Homem que matou esposa em Içara e mentiu sobre motivo é condenado

Cinco dias após torturar e matar esposa, fingiu que ela cometeu suicídio. Ele foi condenado a 26 anos de prisão. SC já registrou 45 casos de feminicídio em 2020

Luiz Carlos Fernandes, de 50 anos, foi condenado na última quinta-feira (22) a 26 anos de prisão por júri popular realizado na 2ª Vara da Comarca de Içara, no Sul de Santa Catarina. Ele foi acusado pelo feminicídio da sua esposa Cheila Regina Tresi, em fevereiro de 2019.

Na ocasião do crime, a vítima tinha 32 anos. O próprio marido acionou a polícia denunciando um suposto suicídio. No entanto, o laudo cadavérico atestou que ela foi torturada e assassinada.

Cheila Regina Tresi, vítima de feminicídio em fevereiro de 2019 – Foto: Reprodução Redes Sociais/Divulgação/NDCheila Regina Tresi, vítima de feminicídio em fevereiro de 2019 – Foto: Reprodução Redes Sociais/Divulgação/ND

O feminicídio ocorreu entre os dias 12 e 13 de fevereiro de 2019 dentro da casa de Cheila e Fernandes, no bairro Barracão, segundo apontou a investigação.

Ela sofreu socos, chutes e golpes violentos com instrumento contundente, que provocaram lesões, fraturas em ossos, feridas no rosto, cabeça, tronco e membros, além de queimaduras de 1º grau.  Cheila sofreu trauma cranioencefálico e politraumas intensos.

O agressor acionou a polícia apenas na madrugada do dia 19. Ao atendimento atendimento médico de urgência, ele alegou que a mulher estava desacordada há muitas horas e que teria ingerido uma grande quantidade de remédios numa suposta tentativa de suicídio.

Os socorristas perceberam as marcas de violência e sinais de rigidez que indicavam que a morte havia ocorrido há mais de oito horas. Após um exame cadavérico, Fernandes foi preso provisoriamente.

Processo

O júri popular foi marcado ainda em março deste ano, vindo a ser realizado no último dia 22. O Conselho de Sentença reconheceu como qualificadoras do homicídio: emprego de meio cruel e tortura, recurso que dificultou a defesa da vítima, e feminicídio.

A pena será cumprida em regime fechado, e cabe recurso. O advogado de defesa Marcelo Vargas Pinto, afirmou que recorrerá para que seja realizado um novo júri “em virtude de nulidade ocorrida durante os debates, bem como a redução das frações empregadas para a fixação da pena.”.

Marcelo Vargas defende a inimputabilidade de Fernandes e a desclassificação do crime de homicídio consumado para lesões corporais seguidas de morte.

Feminicídios em 2019

Cheila foi uma das 59 vítimas catarinenses de feminicídio em 2019, segundo os dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública). No ano foram registrados houve aumento expressivo se comparados aos anos de 2018 e 2017 – o crime passou a ser tipificado a partir de março de 2015.

Em 2020 as taxas continuam altas. Conforme o boletim estatístico semanal, a SSP já registrou 45 casos de feminicídio até esta segunda-feira (26) em Santa Catarina neste an0.

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Justiça SC

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