Líder de facção é condenado a 38 anos por montar “tribunal do crime”, em Palhoça

Homem foi condenado após arquitetar um tribunal do crime no bairro Brejarú, em Palhoça, onde um homem foi morto e outro ficou gravemente ferido

O TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) condenou Gleiton Fernandes a mais de 38 anos de prisão. A decisão foi tomada em Tribunal do Júri da Comarca de Palhoça, na última quinta-feira (12).

Gleiton é chefe de uma organização criminosa e foi apontado por matar um homem e tentar matar outro, em caso registrado em 2019, no município da Grande Florianópolis.

Bairro Brejaru, em Palhoça; local é conflagrado pelo tráfico de drogas e o réu teria ficado “incomodo” com a possibilidade da presença da polícia na localidade – Foto: Águia PM/DivulgaçãoBairro Brejaru, em Palhoça; local é conflagrado pelo tráfico de drogas e o réu teria ficado “incomodo” com a possibilidade da presença da polícia na localidade – Foto: Águia PM/Divulgação

De acordo com a denúncia do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), que foi acatada pelo júri, Gleiton liderou a ordem para um homicídio e uma tentativa de homicídio, ambos crimes foram tripalmente qualificados por motivo torpo, uso de meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima.

Gleiton ainda teve a pena aumentada pelo crime de organização criminosa, além de ser igualmente condenado também por corrupção de menores.

O réu foi condenado a uma pena de 38 anos e 13 dias de reclusão. Como Gleiton estava preso preventivamente, ele segue em reclusão e não poderá responder em liberdade. A decisão, no entanto, cabe recurso.

O crime

De acordo com a denúncia oferecida pela 8ª Promotoria de Justiça da Comarca de Palhoça e do Gejuri (Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri do Ministério Público, Gleiton, que era o líder de uma facção, foi o responsável por autorizar as mortes executadas pela organização criminosa.

O furto de um botijão e de um tablet, dentro da comunidade Brejarú, teria ocasionado a ação dos faccionados que, a partir dessa ocorrência, temiam pela presença da polícia dentro dos bairros Brejarú e Frei Damião onde as atividades ilícitas seriam prejudicadas.

Na madrugada de 6 de março de 2019, sob ordem de Gleiton, um homem foi rendido por uma pessoa ainda não identificada e um adolescente. O homem foi levado até um ponto onde outra vítima estava rendida por um grupo de pessoas, sob o comando de Gleiton, que tinha a informação que ambos teriam efetuado o furto de uma casa na comunidade.

No local Gleiton montou uma espécie de “tribunal do crime” onde passou a interrogar os homens sob o acompanhamento de outras testemunhas que ainda não foram identificadas. Ao final das perguntas Gleiton ordenou a morte das vítimas.

Os dois homens foram espancados pelo grupo com o uso de pedaços de madeira. Um deles não resistiu às agressões e morreu no local. Já o outro conseguiu buscar socorro e sobreviveu.

A promotora de Justiça Bartira Soldera Dias ressaltou que o crime teve motivo torpe, em razão da suspeita que o réu tinha sobre as vítimas serem os responsáveis pelos furtos, o que poderia atrapalhar os crimes da facção por provocar ações da polícia.

Outros dois homens que eram réus na ação foram absolvidos pela ausência de provas suficientes, conforme requerido pelo MPSC.

Bartira também explica que o MPSC entendeu que os crimes foram cometidos com outras duas qualificadoras: emprego de meio cruel e de forma a impossibilitar a defesa da vítima.

A promotora atuou junto ao Tribunal do Júri com a colaboração dos promotores Luiz Fernando Pacheco e Marcio Zattar Cota, integrantes do Gejuri.

O Gejuri

O Gejuri é formado por Promotores de Justiça especializados no Tribunal do Júri, designados pelo Procurador-Geral de Justiça, que podem ter a colaboração requerida pelo promotor titular. O grupo atua em casos de gravidade, complexidade, prioridade institucional e grau de segurança aos membros da Instituição.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Justiça SC

Loading...