Motorista de carro de luxo que atropelou família em Florianópolis é denunciado pelo MP

Órgão cita o fato de Diego Sales ter tentado fugir do local do acidente e apresentar sinais de embriaguez, defesa classifica atropelamento como "fatalidade" e diz que fatos são "especulativos"

O motorista de 34 anos que atropelou uma família no bairro Ingleses, em Florianópolis, no dia 1º de janeiro, foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina.

Acidente na Rua das Gaivotas, nos Ingleses, deixou uma vítima em estado grave – Foto: Corpo de Bombeiros/divulgação/NDAcidente na Rua das Gaivotas, nos Ingleses, deixou uma vítima em estado grave – Foto: Corpo de Bombeiros/divulgação/ND

O órgão cita que, logo após o acidente, Diego Sales, teria tentado fugir do local sem prestar socorro às vítimas, mas, como sua porta estava travada, precisou sair pela janela do veículo e acabou abordado por um policial civil. No veículo ainda estavam uma mulher e outras duas pessoas que conseguiram fugir do local do acidente.

A defesa do acusado se pronunciou através de nota (veja abaixo) e classificou o atropelamento como “fatalidade”.

Diego, então, foi levado para um hotel e aparentava estar embriagado ou sob efeito de algum entorpecente, segundo a denúncia.

O MPSC cita que, ao ser abordado pelos policiais militares, o denunciado se negou a fazer o exame de alcoolemia, porém, os agentes lavraram o auto de constatação de alteração nas capacidades psicomotoras pois ele apresentava “hálito alcoólico, fala alterada, olhos vermelhos, dispersão e exaltação”.

No interior do veículo de Diego, uma Land Rover, foi encontrado um cooler térmico contendo gelo e taças, além de uma bolsa de mulher. Enquanto estava no hotel, Diego arrancou do braço a pulseira de acesso a uma festa de Réveillon em uma casa noturna de Jurerê Internacional, e a escondeu embaixo da poltrona.

A denúncia prossegue afirmando que o suspeito infringiu todos os códigos de trânsito brasileiro por quatro vezes. São citados os crimes de embriaguez ao volante, condução de veículo sem Carteira Nacional de Habilitação, além de evasão do local.

Rebeca Sayuri Albuquerque Minori, de 15 anos, ficou em estado grave após o atropelamento – Foto: Arquivo PessoalRebeca Sayuri Albuquerque Minori, de 15 anos, ficou em estado grave após o atropelamento – Foto: Arquivo Pessoal

O órgão pede com urgência a certificação dos antecedentes criminais do acusado perante a Corregedoria-Geral de Justiça do Distrito Federal. Além disso, é citado o fato de uma das vítimas, a adolescente Rebeca Sayuri Albuquerque Minori, de 15 anos, estar em estado grave, e não poder ser submetida ao exame de corpo de delito.

“O Ministério Público requer a quebra do sigilo médico da vítima, com requisição à Direção do Hospital Governador Celso Ramos, de remessa, no prazo de 15 (quinze) dias, de cópia do prontuário de atendimento médico decorrente do acidente de trânsito sofrido por ela no dia 1º de janeiro de 2021”, afirma a denúncia.

Ao todo, 12 testemunhas e informantes foram citados na denúncia, entre elas as quatro vítimas, a adolescente Rebeca Sayuri Albuquerque Minor, de 15 anos, a mãe dela, Rebeca Albuquerque de Araújo, de 35 anos, o padrasto, Leandro Azevedo de Souza, de 38 anos, o irmão, Daniel Kyoshi Albuquerque Minori, de 18 anos, dois policiais militares, um civil, e outras pessoas que teriam presenciado o ocorrido.

Incompatibilidade entre veículo e renda do denunciado chama atenção

A denúncia destaca ainda o fato de o veículo do suspeito, uma Land Rover blindada que, a depender do modelo pode custar mais de R$ 100 mil, ser de alto custo de compra e manutenção para uma pessoa que alega receber salário de R$ 1,5 mil mais 6% de comissão.

“Ademais, ao que se sabe, [o acusado estava] veraneando em Florianópolis e frequentando lugares também caros”, diz o documento.

Outro fato citado foi a fuga dos demais demais ocupantes do veículo após o acidente sem demonstrar “o mínimo respeito ou preocupação com as vítimas, e que o acusado só não seguiu o mesmo caminho por não ter “conseguido fugir em tempo hábil”. A denúncia aponta ainda a não cooperação de nenhuma forma com a produção probatória por parte do acusado, que “tentou ocultar o seu estado etílico”.

Inconsistência nos dados

O documento prossegue afirmando que há uma inconsistência nos dados do acusado. A denúncia aponta que no termo de interrogatório, consta a profissão empresário, residente em Brasília (DF) com um número de telefone X.

Já na documentação apresentada pela defesa, o número apresentado é outro. Porém, no mandado de prisão, o endereço do acusado apresentado é no bairro Campinas, em São José, Grande Florianópolis.

“Tais inconsistências de dados não conferem certeza sobre o local de residência e ocupação do denunciado, para dizer o mínimo”, diz a denúncia.

Testemunha viu autor andando em alta velocidade

Uma das testemunhas afirmou que viu o veículo utilizado por Diego na data do atropelamento trafegando em alta velocidade um dia antes do acidente.

A denúncia prossegue afirmando que o ato de dirigir de forma perigosa não seria um evento isolado na vida do denunciado, o que “apenas evidencia a necessidade de resguardar a ordem pública e assegurar a futura aplicação da lei penal, isso tudo acrescido à gravidade concreta dos fatos”.

“Por tal razão, ao menos por ora, o Ministério Público requer o
indeferimento do pedido de revogação da prisão preventiva“, finaliza o documento.

Contraponto

A defesa do acusado se posicionou por meio de nota e afirmou que os fatos narrados se demonstram “especulativos e totalmente alheios a realidade”.

“Nos unimos à família e todos os demais atingidos por essa fatalidade, mas não é possível aceitar que qualquer cidadão seja processado e julgado com base em fatos desconexos da verdade”, diz a nota.

A defesa prossegue afirmando que na acusação são apresentados argumentos sem “semelhança alguma com a verdade” e que o dia 1º de janeiro ficará marcado por essa “infeliz tragédia”.

“Na ansiedade de julgar e condenar o acusado, não podemos permitir a utilização de inverdades. Desta forma, a defesa permanecerá atuando para preservar os direitos e garantias constitucionais do acusado, com finalidade de combater ilações e esclarecer, no processo, a realidade dos fatos”, finaliza a nota.

Veja na íntegra:

No que se refere à apresentação da denúncia pelo ilustre promotor de justiça, viemos a público informar que os fatos narrados se demonstram especulativos, totalmente alheios a realidade.

Nos unimos à família e todos os demais atingidos por essa fatalidade, mas não é possível aceitar que qualquer cidadão seja processado e julgado com base em fatos desconexos da verdade.

Na peça acusatória foram apresentados argumentos sem semelhança alguma com a verdade. Certamente o dia 01 de janeiro de 2021 ficará marcado por essa infeliz tragédia, porém na ansiedade de julgar e condenar o acusado, não podemos permitir a utilização de inverdades. Desta forma, a defesa permanecerá atuando para preservar os direitos e garantias constitucionais do acusado, com finalidade de combater ilações e esclarecer, no processo, a realidade dos fatos.

Relembre o acidente

Uma família caminhava na calçada do bairro Ingleses quando foi surpreendida pela Land Rover. A filha, de 15 anos, foi atingida em cheio pelo carro junto ao muro de vidro que pertence a estrutura de um prédio residencial. Ela ficou presa sob uma das rodas do veículo e teve múltiplas fraturas constatadas.

A adolescente recebeu os primeiros socorros de populares que presenciaram o acidente e de salva-vidas que se deslocaram da praia, a poucos metros do local.

Junto com a vítima mais grave, estava a mãe, que teve ferimentos leves causados pelos vidros, além do pai e irmão. Eles não sofreram lesões sérias.

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