Justiça decide sobre liberdade de motorista que atropelou jovem nos Ingleses

Dyego Ferreira Sales, de 34 anos, responde a crimes em outros Estados, como falsidade ideológica; defesa diz que culpa pelo acidente é da Land Rover

A terceira audiência do caso Rebeca Minori será realizada às 14h desta segunda-feira (12), pouco mais de três meses após o fatídico atropelamento nos Ingleses, em Florianópolis. Serão ouvidas testemunhas indicadas pela defesa do réu Dyego Ferreira Sales, que atropelou a jovem de 15 anos em uma calçada no dia 1º de janeiro.

Acidente na rua das Gaivotas, nos Ingleses, e deixou uma adolescente gravemente ferida – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/divulgação/NDAcidente na rua das Gaivotas, nos Ingleses, e deixou uma adolescente gravemente ferida – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/divulgação/ND

Entre os pedidos da defesa está a liberdade provisória para Dyego, com uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, como ele responde a crimes cometidos em outros Estados, como falsidade ideológica por uso de documento falso, a Justiça pode não aceitar os pedidos.

Segundo o advogado de Dyego, Wanner Oliveira, o laudo pericial do acidente, realizado pela Polícia Técnico Científica de Santa Catarina, aponta que a velocidade do carro era de 36,6 km/h e a distância percorrida foi de 32 metros.

“Não consideramos que houve um crime no caso da Rebeca, e sim um acidente ocasionado por falha mecânica do veículo. As circunstâncias fantasiosas levantadas para tentar fazer o Dyego parecer um motorista inconsequente foram completamente derrubadas pelo laudo pericial”, disse o advogado de defesa.

Em decisão anterior, a juíza Andrea Cristina Rodrigues Studer já havia negado o pedido de liberdade provisória, destacando ainda que Ferreira Sales usou um nome falso para escapar de uma ordem de prisão.

“Ressalta-se ainda que o acusado forneceu falsa identificação no intuito de livrar-se de outra ordem de prisão, bem como há dúvidas quanto ao seu domicílio. Desta forma, por ora, inviável a revogação da prisão, pois as medidas cautelares que poderiam ser aplicadas com a concessão da liberdade provisória não seriam suficientes à repressão da conduta”, afirmou a magistrada.

Recuperação ainda é lenta

De acordo com o advogado de Rebeca, Tiago Souza, o réu não ofereceu nenhum tipo de auxílio para arcar com os custos do tratamento médico ao qual ela ainda é submetida. A jovem ficou 39 dias internada e teve ferimentos gravíssimos.

Rebeca Sayuri Albuquerque Minori, de 15 anos, ficou em estado grave após o atropelamento – Foto: Arquivo PessoalRebeca Sayuri Albuquerque Minori, de 15 anos, ficou em estado grave após o atropelamento – Foto: Arquivo Pessoal

“Ela está se recuperando bem, fazendo fisioterapia. Mas ela tem problema em uma das mãos, que não tem todos os movimentos, além de pinos por todo o corpo. Os médicos estão acompanhando para ver se não há nenhuma rejeição, já que ela tem apenas 15 anos e está em crescimento”, pontuou o advogado.

Rebeca perdeu o baço e um dos ovários. Por conta da recuperação, precisa ainda de cuidados constantes. “A mãe dela tinha um salão de beleza e precisou parar de trabalhar. A família espera justiça também como forma educativa, para que outras pessoas não cometam esses mesmo equívoco de beber e dirigir”, salietou Souza.

Relembre o caso

Uma família caminhava na calçada no bairro dos Ingleses, em Florianópolis, quando foi surpreendida por uma Land Rover.

A filha do casal, Rebeca, de 15 anos, foi atingida em cheio pelo carro junto ao muro de vidro que pertence à estrutura de um prédio residencial. A adolescente ficou presa sob uma das rodas do veículo e teve múltiplas fraturas constatadas.

Motorista perdeu o controle e invadiu calçada em Ingleses – Foto: Reprodução/NDMotorista perdeu o controle e invadiu calçada em Ingleses – Foto: Reprodução/ND

No interior do veículo de Dyego Ferreira Sales, de 34 anos, de Brasília (DF), havia um cooler térmico contendo gelo e taças, além de uma bolsa de mulher. De acordo com a Polícia Civil, o motorista estava sob a influência de álcool.

Conforme o relato de uma testemunha, ele teria deixado um estacionamento em “alta velocidade e cantando pneu”, quando tentou desviar de um carro e perdeu o controle.

Contraponto

Conforme o advogado Wanner Oliveira, o laudo pericial “demonstrou não haver excesso de velocidade quando do acidente, situação que somada à inexistência de prova de embriaguez e ao fato das imagens de vídeo demonstrarem que em momento algum o Dyego tentou se evadir do local”.

Ele reitera que “a narrativa construída pelo MP [Ministério Público] na denuncia é um amontoado de especulações visando projeção midiática dada a comoção gerada pelo acidente”.

Oliveira argumenta que o MP está “ignorando fatos relevantes levados ao processo, em especial os defeitos de série da linha Range Rover contidos nos carros fabricados de 2005 a 2010 que provocam a perda do controle da suspensão e por consequência a perda da sua dirigibilidade e a possibilidade do motorista os controlar”.

Passageiro retornou ao veículo para pegar pertences – Foto: Reprodução/NDPassageiro retornou ao veículo para pegar pertences – Foto: Reprodução/ND

Por fim, o advogado afirma que a culpada pelo acidente é a Land Rover, pois “não convocou recall e nem informou os proprietários de veículos com defeitos de fabricação dos riscos a que estavam submetidos”.

Ele finaliza questionando se o MP está “efetivamente cumprindo o seu papel, pois nos parece com medo de enfrentar uma empresa internacional e afoito para condenar um inocente para satisfazer o anseio social fabricando culpado”.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.

+

Justiça SC