essa situação é comum.

Segundo o zelador, “das 6h30 até as 8h aqui é complicado, porque além de o bairro Forquilhinhas não ter horários de ônibus nos horários de pico, a gente fica dependendo dos ônibus que vêm dos outros bairros. Tem ônibus que não tem cobrador. Eles demitiram os cobradores e o que acontece, nos horários de pico, o motorista é cobrador e motorista. Enche o ônibus de uma maneira que superlota. só que a pandemia não acabou ainda”.

Para a auxiliar de serviços gerais Elineria Santos, a situação é ainda pior. Mesmo depois da retomada total das atividades comerciais, das aulas e de toda a rotina da região, os ônibus não voltaram totalmente. Por conta da falta de horários, o filho mais novo vai perder o emprego e a filha mais velha tem dificuldade na hora de voltar da faculdade.

“Prejudica a gente financeiramente, porque já estão todos moços e a gente precisa do transporte para ir trabalhar, para ir para a escola. [Meu filho] arrumou um serviço das 14h até 23h30 e é tarde, não tem mais [ônibus]. O último é 23h15. Há dois anos, tinha um 0h05”, contou Elineria.

Neri dos Santos é professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e diretor da Floripamanhã. Ele acredita que a situação tem explicação: “Nós tínhamos um órgão que era responsável pela administração de todo o transporte coletivo intermunicipal, o Deter (Departamento de Transporte de Terminais). Esse órgão foi extinto no atual governo e a responsabilidade passou a ser da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura do Estado. Essa secretaria tem outras preocupações, muito mais importantes para ela, que é toda a parte das rodovias estaduais.”

Por nota, o Setuf (Sindicato de Empresas de Transporte Urbano de Passageiros) afirmou que segue colaborando com estudos de demanda e operação das linhas intermunicipais, realizados pelo governo estadual.

A pasta responsável nessa esfera, é a SIE (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade), que também se manifestou apenas por nota. Conforme a secretaria, um grupo de trabalho foi formado para junto com as empresas mapear a demanda e a possibilidade de oferta.

A SIE disse também que os horários já eram irregulares antes mesmo da pandemia, e que a assinatura de um termo junto ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) deve regularizar a prestação de serviço até dezembro.

Para Neri, “as empresas estão concorrendo entre elas mesmas e, consequentemente, com o número de usuários que tá cada vez menor, a coisa mais importante que o atual governo deveria fazer é voltar a superintendência da região metropolitana de Florianópolis. Isso é urgente”.

A reportagem do Balanço Geral Florianópolis questionou também, de forma individual, as empresas que prestam o serviço nos municípios da região.

Segundo o gerente operacional da Santa Terezinha, que realiza o transporte na região de São Pedro de Alcântara, Douglas Vieira, a empresa opera atualmente “com 70% da frota que operava antes da pandemia e hoje transporta aproximadamente quatro mil passageiros por dia”. “Toda essa previsão é feita com base nos dados dos passageiros que transportamos. Esses dados são estatísticos, a gente vai acompanhando eles semanalmente para que haja uma evolução na oferta de ônibus de acordo com a necessidade”.

Já o representante do Coletivo Estrela, que atua na região de São José, afirmou que a empresa segue atualizando o quadro de horários. “Todas as regiões que a empresa Estrela atendia em 2019, ela já atende hoje. (…) Mas eu concordo que está existindo algumas reclamações e até vou explicar o principal motivo. Com a pandemia, a gente tá reaprendendo a trabalhar o transporte. A gente sabia exatamente a demanda que iria ocorrer. Agora, todo dia a gente sofre uma surpresa. Então, nós estamos adaptando diariamente a demanda”, disse o diretor da empresa, Gildo Formento.

As demais empresas se manifestaram por nota. A Jotur informou que a população “se acostumou” a andar com o transporte coletivo reduzido, o que pode ter mudado a percepção quanto à lotação do veículo. A empresa disse ainda que atualmente está com 93 carros para transportar 28 mil passageiros e que vem aumentando sistematicamente os horários, conforme demanda.

A empresa Biguaçu Transportes afirmou que desde o ano passado tem buscado entender quais linhas e itinerários demandam maior atenção, que sua avaliação do quadro é diária e que desde janeiro de 2021 já reativou mais de 530 horários. Mas não informou novos acréscimos na frota.

Já a Auto Viação Imperatriz, não respondeu os questionamentos do telejornal.

Na teoria, as respostas existem, mas são bastante vagas e preocupam a população. Enquanto as demandas são analisadas e acordos se perdem na burocracia, pouco é feito e na previsão de itinerários, nada muda.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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