Após 20 anos de prisão, fundadora do Exército Vermelho Japonês é solta

Acredita-se que ela comandou o ataque de 1972 com metralhadora e granadas ao aeroporto Lod de Tel Aviv, que deixou 26 mortos e 80 feridos

Fusako Shigenobu, fundadora do Exército Vermelho Japonês, foi libertada da prisão neste sábado (noite de sexta, 27, no Brasil) após completar uma pena de 20 anos pela tomada de uma embaixada em 1974.

Shigenobu, atualmente com 76 anos, era conhecida nas décadas de 1970 e 1980, quando seu grupo de extrema esquerda realizava ataques em todo o mundo em apoio à causa palestina. Ela deixou a prisão em Tóquio em um carro preto com sua filha, enquanto vários simpatizantes exibiam um cartaz que dizia “Te amamos, Fusako”.

Ex-funcionária de uma empresa de molho shoyu que virou militante foi detida no Japão em 2000 e sentenciada a 20 anos de prisão – Foto: Pixabay/Divulgação/NDEx-funcionária de uma empresa de molho shoyu que virou militante foi detida no Japão em 2000 e sentenciada a 20 anos de prisão – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

“Peço perdão pela inconveniência que minha prisão causou a muita gente”, declarou Shigenobu a jornalistas após sua libertação. “Foi há meio século (…), mas causamos prejuízos a pessoas inocentes que eram desconhecidas para nós”, acrescentou.

Acredita-se que ela comandou o ataque de 1972 com metralhadora e granadas ao aeroporto Lod de Tel Aviv, que deixou 26 mortos e 80 feridos. A ex-funcionária de uma empresa de molho shoyu que virou militante foi detida no Japão em 2000 e sentenciada a 20 anos de prisão por seu papel na tomada da embaixada francesa na Holanda.

Ela viveu como fugitiva no Oriente Médio por cerca de 30 anos, até reaparecer no Japão com sua prisão. A filha de Shigenobu com um membro da FPLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina), May, nasceu em 1973.

A ativista se declarou inocente no caso da tomada da embaixada, em que morreram três membros do Exército Vermelho, após o grupo manter o embaixador e outros 10 funcionários como reféns por 100 horas. Dois policiais foram gravemente feridos.

O episódio terminou quando a França soltou um guerrilheiro do Exército Vermelho, que voou para a Síria junto com os militantes que participaram da operação. Shigenobu não participou diretamente do ataque, mas o tribunal considerou que ela coordenou a ato com o FPLP.

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