Segundo testemunha, banda usou fogos de artifício em show uma semana antes do incêndio na Kiss

Stenio Rodrigues Fernandes disse ter afastado pessoas de perto do palco em show quando viu chuviscos de fogos perto de onde estavam

Empresário e ex-funcionário da boate Kiss, Stenio Rodrigues Fernandes conta que viu a banda Gurizada Fandangueira usando fogos de artifícios em show, uma semana antes do incêndio na boate Kiss, e chegou a afastar amigos do palco. O depoimento aconteceu nesta segunda-feira (6).

testemunha que afirmou ter visto a banda usar fogos de artifício antes do incêndio na KissStenio Rodrigues Fernandes viu fogos de artifícios sendo usados pela banda uma semana antes do incêndio na Kiss – Foto: Reprodução/ Internet

“Uma semana antes, no Centro de Eventos da Universidade Federal, presenciei e afastei os promoters do palco em uma situação. A gente se reuniu na frente do palco, eles estavam utilizando fogos. Estava chuviscando perto de onde a gente estava. Eu afastei algumas pessoas”.

Stenio reforça que não viu quem acendeu, apenas notou que as chamas pareciam estar na caixa de som alta. “Não prestei atenção se estava nas mão”. Ao Juiz Orlando Faccini Neto, ele também disse que nunca viu artefatos pirotécnicos sendo usados dentro da boate Kiss pela banda.

Na época funcionário da boate, a testemunha estava durante a tarde do dia 27 na boate, disse ter feito os “acertos” dos ingressos e saiu por volta da meia noite. Após ter feito as vendas, ele disse ter ido viajar para Caçapava do Sul, município do Rio Grande do Sul, com um amigo.

“Eu tinha um bloco de Carnaval e uma agência de comunicação. Ele [amigo] insistiu muito até que me convenceu e eu fiz o acerto dos ingressos, peguei ele de carro e fomos para Caçapava”, disse Stenio.

“Se eu tivesse lá, eu teria lembrado dessa experiência negativa e teria, sim, alertado alguém. Me recordo de algumas meninas que afastei”. Stenio acrescenta que não tinha contato com os membros da banda: “Se eu tivesse, com certeza teria avisado”.

A boate

A testemunha organizou diversos eventos em Santa Maria. Segundo ele, as velas usadas no champangne eram comuns na época, e ainda são utilizadas em eventos.

Embora tenha presenciado algumas brigas, a testemunha diz que a infraestrutura da boate era “a melhor” da cidade. .

Segundo ele, a casa oferecia vários ritmos musicais e, por este motivo, tinha grande circulação de pessoas, com alguns deixando a boate. “O sertanejo era o mais esperado, mas tinha o rock, então existe o giro”.

Cadeira de réus

O julgamento avaliará o caso de quatro réus e ex-sócios da boate: Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, além dos músicos Luciano Bonilha e Marcelo de Jesus dos Santos. Eles respondem pela morte de 242 pessoas no incêndio ocorrido em 2013.

O julgamento começou na manhã da quarta-feira (1°) , quando o incêndio ocorrido em Santa Maria (RS) completa quase nove anos. O Júri acontece no Foro Central I de Porto Alegre.

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Justiça Brasileira

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