Luis Ernesto Lacombe

Opinião contundente sobre o cenário político brasileiro. Escreve todas as sextas-feiras


TSE, o tribunal de incoerências

Não sei quem teve a ideia de fazer de alguém que errou tão feio numa previsão um garoto propaganda da “verdade”

Definitivamente, vivemos num mundo de equívocos, contradições, incoerências. É nele que o Tribunal Superior Eleitoral lança uma campanha contra as “fake news” estrelada pelo biólogo Atila Iamarino, que previu um milhão de brasileiros mortos pela Covid-19 até agosto. E, num cenário mais assustador, até três milhões de mortes…

O TSE é o tribunal da incoerência – Foto: José Cruz/Agência Brasil/ND

Não sei quem teve a ideia de fazer de alguém que errou tão feio numa previsão um garoto propaganda da “verdade”. Talvez tenha sido a mesma pessoa que escalou Dráuzio Varella para a campanha de convocação de mesários para as eleições municipais. O médico, inicialmente, disse que: “De cada cem pessoas que pegam o vírus, 80, 90 têm um resfriadinho de nada”. E acrescentou: “A mortalidade acima dos 80 anos aumenta sozinha, não precisa de vírus nenhum para ajudar”. Tempos depois, com o avanço do vírus chinês, talvez falando de si mesmo, afirmou: “Quem minimiza essa situação é irresponsável”.

Encontramos incoerência também na decisão do TSE de tirar a identificação por biometria das eleições deste ano, como medida de prevenção à Covid-19. Não vamos usar o dedo para pressionar as teclas da urna eletrônica? Não vamos usar caneta para assinar a lista de votação? Não entregaremos nosso documento, título de eleitor, identidade, aos mesários?

Nas próximas eleições, mais uma vez, cada partido terá entre seus candidatos 30% de mulheres. É lei. O Estado acha que é papel dele aumentar a participação das mulheres na política. Seguindo nessa linha, como coerência, precisa também pensar numa maneira de levar os homens a ocupar funções majoritariamente ocupadas por mulheres, como acontece nas áreas de nutrição, fisioterapia, enfermagem, assistência social…

O TSE também quer que haja mais negros na política. Por isso, a partir de 2022, os partidos terão que destinar de forma proporcional o dinheiro do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral às campanhas de candidatos negros. A divisão do tempo do horário eleitoral gratuito também será proporcional, conforme a cor da pele. O atual presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, acha que negros não são eleitos em maior número porque faltam a eles recursos e espaço para a propaganda… E seguimos divididos por um “tribunal racial”.

Não é de hoje que o TSE comete equívocos. Acho até delicado tratar assim, por exemplo, a absolvição da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer da acusação de abuso de poder político e econômico na campanha de 2014. Os dois foram absolvidos, por excesso de provas contra eles.

O que assusta mais é imaginar que o Tribunal Superior Eleitoral, sendo coerente com seus equívocos, possa ainda cassar a chapa Bolsonaro/Mourão, por abuso de poder econômico na campanha de 2018, a mais barata da história.