Com a intenção de dar mais experiências às crianças, Letícia Kuerten lança livro de brincadeiras

A inspiração veio do método de Educação Condutiva, usada pelos filhos gêmeos de Letícia que nasceram com paralisia cerebral

Marco Santiago/ND

Obra vem com vários caderninhos com brincadeiras para as crianças viverem situações e sensações

“O mais sensacional é o: eu que fiz!! Pai vem ver”, diz Letícia Kuerten, 42, sobre o livro que lançou em Florianópolis, “Vou brincar”, ilustrado por Fabio Brust, dedicado a crianças de seis a 12 anos. Ela é mestre em engenharia de produção e graduada em ciências contábeis. Desde o nascimento dos filhos, a carreira ficou de lado e coisas como escrever um livro vieram à tona devido às mudanças na vida pessoal. Três coisas bem distintas, mas com grande sentido na vida da “mãezona”.

Desde o nascimento dos filhos gêmeos Leonardo e Gabriel, 13, que vieram ao mundo com paralisia cerebral, ela se dedica a saber mais sobre o método de Educação Condutiva, criado na Hungria na década de 1940, e usado pelos gêmeos durante sete anos. O método vê a lesão cerebral como uma deficiência na aprendizagem.

Por meio da Educação Condutiva, Letícia aprendeu que todo indivíduo tem possibilidade de aprender, mas no caso deles, é preciso ensinar o cérebro a fazer ações e buscar sensações que eles não tiveram quando eram bebês.

“Desde sempre a gente [a família] buscou encontrar coisas que pudessem estimular cada vez mais as áreas cerebrais dos meus filhos para que eles pudessem ter uma vida cada vez melhor, mais independente”, conta ela. 

No livro, que tem formato inusitado – pequenos caderninhos separados que vêm em um box de papel -, Letícia reúne brincadeiras que fizeram parte da aprendizagem diferenciada que os filhos tiveram para uma melhor vivência do mundo. Porém, o livro não é dedicado a crianças com paralisia cerebral, mas a todas que têm vontade de brincar sejam sozinhas ou acompanhadas de amigos ou dos pais.

Pelo método, Letícia viu ainda que crianças com paralisia são carentes de estímulos, e por isso é preciso proporcionar a elas situações que normalmente não fariam devido às suas limitações. Só que isso não acontece apenas às que têm a doença, mas a todas que por algum motivo não conhecem determinadas sensações, e é nesse ponto que o livro de brincadeiras de Letícia auxilia.

“Hoje em dia nós nos colocamos em frente a uma tela que só nos ensina a apertar um botão, e passamos a ser carentes de estímulos e deixar de viver o que tem lá fora. Isso é desde pegar uma folha seca e ver que textura ela tem”, explica.

“Vou brincar” partiu das buscas de Letícia por brinquedos e brincadeiras que trouxessem aprendizados aos gêmeos. Com o nascimento da filha Larissa, hoje com 11, Letícia teve a necessidade de anotar essas brincadeiras para facilitar nos dias que eles quisessem fazer algo diferente.

Dessas anotações surgiu uma lista com cem ideias, e 20 delas estão nesta primeira obra. “O livro é um manual para todas as crianças que querem brincar, porque a maioria do entretenimento infantil dessa geração é ver TV, jogar videogame ou no tablet. Eu vejo isso como uma grande carência de oportunidade, e essas crianças terão dificuldades no futuro”, salienta ela, lembrando que no livro, a brincadeira com material mais difícil seria um dominó, que nem todos têm em casa.

Passo a passo

O livro, que quase pode ser confundido com um brinquedo, vem com ícones na frente de cada caderneta. Eles informam o grau de dificuldade da brincadeira, quantas crianças podem usar e onde ela pode ser praticada.

Em um passo a passo simples, Letícia mostra nas páginas os materiais necessários, como brincar, como deixar a brincadeira mais difícil depois que ela for praticada várias vezes ou adaptar para crianças mais velhas, e observações que podem ser feitas pelos pais nas crianças que estão jogando.

“Cada brincadeira tem por trazer o estímulo de um talento”, aponta. Para finalizar, cada caderninho tem ainda uma marcação de tempo, avaliação da brincadeira e quantas vezes ela foi feita. Tudo para tornar a brincadeira mais completa e real.

“Tenho recebido diversas fotos de mães mostrando que os filhos estão usando o livro nas férias. Tem uma que disse que o filho adorou brincar de pintar pedrinhas, e estava há horas fazendo isso. São coisas simples que a gente não imagina que vão entreter tanto”, conta Letícia, feliz com o resultado da obra, e ansiosa para o lançamento da segunda edição. 

Serviço:

“Vou brincar”

• De: Letícia Kuerten

• Editora: Pandorgar

• 46 págs. R$ 34,90

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