Caso Mariana Ferrer: absolvição de empresário repercute nas redes sociais

A hashtag #JustiçaporMariFerrer se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta quinta-feira; internautas também direcionaram críticas ao TJSC

A sentença publicada nesta quarta-feira (9) em que o juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, absolve o empresário paulista André Aranha, denunciado por estupro no caso Mariana Ferrer, gerou revolta nas redes sociais e foi um dos assuntos mais comentados do país nesta quinta-feira (10).

O assunto ‘Mariana Ferrer’, assim como a hashtag #justiçapormariferrer, somaram mais de 100 mil tweets até o início da tarde desta quinta. A hashtag também ganhou força nos comentários da página vinculada ao TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) nas redes sociais.

Empresário acusado de estuprar blogueira em beach club de Jurerê Internacional foi absolvido em sentença divulgada nesta quarta-feira (9) – Foto: Reprodução/ Instagram

A assessoria de imprensa do Poder Judiciário afirmou que o órgão ainda não pretende se manifestar sobre o tema, uma vez que “se trata de processo em segredo de Justiça e que pode chegar ao TJSC em breve para análise de eventual recurso”.

Nos posts, os apoiadores da modelo se manifestaram com indignação ao resultado da sentença.

“Têm videos, mensagens de textos, mensagens de áudios e testes de DNA que comprovam que Mari Ferrer foi sim estuprada. Mas nesse país a vida da mulher não é tão importante assim, né? Quando seremos protegidas de verdade?”, comentou uma internauta no perfil do TJSC no Instagram.

No Twitter, ativistas também lamentaram a decisão judicial.

AMC sai em defesa do magistrado

A AMC (Associação dos Magistrados Catarinenses) se posicionou publicamente sobre as reações causadas pela sentença proferida pela 3ª Vara Criminal de Florianópolis e defendeu a postura do magistrado juiz Rudson Marcos.

Para a associação, a sentença foi “amplamente fundamentada pelo magistrado” e foi feita com “base nas provas produzidas nos autos”. “Eventual descontentamento com decisão judicial deve ser apresentado na forma legal, por meio dos recursos cabíveis que estão à disposição da vítima e de seus representantes legais”, afirmou por meio de nota.

A AMC também informou que eventuais ameaças ou ofensas ao magistrado serão apuradas.

Defesa alega versão “fantasiosa” dos fatos

A defesa do empresário André de Camargo Aranha, liderada pelo advogado criminalista Claudio Gastão da Rosa Filho, comemorou o resultado da sentença.

De acordo com os argumentos de Gastão Filho, “todos os depoimentos foram favoráveis a ele. Até mesmo amigas da blogueira, arroladas entre quase 10 testemunhas mulheres, desmentiram sua versão fantasiosa dos fatos.”

“Ela fala em estupro na internet, mas em juízo disse não se lembrar do que ocorreu”, continua o advogado.

Sobre o material genético de André Aranha encontrado no corpo de Mariana Ferrer, conforme revelou o inquérito policial, Gastão Filho afirma que “é verdade, eles estiveram juntos, portanto, não surpreende que tenha sido encontrado material genético. Porém, não houve estupro. Esse é o ponto principal”, alegou a defesa dele.

Relembre o caso

O caso veio à tona quando Mariana Ferrer tornou pública a denúncia de estupro que havia feito à polícia em 16 de dezembro de 2018, um dia após o episódio. A intenção, segunda ela, foi a de dar celeridade na investigação que já se arrastava por cinco meses. 

A jovem que trabalhava naquela noite como embaixadora do beach club Café de La Musique, conta que acredita ter sido dopada antes de ter sido estuprada. Ela era virgem até então e o exame pericial comprovou rompimento do hímen. Os resquícios na roupa dela também comprovaram o fato.

“Não é nada fácil ter que vir aqui relatar isso. Minha virgindade foi roubada de mim junto com meus sonhos. Fui dopada e estuprada por um estranho em um beach club dito seguro e bem conceituado da cidade”, relatou à época.

Em maio de 2019, o empresário foi indiciado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável, com base em provas testemunhais e periciais, confronto de material genético e contradições em depoimentos.

A polícia constatou que o fato ocorreu no interior do Café de La Musique, em 15 de dezembro de 2018, e que a vítima não tinha discernimento para a prática do ato.

O empresário André de Camargo Aranha negou em depoimento que tivesse tido contato físico com a moça. Ele também se negou a disponibilizar material para confrontamento genético.

A delegada Caroline Monavique Pedreira, no entanto, colheu a saliva dele em um copo com água – o que possibilitou a realização do exame que comprovou compatibilidade com os vestígios encontrados na roupa dela.

O empresário chegou a ser denunciado pelo crime de estupro de vulnerável pelo promotor Alexandre Piazza – que não está mais no caso. O parecer do novo promotor, Thiago Carriço Oliveira, foi o de que não havia provas que confirmassem o estupro.

A sentença do juiz Rudson Marcos foi pelo mesmo caminho: “melhor absolver cem culpados do que condenar um inocente”, descreveu o magistrado.

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