Arcebispo de Florianópolis recebe pedido de beatificação de Marcelo Câmara

Solicitação será entregue no domingo (25), durante missa campal em frente à Catedral Metropolitana

O arcebispo de Florianópolis, dom Wilson Tadeu Jönck, receberá no próximo domingo (25) o pedido de abertura do processo de beatificação de Marcelo Henrique Câmara, promotor de Justiça morto há dez anos, vítima de leucemia aos 28 anos. Marcelo nasceu e viveu em Florianópolis e se dedicou ao trabalho missionário para jovens, dentro da Igreja Católica. Por conta da conduta em vida, dedicada a sua vocação, além de diversos relatos de graças concedidas através de sua intercessão, acredita-se que ele possa ser beatificado.

Pedido de beatificação de Marcelo Câmara - Marco Santiago/ND
Pedido de beatificação de Marcelo Câmara – Marco Santiago/ND

O libelo será entregue ao arcebispo durante a festa da padroeira do Estado, Santa Catarina de Alexandria, domingo (25), às 16h, no Largo São João Paulo 2º, em frente à Catedral, quando será celebrada uma missa. O postulador da causa, que levará o pedido de abertura do processo, é o padre Vitor Galdino Feller, vigário geral e conselheiro espiritual da Associação Marcelo Câmara. O sacerdote contará com o auxílio de Maria Zoê Bellani Lyra Espindola, como vice-postuladora da causa. Maria Zoê é autora do livro “No caminho da santidade: a vida de Marcelo Câmara, um promotor de Justiça”, lançado em Florianópolis em março deste ano.

O ato marca o início formal de um processo que só termina após tramitar no Vaticano. De acordo com Maria Zoê, o processo tem duas fases. A primeira acontece na Arquidiocese de Florianópolis, depois em Roma. “Estamos dando o primeiro passo para começar a oficializar o processo. Essa é uma petição inicial (como acontece em processos judiciais comuns) na qual se relata a vida de virtudes, a fama de santidade que teve em vida e as notícias de graças alcançadas que teriam sido intercedidas por Marcelo”, explica.

Na Arquidiocese, o tribunal eclesiástico vai ouvir as pessoas/testemunhas, analisar documentos que retratam a vida de Marcelo, o que escreveu, ações e atitudes. Quando isso for finalizado, o processo será encaminhado para Roma, onde será avaliado e, se for o caso, concedida uma declaração de que a pessoa teve uma vida de virtudes. “Se durante esse processo houver notícia de um milagre (uma cura que não pode ser explicada pela ciência e que tiver comprovação suficiente com exames, laudos médicos, etc) pode acontecer a beatificação. Mas para a canonização precisa de um segundo milagre”, detalha Maria Zoê.

A autora da biografia foi colega de Marcelo Câmara durante a graduação e o mestrado em direito na UFSC e é uma das fundadoras da associação que leva o nome dele. “Ele era um jovem diferente. Tinha um equilíbrio interior e irradiava uma paz impressionante. Acho que ele foi um instrumento para que eu tivesse uma mudança de vida no sentido de buscar a amizade de Deus e me tornar uma pessoa melhor, já que antes de conhecê-lo eu não achava isso importante”, diz.

Escritora Maria Zoê - Marco Santiago/ND
Escritora Maria Zoê – Marco Santiago/ND

Maria Zoê afirma que ainda não há um milagre comprovado, o que apressaria a beatificação e canonização de Marcelo. “Algumas graças são relatadas no livro, e temos laudos médicos dando conta de curas sem explicação, porém continuamos investigando outros casos e a comprovação de um milagre para anexar ao processo”, conta.

Ela lembra que é raro, mas não impossível, que uma pessoa de vida tão curta se torne santa. Citou o caso da jovem italiana Chiara Luce Padano, que morreu aos 19 anos, após lutar durante dois anos contra um tumor ósseo, e dedicou sua vida a Jesus. Chiara foi beatificada pela Igreja Católica em 2010, após um processo que durou 11 anos.

Quem foi Marcelo

Nascido em 28 de junho de 1979, em Florianópolis, Marcelo Henrique Câmara amadureceu muito cedo com a separação dos pais, quando tinha 10 anos. Dedicou-se aos estudos e tornou-se mestre em direito e promotor de Justiça.

Descobriu sua vocação no começo da vida universitária, quando participou de um retiro espiritual do Movimento de Emaús (comunidades missionárias para jovens), convertendo-se ao Evangelho. Nos anos seguintes se dedicou a trabalhar com os jovens do movimento e na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Ingleses, no Norte da Ilha.

A vida de Marcelo sempre esteve muito ligada aos movimentos religiosos, ao mesmo tempo em que se destacava nos estudos. Formado em direito em 2001, fez o mestrado e deu aulas em três instituições de ensino da Capital, incluindo a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Em 2004, descobriu um linfoma linfoblástico (Linfoma não-Hodgkin), mas três anos depois ainda fez um concurso no Ministério Público de Santa Catarina, no qual passou em quinto lugar. Atuou como promotor de Justiça por cerca de 90 dias, até ser internado em estado grave em fevereiro de 2008. Morreu no dia 20 de março.

Por ter enfrentado com muita serenidade o longo processo de luta pela vida, transformou-se em fonte de esperança e fé para as pessoas que o procuravam. Desde então, a fama de santidade do jovem começou a ficar mais conhecida. A família de Marcelo – mãe, pai e irmão – continua residindo no bairro Ingleses.

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