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Comissão de Combate à Violência Doméstica faz alerta sobre feminicídios em SC em 2020

Desde janeiro, 35 mulheres foram mortas no Estado por homens com os quais tiveram algum relacionamento afetivo

A Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/SC manifestou preocupação com o elevado número de feminicídios em Santa Catarina ao longo de 2020. Desde janeiro, 35 mulheres foram mortas no Estado pelos seus maridos, companheiros, namorados ou pelos que elas tiveram um relacionamento afetivo.

Em comunicado, Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/SC disse que violência contra a mulher parece eterna enquanto que a pandemia de Covid-19 tende a ser passageira – Foto: Divulgacão/JusCatarina/ND

“Essas mortes não são casos isolados ou episódicos e não acontecem apenas em uma classe social ou cor ou etnia. Não podemos mais naturalizar essa violência e conviver com isto sem que tomemos consciência de que todas as vidas importam”, alerta nota assinada pela presidente da Comissão, Renata de Castilho, no desfecho do “Agosto Lilás”.

“Em 2020, vivemos uma pandemia dentro de outra, a diferença é que a da COVID-19 tende a ser passageira e a da violência contra a mulher nos parece eterna, enquanto acharmos que isso não é um problema de toda sociedade”, segue o comunicado.

A Comissão destaca que o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. A cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência verbal ou física. A cada 22.5 segundos, uma mulher é vítima de espancamento ou tentativa de estrangulamento no Brasil. A cada 2 horas, uma mulher é assassinada no Brasil.

“Quantas mais vão morrer, sofrer lesões físicas e psicológicas que deixarão sequelas para o resto de suas vidas?”, questiona a presidente da Comissão sensibilizando a sociedade sobre este problema considerado de saúde pública.

Leia a íntegra:

NOTA CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR

A Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/SC, no desfecho do AGOSTO LILÁS e sempre, solidariza com as famílias e todas as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. O feminicídio é o fim de uma tragédia anunciada cotidianamente na vida das mulheres que sofrem atormentadas pelo ciclo da violência. Violências acobertadas pela sociedade, silenciadas pelos familiares e esquecidas nas estatísticas do Estado.

Violências naturalizadas pelas brincadeiras, piadas e discursos que são diariamente reproduzidos pelos que se beneficiam da estrutura de poder que sustenta o modelo patriarcal e o machismo, mantendo a diferenciação entre homens e mulheres e que justificam o pensamento de uma suposta superioridade de um gênero sobre outro. É acultura na qual a sociedade banaliza a violência de gênero e limita o desenvolvimento livre e saudável de mulheres e meninas.

Em 2020, vivemos uma pandemia dentro de outra, a diferença é que a da COVID-19 tende a ser passageira e a da violência contra a mulher nos parece eterna, enquanto acharmos que isso não é um problema de toda sociedade. Desde janeiro, 35 mulheres foram mortas em Santa Catarina, pelos seus maridos, companheiros, namorados oupelos que elas tiveram um relacionamento afetivo. Essas mortes não são casos isolados ou episódicos e não acontecem apenas em uma classe social ou cor ou etnia. Não podemos mais naturalizar essa violência e conviver com isto sem que tomemos consciência de que todas as vidas importam.

Quantas mais vão morrer, sofrer lesões físicas e psicológicas que deixarão sequelas para o resto de suas vidas?

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. A cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência verbal ou física no Brasil. A cada 22.5 segundos, uma mulher é vítima de espancamento ou tentativa de estrangulamento no Brasil. A cada 2 horas, uma mulher é assassinada no Brasil.

A Lei Maria da Penha é uma importante conquista das mulheres brasileiras e foi criada para coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres. Mas ainda requer aprimoramentos. É preciso considerar os indicadores que levam a situação de violência e que mantém as mulheres em relações abusivas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, as mulheres levam em média 10 anos para denunciar a violência sofrida. Muitos fatores contribuem para a reprodução da violência contra as mulheres, uma delas é a ausência de políticas públicas que assegurem transversalidade de gênero e articulem prevenção, acolhimento, promoção e punição.

A violência não é um problema privado, é uma questão de saúde pública. Precisamos dar um BASTA na violência contra a mulher! É preciso que não reproduzamos o machismo, para que não dissemine a opressão. O machismo mata!

Não deixemos que calem nossa voz, que tirem as nossas vidas. Somos todas. Não seremos livres enquanto uma mulher for prisioneira. Denuncie. Disque 180 – 181 ou 190. São serviços públicos, gratuitos, que funcionam 24 horaspor dia, todos os dias da semana.

PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E MENINAS! POR NENHUMA A MENOS!

Renata Lima de CastilhoPresidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/SC

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