Áudio mostra que Robinho tentou impedir conversa de vítima com amigo no Facebook

Conversa do jogador com amigo foi anexada ao processo que levou a sua condenação na Itália por estupro coletivo

Um dos amigos do atacante Robinho conversou com a mulher, que acusa o atacante brasileiro de estupro, pelo Facebook. O ato preocupou o jogador, segundo a transcrição de um áudio anexado ao processo que levou a sua condenação, na Itália. As informações são do UOL Esporte.

Jogador foi condenado emsegunda instância na última quinta-feira – Foto: Rafael Ribeiro/CBF/divulgação/NDJogador foi condenado emsegunda instância na última quinta-feira – Foto: Rafael Ribeiro/CBF/divulgação/ND

Robinho e o amigo Ricardo Falco foram condenados em segunda instância na última quinta-feira (10) a nove anos de prisão por estupro coletivo. O crime teria acontecido em 2013, em uma boate em Milão, na Itália. Na época o atacante atuava pelo Milan.

A defesa do jogador afirmou que irá recorrer à terceira e última instância. O jogador chegou a ser anunciado pelo Santos, que voltou atrás e suspendeu o contrato após a repercussão negativa da contratação do atleta. Robinho segue no Brasil onde aguarda a resolução do caso em liberdade.

Um ano após os acontecimentos na boate, o ex-jogador do Santos telefonou a um dos amigos que estavam no Brasil e relatou que a vítima havia descoberto o nome de todos os envolvidos no ato. Ela teria então passado informações à polícia, que tentava interroga-los.

A conversa foi gravada com autorização judicial. A reportagem omite o nome dos companheiros de Robinho que não estão sendo processados pela Justiça Italiana.

Veja os trechos da conversa:

Robinho: “Agora a questão é o seguinte, mané. A questão é que o [amigo 2] ficou trocando maior ideia com a mina, a mina foi pelo Facebook pegou todo mundo, pegou tu, eu falei: ‘Como que a mina sabe, como que o cara sabia o nome de vocês?’

Amigo 1: “Que isso cara, então alguém que deu, e foi o [amigo 2].”

Robinho: “É, eu quero falar com o [amigo 2], mano, pro [amigo 2] sacar bagulho de Facebook porque os caras estão investigando e não é brincadeira, não.”

A transcrição da conversa foi anexada ao processo pela defesa de Robinho, que alegou erros de tradução da língua portuguesa para a italiana. No documento, consta a transcrição do áudio original e uma tradução para italiano, feita pelo tradutor Adriano Lellis Gaiotto.

Conversa pelas redes sociais

Apenas um dia após os atos na boate, a mulher, que comemorava o aniversário de 23 anos, passou a conversar com ao menos dois amigos do jogador pelo Facebook.

Os amigos tentavam convencer a vítima de que a relação havia sido consensual, embora ela afirmasse que estava muito alcoolizada para dar consentimento.

Conversa pelo Facebook preocupou jogador – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/NDConversa pelo Facebook preocupou jogador – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Através de tecnologias de geolocalização, a polícia descobriu que, enquanto conversava com a vítima, um dos amigos estava na rua em que Robinho morava na Itália. Quando as investigações chegaram mais perto de si, Robinho se mostrou irritado com o bate-papo.

Robinho: “Eu falei ‘Cara! Se esse bagulho sair na imprensa vai me f***’, aí, resumindo, falou que perguntou de você, falou que tinha seu nome, seu telefone, porque o [amigo 2] ficou falando com a mina pelo telef… pelo Facebook mano…”

O jogador tentou entrar em contato com o amigo para que ele parasse de conversar com a vítima.

Amigo 1: “Mas, mas, Neguinho, […] ainda falei pro [amigo 2] ‘mano, esquece isso aí’, quer ficar batendo papo.

Robinho: “Exato. Mas então eu quero tentar falar com ele, mas eu não consigo falar com ele, eu preciso […]”

Em outro trecho, Robinho diz acreditar que seu nome só foi envolvido após a vítima conversar com os amigos do jogador pela internet, já que ela não teria conhecimento sobre quem era ele. No entanto, ela afirmou à Justiça que já conhecia o atacante, pessoalmente, desde antes do encontro na boate.

Robinho: “Mano, o [amigo 2] deu maior mole de ficar querendo resenha com a mina, de ficar de ideinha, de pá, por causa do Facebook a mina pegou todo mundo, porque até então a mina só ia falar que conhece o Jairo [músico que tocou na boate] e o Ricardo, porque ela não conhece ninguém, ela não me conhece, meu telefone ela não tem.”

Conversas levaram a condenação

A polícia, o Ministério Público e a Justiça consideraram “auto incriminatórias” as conversas gravadas entre Robinho e seus amigos.

Ao lado do depoimento da vítima e de testemunhas presentes na boate, as transcrições, traduzidas para o italiano, foram as principais provas produzidas pelas investigações.

O jogador brasileiro e seus advogados argumentam que as falas foram tiradas do contexto ou mal traduzidas. Ele sustenta que recebeu apenas sexo oral de maneira consensual, que não fez sexo com penetração, portanto, não teria praticado o estupro.

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Justiça Internacional

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