Caso Mariana Ferrer revolta celebridades nas redes sociais

Sentença de "estupro sem dolo" esteve entre os tópicos mais comentados na internet nesta terça-feira (3); MPSC se posicionou em nota

A absolvição do réu, o empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a digital influencer Mariana Ferrer, voltou aos assuntos mais comentados nesta terça-feira (3). Celebridades se manifestaram nas redes sociais sobre a sentença de “estupro sem dolo”.

Camila Pitanga foi uma das celebridades que se manifestou sobre o caso – Foto: Twitter/DivulgaçãoCamila Pitanga foi uma das celebridades que se manifestou sobre o caso – Foto: Twitter/Divulgação

O MPSC desconsiderou a própria denúncia apresentada em julho de 2019, que apontou Aranha como acusado por estupro de vulnerável.

Quem apresentou a denúncia e considerou o crime de estupro de vulnerável contra o empresário foi o promotor de Justiça Alexandre Piazza. Porém, segundo o Ministério Público, o promotor Piazza fez a opção voluntária de sair da promotoria onde atuava para assumir outra promotoria.

Por conta disso, quem conduziu a audiência de instrução e julgamento, e apresentou as alegações finais, foi o promotor Thiago Carriço de Oliveira – a reportagem do nd+ teve acesso ao documento com exclusividade.

O promotor Thiago Carriço de Oliveira apontou que não teria havido “dolo” na ação de Aranha, ou seja, a “intenção de estuprar”. Para o segundo promotor, não teria sido possível comprovar tecnicamente que a vítima estava sob efeito de drogas e que, por isso, ela não teria o discernimento para evitar o ato sexual.

Vídeo da audiência de instrução e julgamento do caso Mariana Ferrer divulgado na última terça-feira (3)  – Foto: Reprodução/NDVídeo da audiência de instrução e julgamento do caso Mariana Ferrer divulgado na última terça-feira (3)  – Foto: Reprodução/ND

Nas redes sociais, algumas celebridades se manifestaram contra a postura do advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, em uma das audiências, em vídeo divulgado nesta terça-feira (3).

A modelo e ex-participante do BBB 20 Rafa Kalimann postou um desabafo sobre o caso e comentou sobre a postura do advogado de Aranha. “Que a filha do senhor advogado realmente não “chegue no nível” (como o senhor mencionou) de sofrer tanto e ainda ser calada por homens como o senhor. Covardia, vergonha”, publicou.

Modelo Rafa Kalimann em post no Instagram. Legenda e foto de costas sem roupaA modelo Rafa Kalimann se manifestou no Twitter e no Instagram sobre o caso- Foto: Instagram/Reprodução

A cantora Anitta disse no Twitter: “Mariana Ferrer eu admiro sua coragem”.  A atriz Patrícia Pilar postou uma foto “mulheres não podem ser culpadas por estupro”.

Anitta usou a #justicapormariferrer em seus comentários no Twitter – Foto: Twitter/ReproduçãoAnitta usou a #justicapormariferrer em seus comentários no Twitter – Foto: Twitter/Reprodução

A atriz Taís Araújo publicou um diagrama para mostrar que não existe o termo “estupro culposo”.

“Bem desenhado para que todos possam entender que não existe estupro culposo! Ninguém comete estupro sem intenção. Esse precedente é mais uma violência contra o direito das mulheres”, afirmou na publicação em seu Twitter.

O comediante Whindersson Nunes se posicionou sobre o caso na manhã desta quarta-feira (4). “Acho q vou voltar pro mato, palhaçada!!!”.

O comediante Whindersson Nunes  se manifestou nesta manhã  de terça (4) sobre o caso – Foto: Twitter/ReproduçãoO comediante Whindersson Nunes  se manifestou nesta manhã  de terça (4) sobre o caso – Foto: Twitter/Reprodução

Posicionamento do MPSC

Em nota, o MPSC afirma que “em razão de recentes fatos inverídicos divulgados na imprensa e nas redes sociais, o Promotor de Justiça requereu a retirada do sigilo das suas alegações finais e dos trechos das audiências dos dias 20 e 27 de julho de 2020 para que a imprensa e a sociedade possam ter acesso à verdade dos fatos”.

Ainda diz que “o vídeo que está circulando nos meios de comunicação e nas redes sociais não condiz com a realidade, foi editado de modo a sonegar as intervenções realizadas pelo Ministério Público e pelo magistrado em favor da vítima”, segue o texto.

O MPSC afirma ainda que os Promotores de Justiça adotaram ao longo de todo o processo, “o necessário respeito e sensibilidade que a questão exigia, a fim de evitar qualquer possibilidade de revitimização da vítima”.

Relembre o caso

Em dezembro de 2018, a influenciadora Mariana Ferrer aparecia em um vídeo subindo uma escada no beach club Café de La Musique, em Florianópolis, na companhia de Aranha. Naquele mesmo dia, ela registrou um boletim de ocorrência contra ele por estupro.

A jovem trabalhava naquela noite como embaixadora do beach club e conta que acredita ter sido dopada antes de ter sido estuprada. Mariana era virgem até então e o exame pericial comprovou rompimento do hímen. Os resquícios de sangue e esperma na roupa dela também comprovaram o fato.

Em maio de 2019, o empresário foi indiciado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável, com base em provas testemunhais e periciais, confronto de material genético e contradições em depoimentos.

O empresário André de Camargo Aranha negou em depoimento que tivesse tido contato físico com a moça. Ele também se negou a disponibilizar material para confrontamento genético.

Aranha chegou a ser denunciado pelo crime de estupro de vulnerável pelo promotor Alexandre Piazza – que não está mais no caso. O parecer do novo promotor, Thiago Carriço Oliveira, foi o de que não havia provas que confirmassem o estupro.

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Justiça SC

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