Pela morte de criança de três anos, padrasto é condenado a 20 anos de prisão em Gaspar

Mãe do menino foi sentenciada pelo crime de homicídio culposo, mas recebeu o perdão judicial

Pela morte do menino Enzo Cybell Koppen, de três anos, em novembro de 2019, o Tribunal do Júri da comarca de Gaspar, no Vale do Itajaí, condenou nesta quarta-feira (1ª/9) o padrasto Hildomar Alexandre Zabel a pena de 20 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. A criança morreu em função de um traumatismo cranioencefálico.

A mãe Milleny Stefany de Sousa Cybell foi sentenciada pelo homicídio culposo, mas acabou recebendo o perdão judicial. O Conselho de Sentença condenou o padrasto pelo crime de homicídio qualificado, por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima – agravado pelo crime ter sido praticado contra criança, em contexto de relação doméstica e familiar.

Menino foi vítima de agressões em novembro de 2009 – Foto: Reprodução/Redes sociais/NDMenino foi vítima de agressões em novembro de 2009 – Foto: Reprodução/Redes sociais/ND

Após a decisão dos jurados, a juíza Griselda Rezende de Matos Muniz Capellaro, titular da Vara Criminal da comarca de Gaspar e presidente da sessão do júri, proferiu a sentença analisando a nova imputação atribuída à mãe da vítima.

“(…) um cenário que não deixa dúvidas de que a genitora poderia ter percebido o risco ao qual o infante estava submetido. Vale repetir, havia um histórico de violência que culminou com um lesão grave poucos dias antes, de modo que era possível a qualquer pessoa, com diligência mínima, prever a possibilidade do resultado fatal, que infelizmente ocorreu”, anotou a magistrada.

“Em que pese tudo isso, a morte de um filho e a separação de outro é penalidade mais do que suficiente, razão pela qual deve ser-lhe concedido o perdão judicial, tal como postulado por sua defesa”, completou a juíza na decisão.

A sessão do júri começou na manhã de terça-feira (31/8) e foi suspensa por volta das 23h. Retomada na manhã desta quarta-feira (1º/9), o julgamento acabou por volta das 18h30min. No total, 13 testemunhas foram ouvidas durante a sessão que ocorreu de portas fechadas, sem a presença do público, respeitando às normas impostas por causa da pandemia da Covid-19.

Relembre o caso

Enzo morreu após ser vítima de traumatismo craniano, no início de novembro de 2019. O padrasto é o principal suspeito da tortura que ocasionou a morte do menino.

A criança foi levada ao Hospital de Gaspar, dia 9, e transferida ao HSA (Hospital Santo Antônio), devido à urgência do quadro de saúde. Mas por causa dos ferimentos gravíssimos, não resistiu e morreu no dia seguinte (10).

O homem teve a prisão preventiva em Blumenau, ainda em 2019, quando autuado em flagrante.

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