Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Rodrigo Constantino: “Chacais insaciáveis”

"A coisa mais fácil do mundo é retirar uma frase de contexto e, com isso, lançar uma campanha de destruição de um indivíduo", escreve o colunista

Fui alvo de uma intensa campanha difamatória e tentativa de assassinato de reputação, que já me rendeu a demissão de grandes veículos de comunicação. Aproveito, antes de mais nada, para elogiar a postura independente e corajosa deste jornal, que não cedeu à pressão dos chacais.

A coisa mais fácil do mundo é retirar uma frase de contexto e, com isso, lançar uma campanha de destruição de um indivíduo. Se a frase em si é infeliz ou não, dá margem a dúvidas ou não, isso é o menos importante aqui. O relevante é mostrar como estamos numa cultura de “cancelamento” que nos remete a uma distopia totalitária, que faria Torquemada e seus inquisidores parecerem aprendizes de escoteiro.

Como funciona a tática: pega algo que foi dito, tira do contexto, deturpa e espalha; usa a militância para tornar a coisa viral e marcar os veículos empregadores, pedindo a cabeça do desafeto; faça a pressão em cima dos anunciantes também; esses, querendo fugir da polêmica, pedem a demissão do novo “pária”; as empresas não resistem e cedem. Pronto: o
fascismo venceu.

Ninguém está livre desses abutres. Quando a deputada Tabata Amaral foi “cancelada”, ela escreveu artigo na Folha falando que o gol era do outro lado, e Luciano Huck aplaudiu. A esquerda não liga para a tática fascista, desde que o alvo seja só a direita. Mas quem tem princípios condena o método em si.

Não se negocia com fascistas: enfrenta-se essa corja com coragem, cabeça erguida e determinação. Ainda mais quando sabemos, no meu caso, que o papo todo sobre “apologia ao estupro” era só um pretexto ridículo para me atingir, sendo o verdadeiro motivo minha visão política, que incomoda bastante a esquerda.

Entendo o dilema das empresas: ninguém quer uma horda espalhando que você emprega um “monstro”, e para se livrar da polêmica, muitas jogam a toalha. Mas como dizia Burke, tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam. Esses “gigantes adormecidos” falam em nome de uma minúscula minoria, intimidam, usam táticas fascistas e tentam manter as empresas reféns de suas chantagens. Ceder é alimentar o monstro.

Quem acha que dando um pouco de sangue aos chacais será deixado em paz não entendeu ainda o modus operandi deles. São insaciáveis! A ousadia só aumenta quando percebem que a tática funcionou. É preciso resistir. Até porque somos a maioria silenciosa – e nem mais tão silenciosa assim. Volto a Burke para fechar:

“Porque meia dúzia de gafanhotos sob uma samambaia faz o campo tinir com seu inoportuno zumbido, ao passo que milhares de cabeças de gado repousando à sombra do carvalho inglês ruminam em silêncio, por favor, não vá imaginar que aqueles que fazem barulho são os únicos habitantes do campo; ou que logicamente são maiores em número; ou, ainda, que signifiquem mais do que um pequeno grupo de insetos efêmeros, secos, magros, saltitantes, espalhafatosos e inoportunos”.