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STF anula lei de SC que obriga contas de água e luz informarem débitos vencidos

Lei determinava que empresas deveriam informar nas faturas dívidas em pagamentos; para STF, medida invade competência da união e dos municípios

Em uma votação apertada, o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou continconstitucional a lei estadual 17.108/2017. Ela obrigava as concessionárias de Santa Catarina de água e luz a informar, nas faturas de serviços, a existência de eventuais débitos vencidos. A reportagem conta com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

Lei invalidade pelo STF estabelecia que as contas de águas e luz em SC deveriam informar débitos vencidosSTF avaliou que lei é inconstitucional, pois invade competência da União e dos municípios – Foto: Arquivo/ Divulgação/ND

Por maioria de votos, o Plenário, ao julgar procedente a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 5868, ajuizada pelo então governador do estado, concluiu que a norma estadual invadiu competência da União e dos municípios, ao estabelecer obrigações às concessionárias locais de energia elétrica.

Proteção ao usuário

O entendimento da relatora da ação referente às contas de luz em SC no STF, ministra Cármen Lúcia, prevaleceu no julgamento.

Conforme assentou, a União é titular da prestação do serviço público de energia elétrica e tem a prerrogativa constitucional de estabelecer o regime e as condições da prestação desse serviço por concessionárias, o que afasta a ingerência normativa dos demais entes políticos.

Equilíbrio econômico

De acordo com a ministra, os estados têm competência legislativa concorrente em tema de produção e consumo e de responsabilidade por dano ao consumidor. Entretanto, esse dever-poder de proteção em relação aos usuários dos serviços de energia elétrica cabe à União, nos termos dos artigos 21, inciso XII, alínea “b” e 22, inciso IV, da Constituição.

“Eventuais conflitos ou superposições de normas federais e estaduais em matéria de prestação de serviços de energia elétrica prejudicam a segurança jurídica porque interferem no equilíbrio econômico de contratos de concessão e afetam os consumidores, os quais suportam a elevação de custos”, afirmou.

Interesse local

A ministra ressaltou, ainda, que compete aos municípios legislar sobre assuntos de interesse local e organizar e prestar, diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão, os serviços públicos correspondentes. Na sua avaliação, a lei catarinense, ao estabelecer obrigações às concessionárias de água, pode afetar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão no âmbito municipal.

Ficaram vencidos os ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux. A decisão se deu na sessão virtual encerrada em 18/12/2020.