Detento convida juíza para assistirem juntos evento sobre leitura em SC; veja a resposta

Bilhete enviado à magistrada foi escrito à mão durante a II Jornada de Leitura no Cárcere, que ocorre na penitenciária de São Cristóvão do Sul

A iniciativa de um detento da Penitenciária Industrial de São Cristóvão do Sul, na Serra de Santa Catarina, chamou a atenção nesta semana. Ele convidou uma juíza para assistirem juntos um evento sobre leitura que ocorre de forma virtual.

Detentos assistem palestras da Jornada da Leitura na Penitenciária Industrial de São Cristóvão do Sul – Foto: TJSC/Divulgação/NDDetentos assistem palestras da Jornada da Leitura na Penitenciária Industrial de São Cristóvão do Sul – Foto: TJSC/Divulgação/ND

O bilhete enviado à magistrada foi escrito à mão durante a II Jornada de Leitura no Cárcere. “A literatura liberta a intelectualidade e a capacidade de recomeçar. No entanto, precisa-se do apoio de autoridades competentes, por isso o presente convite”, diz o texto.

A surpresa maior veio quando a juíza Ana Cristina Oliveira Agustini, titular da Unidade Regional de Execução Penal, aceitou o convite para assistir ao evento nesta quinta-feira (23), acompanhada do autor do bilhete e outros quatro detentos.

Quem mediou a comunicação foi a servidora Mary Monteiro, entusiasta e fomentadora da leitura na penitenciária desde 2016.

“Ele me pediu um pedaço de papel e uma caneta. Estranhei, mas forneci. Depois de vê-lo escrevendo algo, recebi o pedido de que encaminhasse para a magistrada. Ele ficou apreensivo aguardando a resposta. Quando chegou, entrou em choque de tanta felicidade. Foi surpreendente e emocionante”, disse Monteiro.

Sonho de publicar um livro

O apenado entrou na penitenciária apenas com o ensino fundamental e hoje, está na faculdade. Leitor voluntário, o homem tem o sonho de publicar um livro de crônicas, se formar e ajudar pessoas que têm o mesmo passado que ele.

“É importante que as pessoas conheçam o trabalho feito aqui, a estrutura que temos e ainda precisamos. É renovador, tanto na parte laboral quanto educativa e de saúde. A doutora vai poder nos ajudar muito nesse projeto”, diz o homem, ao afirmar que com a leitura aprendeu sobre valores.

Apaixonada pela leitura, a magistrada acolheu o pedido que veio no bilhete. “Estarei lá para assistir e ver no que mais posso ajudar”, destaca.

Foi ela quem doou os primeiros 50 livros para o projeto que Mary pretende desenvolver, ainda neste semestre, com a formação de monitores de leitura, por meio do programa Leitura nas Entrelinhas do Cárcere, que tem com mantenedora a Biblioteca Prisional Farol do Saber.

+

Justiça SC

Loading...