Justiça solta acusados de matar a empresária Cátia, há um ano, em Araquari

Nesta sexta-feira (7), o juiz Daniel Radunz revogou a prisão preventiva de Odelir Medeiros, bem como a prisão domiciliar e medida cautelar impostas a Magali dos Santos

Uma decisão da Justiça de Araquari que soltou os acusados de matar, no fim de julho do ano passado, a empresária Cátia Regina Silva, causou revolta e perplexidade aos familiares.

Nesta sexta-feira (7), o juiz de Direito de Araquari, Daniel Radunz, revogou a prisão preventiva do acusado Odelir Medeiros, bem como a prisão domiciliar e medida cautelar impostas a Magali dos Santos.

Odelir estava preso na UPA de São Francisco do Sul. Magali e o marido Fabrício Cabral Woche foram apontados, no inquérito, como os mandantes do crime. Fabrício, no entanto, continua foragido. Ele teria sido ajudado pelo amigo Odelir na execução do crime.

Em seu despacho, o juiz sustenta que, passados quatro meses desde um despacho que concedeu prazo de dois dias para que fosse apresentado um laudo pericial, este ainda não foi feito. A perícia a que o magistrado se refere é no cartão de memória apreendido nos autos que conteria imagens extraídas da câmera de vigilância da casa de Magali.

Cátia foi morta enquanto voltava de uma viagem, em Araquari – Foto: Redes Sociais/Divulgação ND

“Ainda não há notícia da elaboração da prova pericial em questão. Diante desse quadro, e não obstante a gravidade dos fatos apurados nos autos, entendo que se impõe a revogação da prisão preventiva do acusado Odelir Medeiros, bem como da prisão domiciliar e medida cautelar impostas a Magali dos Santos”, escreveu Daniel Radunz na decisão.

O magistrado salientou, ainda, que a prisão cautelar já dura quase um ano e que não há justificativa para a demora na entrega da prova técnica, “ainda mais considerando que a apreensão da mídia referida se deu em agosto de 2019”.

Os acusados, porém, serão obrigados a comparecer a todos os atos do processo que a forem intimados e terão de manter os endereços atualizados nos autos sob pena de nova prisão, determinou o juiz.

“Estou em estado de choque com a decisão”, disse, indignada, Ana Paula Cercal, filha de Cátia Regina Silva.

Ana e todos os familiares clamam justiça pela brutal morte da empresária.

As advogadas Indiara Mesquita Marques e Sarita Henrique de Paiva, assistentes de acusação, vão se reunir agora com o Ministério Público, que ofereceu a denúncia contra os acusados Odelir, Magali e Fabrício, para analisar os próximos passos.

Importante ressaltar que todos os habeas corpus feitos pela defesa ao Tribunal de Justiça para soltar os acusados foram negados.

Relembre o caso

A empresária desapareceu na noite de 24 de julho de 2019 e a investigação aponta que ela foi rendida pelos acusados na BR-280. De acordo com o delegado Rafaello Ross, à época da conclusão do inquérito, os acusados simularam uma blitz policial.

“Abordaram a vítima, se passando por policiais federais e agentes da Receita Federal. Ela estava voltando de São Paulo com mercadorias que iria revender em São Francisco do Sul e parou, achando que era uma blitz. Neste momento, foi abordada e rendida pelos criminosos. Ela foi colocada no seu veículo, algemada, encapuzada, e seguiram rumo a São Francisco, onde o carro foi abandonado”, relembra o delegado.

Depois disso, de acordo com a polícia, Cátia foi levada para um local ermo em Araquari, onde foi encontrada morta com um tiro na cabeça e braços amarrados. O corpo foi jogado em um rio, mas ficou submerso e foi encontrado no dia seguinte.

Durante as buscas, o carro de Cátia foi encontrado carbonizado  – Foto: Polícia Civil/Divulgação ND

Ainda de acordo com a polícia, antes de incendiar o carro, os acusados furtaram a mercadoria que Cátia havia comprado e colocaram para revender na própria loja.

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