Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.


O papel das redes sociais na publicação da falsa felicidade

Enquanto alguns usam as ferramentas de comunicação para atividades produtivas, os infelizes se aproveitam para esconder sua dor e vazio interior

Nos momentos difíceis por que passamos na vida, mais e mais as pessoas buscam artificialmente fantasias para si mesmas. Fazem trapaças para si mesmas e passam as trapaças para os “amigos”, para os seguidores, para os parvos, enfim.

Celular mostrando logo do InstagramO papel das redes sociais na publicação da falsa felicidade – Foto: Reprodução/Agência Brasil

Esquecem, todavia, que quando enganamos os outros, somos os primeiros enganados. Sabemos que estamos trapaceando. E uma trapaça nunca faz bem, o sujeito pode ser o pior dos bandidos, mas no fundo no fundo ele sabe que é um bandido.

Ontem eu lia um texto sobre comunicação. Um texto que tratava das redes sociais. E desde um primeiro momento dessas redes, as pessoas pensaram em tapear as outras.

Todas as plataformas, todas as exposições, postagens, o nome que for, têm como objetivo um só: mentir, enganar os outros, passar uma mensagem enganosa sobre falsa felicidade e riquezas.

Todo sujeito, ele ou ela, que posta imagens de restaurantes, roupas recém-compradas, sapatos, carros, o que for, está se exibindo para esconder sua vida vazia.

Uma tentativa de “ser alguém” mentindo para as pessoas. Pessoas que, de igual modo, também mentem. Ninguém conta que o SPC lhe anda batendo à porta, que a mulher o abandonou por falta de educação dele e fugiu com um primo…

Ninguém conta de suas “pequenas” desonestidades diárias. Ou você já viu nas redes sociais exibicionismos dos educados bilionários brasileiros? Nem sabe quem são.

Os caras são discretos, querem distância da gentinha ruidosa das redes sociais, mas tudo isso tem uma razão “inconsciente” para os ruidosos. É a vontade de parecer feliz.

Americanos já pesquisaram sobre isso. Descobriram o paradoxo de muita gente, maioria, de preferir parecer ser feliz do que ser feliz. Há loucura maior?

As pessoas escamoteiam suas encrencas com a vida, suas infelicidades, mentindo sobre suas falsas felicidades. Chegam ao ponto de preferir parecer felizes do que ser felizes. É a insanidade pandêmica dos dias de hoje.

Não creio que as coisas possam melhorar sem que tenhamos a indispensável revolução cultural, a revolução dos costumes, a que começa na cozinha das famílias.

Claro, já comprei um banquinho com pelego para esperar sentado por essa revolução… Pensando bem, estamos muito mais perto, bem mais, da “outra” revolução. “Eles” sabem disso…

Falsos

Não lhe digo o nome… Um marqueteiro político disse numa entrevista que “Em todo cartaz político (de campanha), aumentamos as pupilas no computador para dar uma sensação de energia e de que o candidato está emocionalmente envolvido…” Que baita armação!

Bom, um conhecido meu já morreu de amores por uma candidata mulher, parecia uma jovenzinha nas fotos de campanha, e era uma idosa… Enganam antes de eleitos, imagine depois.

Falta dizer

A notícia vem de lá. Americanos estão preocupados com “Alto custo da pandemia para a saúde mental dos jovens”. E aqui não é diferente, nosso bravo Ministério Público/SC criou até cartilha para evitar surtos de encrencas mentais com o retorno às aulas presenciais.

Se os pais educassem os filhos, lhes puxassem as rédeas, nada dessa preocupação existiria. Pais de “cio” e jovens dengosos, mal-educados e avessos aos livros. Só isso.