Após repercussão de caso Mariana Ferrer, mulheres protestam em frente ao STF

Ato aconteceu após divulgação do vídeo da audiência que absolveu André de Camargo Aranha da acusação de estupro; São Paulo também teve protestos na noite desta quarta-feira

Um ato de repúdio ao desfecho do caso da influenciadora digital Mariana Ferrer, que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro, reuniu dezenas de mulheres em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quarta-feira (4).

Advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho (à esquerda acima), juiz Rudson Marcos (à direita acima), promotor Thiago Carriço de Oliveira (à esquerda abaixo), defensor público (à direita abaixo) e Mariana Ferrer Advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho (à esquerda acima), juiz Rudson Marcos (à direita acima), promotor Thiago Carriço de Oliveira (à esquerda abaixo), defensor público (à direita abaixo) e Mariana Ferrer – Foto: Reprodução/ND

A manifestação teve cartazes de apoio à jovem, de 23 anos, após a audiência em que foi dada a sentença do processo ter sido alvo de críticas pela atuações do advogado de defesa de Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, do juiz Rudson Marcos e do promotor Thiago Carriço de Oliveira.

A seccional catarinense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu esclarecimentos ao advogado Cláudio Gastão, que defende o empresário, e que chegou a dizer que Mariana tem como “ganha-pão” promover a “desgraça dos outros”. A atuação do juiz Rudson Marcos, responsável pelo caso, também é alvo de procedimento disciplinar no Conselho Nacional de Justiça.

A corregedoria do Ministério Público também pediu a íntegra do vídeo da audiência para analisar a postura do promotor Thiago Carriço de Oliveira durante o processo.

Nas redes sociais, vários artistas e personalidades se manifestaram sobre a absolvição de Aranha. As hashtags #justicaparamariferrer e #naoexisteestuproculposo ficaram entre as mais compartilhadas nas redes sociais desde a terça-feira, quando o site The Intercept Brasil divulgou imagens da audiência, em que o promotor responsável pelo caso, Thiago Carriço, apontou que não teria havido “dolo” na ação de Aranha, ou seja, a “intenção de estuprar”.

Dentro desse contexto e com base em uma doutrina do Direito, Carriço defendeu o fator de não haver dolo na hipótese da ocorrência de “erro do tipo criminal”.

Protestos em São Paulo

Um grupo de mulheres realizou um ato na noite desta quarta-feira (4/11), em frente ao Masp (Museu de arte de São Paulo), na avenida Paulista, em São Paulo, também para para protestar contra a absolvição do empresário André Aranha.

Durante a manifestação, elas fizeram uma performance inspirada na música feminista chilena “O estuprador é você”, que foi reproduzida em manifestações em diversas cidades do mundo no ano passado.

Segundo Victória Ferraro, uma das organizadoras do protesto, estão previstos vários atos pelo Brasil contra a cultura do estupro e pedindo justiça por Mariana Ferrer.

Um faixa "justiça p/ Mari Ferrer" com mulheres segurandoProtestos em São Paulo pedindo justiça no caso Mariana Ferrer – Foto: Divulgação

“Mas também achamos que seria muito importante que, logo após o caso, nós tivéssemos alguma iniciativa na rua para demonstrar a indignação das feministas diante do que a Justiça de Santa Catarina fez e para fortalecer os atos dos finais de semana. [Queremos] mostrar que as feministas estão indignadas com o que aconteceu e não vamos sair da rua enquanto tivermos injustiças e casos como o da Mari Ferrer”, afirmou.

O promotor responsável pelo caso, Thiago Carriço de Oliveira, apontou que não teria havido “dolo” na ação de Aranha, ou seja, a “intenção de estuprar”.

Dentro desse contexto e com base em uma doutrina do Direito, Carriço defendeu o fator de não haver dolo na hipótese da ocorrência de “erro do tipo criminal”.

Com informações de Ana Saito, do Metrópoles.

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