Vítima de SC relata abusos sofridos por gamer Raulzito, preso em Florianópolis

Preso no dia 27 de julho, o influenciador Raulino de Oliveira Maciel, foi indiciado por estupro de menores. Ao menos sete novas pessoas relataram abusos

Preso no dia 27 de julho em Florianópolis, o gamer Raulino de Oliveira Maciel, conhecido como Raulzito, foi indiciado por estupro de menores. Após sua prisão, ao menos sete novas vítimas foram encontradas, sendo uma delas de Tubarão. Em relato, L., morador do município catarinense, conta que tinha apenas 11 anos quando os abusos começaram.

Vítima de Raulzito revelou detalhes sobre abuso – Foto: Internet/Divulgação/NDVítima de Raulzito revelou detalhes sobre abuso – Foto: Internet/Divulgação/ND

Em reportagem ao portal O Dia, L. conta como conheceu o abusador, e afirma que, assim como as outras crianças, foi atraído por Raulzito pelos jogos de vídeo game.

“Quando eu tinha meus 11 anos de idade, eu conheci ele quando ele trabalhava em uma loja de informática aqui em Tubarão, Santa Catarina”, relata. “Eu o conheci por conta de uma gincana que tivemos no Colégio (….), onde tínhamos que pegar adesivos de lojas, e eu fui na loja dele”, explica.

“Ele sempre foi cheio de crianças perto dele e, como tinha outras, eu me senti seguro, e ele sempre teve videogames de última geração e, eu como sempre gostei disso, me sentia atraído”, disse.

Em seguida, a vítima explica que o gamer conquistava famílias e ganhava a confiança dos pais. “Ele, então, foi se adentrando a conhecer a minha família, se tornou amigo da família e, coincidentemente, ele morava do lado do meu prédio, onde então teve dias que eu fui dormir na casa dele, mas nos primeiros momentos, mesmo dormindo na mesma cama, ele não tentava nada”, relata.

“E, para falar sobre minha aparência, como eu li nas notícias, eu tinha o mesmo estilo dos garotos, tinha 11 anos, caucasiano, cabelo comprido”, continua.

“O Raul, então, foi em excursão do Beto Carrero com minha família, ganhou total confiança deles, onde teve até mesmo um rumor aqui na cidade que ele fazia coisas com as crianças, mas como nunca tinha feito nada comigo, eu falava para minha mãe que ele nunca tinha feito nada”, afirma.

Quando os abusos começaram

L. relembra quando os abusos começaram. “Porém, com o tempo, lembro como se tivesse acontecido hoje, quando estávamos deitados para dormir, ele começava a passar a mão em mim, me masturbava, e ficava roçando o pênis dele em mim, de conchinha digamos assim”, lembra.

“E eu, com medo, porque eu tinha dado a certeza que ele não fazia, não falava isso pra ninguém. E isso começou a ir cada vez mais fundo, e eu não conseguia fugir disso, não conseguia simplesmente me desprender disso, ele chegou a me penetrar e tudo isso, começou numa época que eu estava desesperado, e eu só consegui me livrar disso em 2005 para 2006, quando eu estava com 12, fazendo 13 anos”, conta.

Os abusos tiveram fim após dois anos. “Quando minha mãe passou num concurso público como assistente de educação, e fomos morar em outra cidade, e eu finalmente consegui me livrar desse inferno, porém minha mente decidiu apagar isso, e eu comecei a fumar na época, beber, me drogava às vezes, pra tentar esquecer disso”, disse L.

Como os abusos afetaram a vítima

“Quando tinha 20 anos, eu comecei com traços suicidas, fui internado numa clínica psiquiátrica (…), e foi a primeira vez que eu falei disso para alguém, meu psiquiatra, e consegui contar para minha mãe”, conta.

L. explica que hoje consegue falar sobre o assunto, mas nunca quis denunciar devido à exposição e trauma por relembrar toda situação.

“Passei por várias sessões de terapia, hoje consigo falar sobre isso por conta delas, mas eu nunca quis denunciar, pois além de não querer me expor, eu não queria reviver aquilo sabe”, explica.

“Afinal sou diagnosticado com  Borderline, por conta do abuso que desencadeou o transtorno, porém quando eu vi na notícia, quando eu vi as fotos dele com muitas crianças, eu meio que me transportei pra lá de novo, e eu senti que eu precisava fazer a minha parte”, afirma.

Apesar de não registrar queixa, L. entrou em contato com a Dcav (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima) e se colocou à disposição para ajudar como testemunha no caso.

“Mais que qualquer pessoa sei o que essas crianças passaram, e o inferno desse trauma vai ser pra vida delas. Me sinto um pouco culpado talvez, porque se eu tivesse falado antes, não teria acontecido com elas, mas estou aqui, disposto a fazer qualquer coisa para haver justiça”, ressalta.

“Hoje tenho problema de relação com as pessoas, tenho um transtorno por conta disso tudo, e não desejo isso para ninguém”, finaliza.

*Com informações do portal O Dia.

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