Processo contra acusada de matar grávida em Canelinha é retomado

Perícia médica a considerou sã e, com o resultado, ela pode ser julgada pelo crime de matar mãe e roubar bebê

Mais de três meses se passaram desde que Rozalba Maria Grime, de 26 anos, matou uma mulher grávida e roubou o bebê dela em Canelinha. Depois de alegar transtornos psiquiátricos, ela foi considerada sã e o processo é retomado. Com isso, Rozalba deve ser julgada nos próximos meses.

Processo contra Rozalba Maria Grime, acusada de matar grávida em Canelinha, é retomado – Foto: Arquivo pessoalProcesso contra Rozalba Maria Grime, acusada de matar grávida em Canelinha, é retomado – Foto: Arquivo pessoal

O laudo pericial que atesta a sanidade mental da mulher, que foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina por homicídio qualificado por feminicídio, motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e, ainda, pelo crime ter sido cometido por emboscada e mediante dissimulação.

Além disso, ela é acusada por tentativa de homicídio qualificado por dificultar a defesa da vítima, contra o bebê, ocultação de cadáver e subtração de incapaz.

O teste de sanidade mental foi solicitado pelo advogado de defesa de Rozalba e juntado, nesta segunda-feira (30) ao processo penal. Realizados no IGP (Instituto Geral de Perícias), os testes concluíram que ela “não possui qualquer transtorno psiquiátrico, doença mental, perturbação da saúde mental ou desenvolvimento incompleto ou retardado”.

O laudo aponta, ainda, que a acusada não apresentou qualquer uma das condições nem à época do crime, nem nos meses após o assassinato. Com isso, ela é considerada capaz de responder aos crimes e o processo, que estava suspenso, será retomado.

Agora, ela será citada para apresentar resposta à denúncia apresentada pelo MPSC, que também havia denunciado o companheiro, que chegou a ser preso preventivamente.

No entanto, após análise de novas provas apresentadas ao Ministério Público, a conclusão foi de que ele havia sido enganado por Rozalba e, por isso, a prisão preventiva foi revogada. A denúncia, que havia sido apresentada contra ele, também deve ser excluída se nenhuma nova prova surgir.

Rozalba em depoimento à Polícia Civil no dia 28 de agosto, um dia após o crime em Canelinha – Foto: Reprodução/NDRozalba em depoimento à Polícia Civil no dia 28 de agosto, um dia após o crime em Canelinha – Foto: Reprodução/ND

A denúncia do Ministério Público aponta que Rozalba levou a vítima a um local ermo sob a justificativa de participar de um chá de bebê surpresa e, no local, golpeou a cabeça da jovem com um tijolo.

Com a vítima desmaiada, a acusada utilizou um estilete para realizar o parto. A grave hemorragia causada pelo ferimento foi a causa da morte da jovem.

“Os denunciados, para satisfazerem um motivo egoístico, decorrente da frustração de uma gravidez própria, em vez de empreender pelas vias ordinárias, a exemplo de novas tentativas de gravidez ou mesmo intentar processo de adoção, optaram por ceifar a vida da jovem*, grávida com período de gestação relativamente semelhante ao suposta da denunciada, para subtrair-lhe a criança ainda no ventre e assumir-lhe a criação, como se sua filha fosse”, reforçaram os promotores Mirela Dutra Alberton, Alexandre Carrinho Muniz e Fred Anderson Vicente na denúncia apresentada e acatada pela Justiça.

Relembre o caso

A jovem assassinada estava grávida de oito meses quando foi levada pela suspeita até um local ermo, uma cerâmica desativada, com o pretexto de participar de um chá de bebê surpresa.

Segundo a denúncia do Ministério Público, ao chegar ao local, a mulher usou um tijolo para agredir a jovem, que ficou desacordada. Ela, então, usou um estilete para realizar o parto forçado do bebê, que também ficou ferido.

Na sequência, ela levou a criança até o hospital, alegando que teve um parto às pressas, na rua, e que precisava de atendimento. As lesões da criança chamaram a atenção da equipe médica, que acionou a polícia.

A jovem estava desaparecida desde o dia 27 de agosto e o corpo foi encontrado no dia seguinte. Ela foi sepultada no dia 29, em Canelinha, mesmo dia em que a prisão dos então suspeitos foi convertida em preventiva. O companheiro, no entanto, teve a prisão revogada após investigações concluírem que ele havia sido enganado por Rozalba.

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