Sobrinho de um dos sócios da Boate Kiss diz que teve “medo de ir aos velórios”

Willian Renato Machado foi ouvido nesta segunda-feira, durante o sexto dia de julgamento da Boate Kiss; incêndio matou 242 pessoas em janeiro de 2013

No sexto dia de julgamentos da Boate Kiss, Willian Renato Machado, sobrinho de um dos donos da boate, foi ouvido pelo júri. O homem de 27 anos contou que ele e sua mãe tiveram medo de ir aos velórios das vítimas do incêndio da boate. William estava na área VIP quando o fogo começou.

Willian Renato Machado deu seu depoimento nesta segunda-feira (6) – Foto: TJRS/Divulgação/NDWillian Renato Machado deu seu depoimento nesta segunda-feira (6) – Foto: TJRS/Divulgação/ND

Ele auxiliava na divulgação das festas. “Não teve como [ir aos velórios]. A gente até tinha vontade, minha mãe principalmente, porque tinha contato muito próximo com os funcionários, mas é uma situação que não tinha como”, contou.

Ele explicou as ausências dizendo que “a gente não sabia qual seria a reação das pessoas. A gente preferiu evitar por alguma represália. A gente tinha medo do que poderia acontecer”. No dia da tragédia que matou 242 pessoas, William conta que chegou à boate já de madrugada.

“Na primeira música tocada pela Gurizada Fandangueira, não houve uso de fogos de artifício. Porém, na segunda canção, foram acionados os artefatos, que estavam no chão, na lateral do palco”, depôs.

“Nisso já nos causou uma surpresa. Eu vi o Marcelo [de Jesus dos Santos, um dos réus] se abaixando e voltando com uma luva com um artefato na mão. Eu não me lembro se foi aceso antes ou se veio aceso do chão. Nisso ele levantou a mão para cima, começou a pular e já começou uma fagulha iniciando no teto”, descreveu.

William conseguiu escapar da tragédia

Após notar as centelhas de fogo, William contou que se dirigiu para a saída da casa noturna. Ele afirma que viu o tio e o sócio, Elissandro Spohr, gritando para as pessoas saírem. “Eu demorei segundos para sair. O meu maior obstáculo foi um táxi [estacionado na frente da boate].”

Já fora da boate, ele viu seu tio “carregando uma pessoa”. O jovem ajudou, e depois foi para sua casa. No dia seguinte, precisou de atendimento médico e foi hospitalizado por dois dias. No depoimento, se recusou a ver o vídeo que registrou o início das chamas na Kiss.

“Tem necessidade doutor, o senhor acha? Eu não gostaria de ver isso. O senhor se importaria?”, perguntou o sobrevivente. O juiz questionou a recusa, e o mesmo disse que se dava pela “sensação. Por mais que eu seja sobrinho do Kiko, eu tenho um sentimento muito grande referente a isso”.

Julgamento demorou nove anos para ocorrer

O julgamento sobre os motivos para o incêndio da Boate Kiss, que causou a morte de 242 pessoas e deixou outras 636 feridas, acontece quase nove anos depois da tragédia. O acidente aconteceu durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira.

Quatro réus são julgados por 242 homicídios simples e por 636 tentativas de assassinato. Por conta do seu tempo de duração e de sua estrutura, o júri é o maior da história do Judiciário gaúcho. No momento, o julgamento está em seu sexto dia.

*Com informações do Portal UOL.

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