‘Errei ao desligar os microfones’, diz depoente no 7° dia de julgamento da Boate Kiss

Venâncio da Silva Anschau teve falta de ar após sair da boate; depoente é o 21° a se apresentar ao júri da Boate Kiss

O julgamento do incêndio da Boate Kiss entrou em seu sétimo dia com o depoimento do ex-técnico de sonorização Venâncio da Silva Anschau. Ele reconheceu que “errou ao desligar os microfones no momento do início do incêndio”, na fatídica madrugada de 27 de janeiro de 2013.

Venâncio da Silva Anschau foi o depoente do julgamento nesta terça-feira (7) – Foto: Juliano Verardi/TJRS/Divulgação/NDVenâncio da Silva Anschau foi o depoente do julgamento nesta terça-feira (7) – Foto: Juliano Verardi/TJRS/Divulgação/ND

Segundo o UOL, o depoente chorou diversas vezes durante a fala. Ele contou que estava ao lado do DJ e que não viu as chamas. “A forma como eu vi: a banda está tocando, eu estava concentrado na tela, estava programando um efeito para a próxima música, de cabeça baixa, e a banda para de tocar”, começa.

“Eu reviso o equipamento e não há nada de anormal com o equipamento. Alguém sobe no palco, tem extintor, e eu fecho o áudio na banda, não tinha visão do que estava acontecendo. Eu não tenho dimensão, não imagino o que esteja acontecendo e eu desligo os microfones”.

Ele finalizou falando que desabilitou o áudio. “Errei. (…) Quando o rapaz sobe ao palco, eu corto o áudio”. Atualmente Venâncio é servidor público, e foi a 21° pessoa a prestar depoimento no julgamento. Anschau disse que estava próximo às portas da casa noturna e que saiu facilmente.

“Estava a três metros, cinco metros [da porta], não demorei cinco minutos para sair”. Após o incêndio ele não procurou atendimento médico, porque disse não querer deixar sua esposa grávida de 40 semanas sozinha, mas conta que sentia falta de ar desde a saída.

Logo depois, veio a internação

O depoente contou que, apesar de relutar, ficou internado por cinco dias. “Fui internado no dia subsequente à prisão dos quatro [réus], e eu não queria ir para o hospital, eu não tive queimaduras, fui internado por exposição à fumaça”.

“No dia em que eu fui levar minha esposa [para o parto], ela entra no centro obstétrico e eu vou para a emergência”, contou. Ele procurou também atendimento psicológico no Hospital Universitário de Santa Maria.

Entretanto, ao se identificar como técnico de áudio da banda, um dos sobreviventes perguntou o que ele estava fazendo ali. “Eu levantei e fui embora”, relatou. “Eu nunca conversei com ninguém [sobre o que aconteceu na Kiss], nem com minha família eu falava sobre a tragédia.”

O julgamento

Quatro réus estão sendo julgados por 242 homicídios simples e por 636 tentativas de assassinato. Esses são os números totais da tragédia que chocou Santa Maria e todo o Brasil. O júri é atualmente considerado como o maior da história do Judiciário gaúcho.

+

Justiça Brasileira

Loading...