Justiça nega 4º pedido de liberdade para acusado de matar transexual em Florianópolis

Samantha do Valle, de 20 anos, foi morta no dia 6 de fevereiro de 2020, em um motel no bairro Campeche

O TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) negou o quarto pedido de habeas corpus do acusado de matar de matar a transexual Samantha do Valle, de 20 anos, no dia 6 de fevereiro de 2020, em um motel no bairro Campeche, em Florianópolis.

Samantha do Valle foi morta no dia 6 de fevereiro de 2020 – Foto: Reprodução/FacebookSamantha do Valle foi morta no dia 6 de fevereiro de 2020 – Foto: Reprodução/Facebook

A decisão pela manutenção da prisão foi emitida pela 5ª Câmara Criminal do TJSC. Segundo o voto da relatora, a desembargadora Cínthia Beatriz da Silva Bittencourt Schaeffer.

Após denúncia anônima, o suspeito foi preso em flagrante quando se preparava para deixar o motel com o corpo da vítima no porta-malas do carro, cujas placas estavam retorcidas.

De acordo com a denúncia, o acusado planejava fugir do motel com o corpo da vítima. Ele teria dobrado a placa para que não fosse possível identificar o carro.

A defesa do acusado já havia impetrado outros três pedidos de habeas corpus, todos negados pelo tribunal. O processo tramita em segredo de justiça.

A reportagem do ND+ entrou em contato com a defesa do acusado que afirmou que não irá se pronunciar no momento.

“Houve um fato novo que poderá ensejar um novo pedido de revogação da prisão preventiva ou habeas corpus”, explica o advogado Alex Cruz Hernandez sem dar maiores detalhes.

Entendimento da Justiça

Diferente do entendimento da Polícia Civil, o MPSC desconsiderou a qualificadora de feminicídio no assassinato da vítima. O TJSC denunciou Marcelo Vasques Cavalheiro por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Jovem foi morta por asfixia – Foto: Reprodução Redes Sociais/NDJovem foi morta por asfixia – Foto: Reprodução Redes Sociais/ND

O laudo realizado pelo IGP (Instituto Geral de Perícias) confirmou que a causa da morte de Samantha foi asfixia.

As investigações policiais apontaram que o réu mantinha um relacionamento amoroso com a jovem de 20 anos, mas nutria menosprezo e discriminação por ela devido a sua transgenia.

Sessão do júri tem data marcada

A sessão do júri do acusado foi marcada para 8 de fevereiro de 2022 – dois anos após o crime.

Segundo o TJSC, a pandemia, que suspendeu a realização de júris populares por longo tempo, influenciou no alongamento do prazo, mas esse não foi o único ponto abordado pela desembargadora Cinthia Schaefer para justificar a negativa do habeas e a manutenção da prisão preventiva do acusado. Ela levou em conta, também, a conduta do réu após a morte.

Vítima sonhava em mudar de vida

Natural do Paraná, Samantha passou a adolescência em São Paulo. Segundo o tio da jovem, foi nesse período que Samantha assumiu seu nome social e começou a traçar planos para o futuro. Seu desejo era fazer um curso de designer de sobrancelha ou viajar para fora do país.

Em entrevista ao ND+ dias após o crime, um amigo da jovem falou sobre ela. Segundo ele, Samantha era uma pessoa tranquila e próxima da família. Eles se conheciam há cerca de dois anos.

Pelas redes sociais, amigos e familiares deixaram mensagens para a jovem. “A maldade te alcançou, justo você que não tinha maldades. Sempre lembrarei de você, do seu jeito meigo”, disse um familiar.

Samantha do Valle, de 20 anos, foi morta por um cliente após um programa dentro do estabelecimento no Sul da Ilha – Foto: Divulgação NDSamantha do Valle, de 20 anos, foi morta por um cliente após um programa dentro do estabelecimento no Sul da Ilha – Foto: Divulgação ND

Samantha do Valle conseguiu trocar o nome de batismo pelo social em seus documentos em dezembro de 2019. Em menos de três meses vivendo legalmente como mulher, a jovem foi encontrada morta.

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