Fechado e sem vínculos: defesa revela detalhes sobre autor de ataque a creche em SC

Jovem de 18 anos que cometeu a chacina em Saudades segue internado na UTI; ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça

Detalhes sobre o perfil do autor do ataque à creche Pró-Infância Aquarela, em Saudades, no Oeste de Santa Catarina, foram revelados pela defesa. Em entrevista ao ND+ nesta quinta-feira (6), o advogado do jovem, Kleber dos Passos Jardim, informou que ele era fechado, sem vínculos sociais, sem amigos e falava pouco.

Homenagens às vitimas da creche Aquarela de Saudades – Foto: Willian Almeida/NDHomenagens às vitimas da creche Aquarela de Saudades – Foto: Willian Almeida/ND

A descrição foi repassada ao advogado pelo tio do autor, uma vez que a defesa ainda não teve contato com os pais, que estariam muito abalados com o ocorrido.

“O tio disse que ele jogava jogos de videogame violentos, com tiros. Sofria bullying no colégio, mas ainda não sei que tipo de violência. Não tivemos acesso a ele em decorrência do estado de saúde”, acrescentou.

O quadro clínico do jovem de 18 anos, que segue internado na UTI do HRO (Hospital Regional do Oeste), em Chapecó, é um entrave para o andamento do processo, segundo o advogado. Ele aguarda o contato com o autor para obter mais informações sobre o caso.

“O próximo passo é sabermos a condição clínica, para podermos conversar com ele, saber a motivação, o que aconteceu, o que o levou a cometer isso. O delegado também precisa interrogá-lo. Estamos travados em função do estado de saúde dele”, aponta.

A linha de defesa será montada, conforme Passos Jardim, após a conclusão do inquérito policial, dos laudos cadavéricos e periciais. Equipamentos eletrônicos foram coletados da casa do autor e passam por análise.

A prisão preventiva já foi determinada pela Justiça. O jovem foi autuado em flagrante por cinco homicídios triplamente qualificados e pela tentativa de homicídio de uma criança, que está em recuperação no Hospital da Criança.

Exame de sanidade mental

O pedido de exame de sanidade mental do autor, feito pelo advogado, foi negado pelo juiz da comarca de Pinhalzinho, Caio Lemgruber Taborda.

O juiz informou em sentença que o pedido foi negado por enquanto, mesmo com a indicação de eventual desvio de personalidade pelo comportamento e o modo que os crimes foram praticados. Ele ressaltou na sentença que o jovem ainda não foi ouvido em decorrência do seu estado de saúde.

Segundo o advogado, um novo pedido dependerá das condições de saúde do jovem. “Vamos aguardar primeiro o estado de saúde dele, se vai sobreviver ou não e se terá condições de falar e se expressar, aí vamos avaliar”, disse. 

Passos Jardim informou que o juiz autorizou o envio de um ofício ao hospital onde o jovem está internado, para que informações médicas sejam fornecidas em até três dias.

“Processo bem difícil”

O advogado avalia o processo como “bem difícil”, sobretudo, em função da comoção gerada pelo caso. No entanto, ele espera que o autor seja julgado conforme as determinações da lei e destacou que a defesa está disposta a contribuir com a Justiça para que a motivação seja esclarecida.

“Como todo o acusado, ele tem direito à ampla defesa. É a função do advogado criminalista. Vamos efetuar a defesa dentro do estado mental dele, aguardar as investigações, a coleta de provas e analisar tudo para que ele tenha um julgamento dentro da lei”, pontua.

A comoção gerada pelo caso no Oeste catarinense faz com que a defesa não descarte a possibilidade de pedir a transferência de comarca, caso o autor seja submetido ao tribunal do júri.

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