Saiba quem são os denunciados pelo MPF na Operação Alcatraz

Deputado estadual Julio Garcia, familiares próximos do parlamentar e um empresário que atuava como operador financeiro são denunciados por lavagem de dinheiro

O presidente da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), Julio Garcia, foi um dos seis denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) na Operação Alcatraz.

Na informação, divulgada pelo MPF, o parlamentar é citado como ex-conselheiro do TCE/SC (Tribunal de Contas do Estado). Todos os seis denunciados são acusados de lavagem de dinheiro.

Deputado estadual Júlio Garcia foi um dos denunciados pelo crime de lavagem de dinheiro – Foto: Flávio Tin/Arquivo/ND

O documento destaca a relação do deputado estadual com o empresário Jefferson Rodrigues Colombo, dono da empresa Apporti. Colombo é genro da ex-mulher de Garcia.

O processo que envolve a operação Alcatraz tramita em segredo de Justiça desde que foi deflagrado, em 30 de maio de 2019. No dia 10 de agosto deste ano, a 1ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis prorrogou o prazo para a conclusão do inquérito para até 23 de novembro.

Conforme o MPF, a lavagem de dinheiro era feita com recursos recebidos pelo empresário em licitações fraudadas na secretaria de Administração por meio da empresa de tecnologia Apporti.

O montante seria, então, repassado ao ex-conselheiro, através da aquisição de bens e o pagamento de outras despesas pessoais dele e de seus familiares.

Julio Garcia e Jefferson Colombo foram indiciados 12 vezes pelo crime de lavagem de dinheiro.

Os valores repassados nos pagamentos somam R$ 2.337.691,31. Os procuradores da República pedem na denúncia à Justiça Federal que o montante seja ressarcido ao Estado.

Em outubro de 2019, Julio Garcia disse em coletiva de imprensa que os pagamentos que teriam aparecido em uma planilha de Jefferson são relativos a um empréstimo que ele teria feito ao genro de sua ex-esposa para ajudá-lo a quitar uma dívida contraída em 2007.

Outros denunciados

A denúncia do MPF envolve também os três filhos do presidente da Alesc, Pablo Benedet Garcia, Júlia Garcia, Maria Eduarda Steinmann Garcia, além da ex-companheira do deputado, Mary Elizabeth Benedet.

Júlia Garcia, Maria Eduarda Steinmann Garcia e Pablo Benedet Garcia foram indiciados duas vezes pela lavagem das quantias de R$ 260.063, 24, R$ 508.413,01 e R$ 164.795,08, respectivamente.

Já Mary Elizabeth foi indiciada pela lavagem de R$ 34.664,11. No caso de Garcia e Colombo, a pena de ambos pode ser aumentada caso se configure a organização criminosa.

Contrapontos

A assessoria do deputado Julio Garcia afirmou que o parlamentar ainda não leu a denúncia. Ele irá “conhecer, entender do que se trata” e, após isso, irá se manifestar oficialmente.

Em nota, o advogado de defesa de Julio Garcia, Cesar Abreu, afirma que a denúncia é especulativa e “baseada em suposições”. Ele ainda acrescentou que “o que temos e iremos provar é a presença de uma denúncia fantasiosa, não mais do que uma peça de ficção”, completou.

O advogado Francisco Ferreira, responsável pela defesa de Jefferson Colombo, afirmou que “a denúncia atribui a lavagem de dinheiro, sendo que esse crime requer a prática de outro crime antecedente. Não existe lavagem de dinheiro sem outro crime antecedente e isso não está demonstrado”, falou.

A reportagem do nd+ entrou em contato com a defesa de Pablo Benedet Garcia, mas não houve retorno até o momento da publicação. Já Júlia Garcia e Maria Eduarda Steinmann Garcia ainda não possuem representante de defesa. O advogado de Mary Elizabeth Benedet não foi encontrado para contraponto.

Confira a nota da defesa do deputado Julio Garcia na íntegra: 

A denúncia apresentada pelo MPF na noite de ontem é especulativa, baseada em suposições. Embora as investigações tenham iniciado em 25.01.2017, mostra-se curioso tenha essa denúncia sido oferecida às vésperas de votação na Assembleia Legislativa do Relatório do processo de impeachment e disponibilizada à imprensa antes mesmo do conhecimento dos advogados, em verdadeiro atentado à Lei de Abuso de Autoridade, a implicar no necessário esclarecimento do vazamento da informação.

Surpreende, a despeito de possível, também, uma denúncia exclusiva tratando de lavagem de dinheiro, quando indispensável a existência de crime anterior, que faça presente o dinheiro ilícito, que é objeto desse crime.

Causa estranheza, ainda, que, para essa denúncia compareça a SubProcuradoraGeral da República, não o fazendo em relação às outras tantas denúncias oferecidas na Operação Alcatraz, sem que se justifique o motivo desse “privilégio”.

Não gostaria, evidentemente, de fazer qualquer juízo de valor a esse respeito, mas seria importante uma explicação pública, considerado o isolamento dessa denúncia, quando ainda se discute no inquérito policial a própria competência da justiça federal para o caso.

 Aliás, uma denúncia pautada na afirmação da existência de outros crimes, entretanto, sem demonstração ou comprovação material de participação direta ou indireta de Júlio Garcia.

O que temos e iremos provar é a presença de uma denúncia fantasiosa, não mais do que uma peça de ficção, como ainda, por absoluta convicção pessoal, a inocência do ilustre Deputado.

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