Moradores do Porto da Lagoa, em Florianópolis, perdem área de lazer

Terreno utilizado como campo de futebol foi reintegrado ao proprietário após 25 anos de disputa judicial

Daniel Queiroz/ND

Houve bloqueio da avenida Osni Ortiga em dois horários

Os moradores do Porto da Lagoa, Leste da Ilha, perderam ontem a única área de lazer do bairro. Mesmo diante de protestos, que culminaram com o fechamento da avenida Osni Ortiga, operários concluíram a derrubada da sede da Sociedade Esportiva Palmeiras, conhecida carinhosamente como Palmerinha.

O local era alvo de disputa judicial há 25 anos. Agora, a comunidade aguarda a intervenção da Prefeitura de Florianópolis no caso. O prefeito Dario Berger (PMDB) já manifestou o interesse em adquirir o imóvel, desde que com preço justo.

O espaço de 8.020 metros quadrados era utilizado há 50 anos como campo de futebol para o time do bairro, duas escolinhas da modalidade e também para eventos em datas festivas, como o Dia das Mães. O presidente do Palmerinha, Izaías Bittencourt, lamentou a decisão. “São pelo menos 4 mil pessoas que não terão mais uma área de lazer na região para usufruir. Nos tomaram brutalmente”, reclamou. Além de derrubar as traves do campo e arrancar o alambrado, os operários inutilizaram parte do gramado, com buracos e brita.

Volnei Medeiros, herdeiro da área, não poderá construir no imóvel recém-conquistado na Justiça. Desde 2005 o terreno é considerado uma AVL (Área Verde de Lazer), que impede  construções. O espaço só pode ser utilizado para estruturas de lazer.

Lincoln Porto, advogado do proprietário, já adiantou que haverá nova batalha judicial. “Vamos entrar com uma ação indenizatória contra a prefeitura”, ressaltou.

Dario Berger afirmou não saber que a área do clube era alvo de disputa judicial. Segundo ele, a prefeitura tem interesse em adquirir a posse do terreno para preservar o espaço de lazer da comunidade. “O primeiro passo é conversar com o proprietário. Se houver a possibilidade de negociação, vamos pagar um valor compatível com os laudos e avaliações”, ressaltou.

Escolinhas atendiam 250 alunos

O espaço era usado pela escolinha do Palmerinha, uma outra licenciada pelo Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, e pelo Instituto Lagoa Social. Eram atendidos ali cerca de 250 alunos de 6 a 14 anos. Os alunos pagam R$ 15 mensais para participar da escola. Alguns, que não tinham condições, eram isentos. A entidade arrecadava fundos também com o aluguel do campo para pessoas de fora da comunidade por R$ 50 a hora.

O presidente do Palmerinha, Izaías Bittencourt, garantiu que não havia lucro. Todo valor arrecadado era usado para pagar o contador e despesas administrativas como contas de água e luz. 

O presidente do Instituto Lagoa Social, Pedro Almeida, lamentou a interdição do campo e apoia a comunidade na retomada do local. “Infelizmente, isso está acontecendo em outras partes da cidade. Em vez de manter e incluir mais áreas verdes e de lazer, só crescem empreendimentos e a comunidade fica sem espaço”, disse Almeida.

O professor Cesar Garcez, 52 anos, é contrário à reintegração de posse. Mas ele acredita que se o espaço voltar para a comunidade, pode ser melhor aproveitado. “Tem que fazer campo de futebol, quadra de vôlei, pista de skate e uma área de uso polivalente. Assim todos podem usar”, sugeriu Garcez.

Comunidade protesta

 A reintegração de posse revoltou os moradores da comunidade. Nesta quarta-feira, a avenida Osni Ortiga foi fechada com paus e pneus queimados. Os protestos ocorreram em dois horários: um às 10h e o outro às 18h, quando muitas pessoas voltam para casa após o trabalho. Houve formação de filas. 

Apesar das manifestações terem ocorrido de forma pacífica, pela manhã os policiais militares precisaram jogar uma bomba de efeito moral para dispersar a multidão. Nesta quinta-feira, há possibilidade de ocorrerem novos protestos. Porém, as lideranças comunitárias não confirmam a realização ou até o horário do possível bloqueio do trânsito.

O presidente da Associação de Moradores do bairro, Luciano Pereira, disse que a intenção é reivindicar rapidamente uma ação da prefeitura. “Queremos nossa área de lazer de volta”, justificou.

Confira o vídeo com a manifestação de quarta-feira:

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